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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Catarina Patrício, “Heurístico Algoritmo”, 2009. Técnica mista sobre papel. 150 x 120 cm


Catarina Patrício, “AE-35unit”, 2009. Técnica mista sobre papel. 150 x 120 cm


Catarina Patrício, “Trans-missão concluída”, 2009. Técnica mista sobre papel. 150 x 120 cm


Catarina Patrício, “Mique uei”, 2009. Técnica mista sobre papel. 150 x 120 cm


Vista geral da exposição. Zoom l Carlos Carvalho - Arte Contemporânea


Vista geral da exposição. Zoom l Carlos Carvalho - Arte Contemporânea

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ARQUIVO:


CATARINA PATRÍCIO

Selotmachinas




CARLOS CARVALHO ARTE CONTEMPORÂNEA
R. Joly Braga Santos, Lote F – R/c
1600-123 Lisboa

25 FEV - 07 ABR 2009


É curiosa a convergência temporal da exposição dos últimos trabalhos de Catarina Patrício no espaço ZOOM da Galeria Carlos Carvalho com a “Terre Natale – Ailleurs Commence Ici” da Fundação Cartier (ver artigo de Sílvia Guerra), já que a primeira deve a Paul Virilio, o co-mentor da segunda, a sua aparelhagem conceptual. Sobretudo porque para o filósofo “tudo se joga no ordenamento do tempo”; porque a história da humanidade é determinada pela própria história das comunicações e transportes e portanto, da velocidade; e porque o controlo dessa evolução determina, de forma inequívoca, a estrutura das relações sociais de poder. A Dromologia, ciência (ou lógica) teorizada por Virilio, estuda os efeitos da aceleração da velocidade na sociedade.


Time Stands Still

Se resta apenas àquele que pensa, mover-se, pelo contrário Jodelle, Barbarella, Lara Croft ou a heroína erotizada dos desenhos de Catarina Patrício, nunca se cansam, mostram emoções ou envelhecem. A sua alter personagem (em velocidade de exposição) assiste antes, inerte (ou em velocidade existencial zero), descansando ou maquilhando-se sobre despojos acidentais, a uma sociedade mundial militarizada e teletecnológica, onde o cada vez menos exuberante capitalismo se subalterniza ao excesso de velocidade enquanto factor de determinação do crash, o seu acidente maior. Utiliza carros, aviões, gadgets, óculos escuros e red lipstick, e a sua presença oscila, contraditória, entre o glamour fotográfico-publicitário da “Wallpaper” e uma figura de cartaz de propaganda socialista.


São nove os desenhos de grande formato apresentados. De figuração variavelmente esboçada, numa execução de economia virtuosa que se estende aos próprios materiais e cores (grafite, aguadas de cinzentos e prateados com excepcionais introduções de cores pastel); de registo gestual e sujidade contida; e entre uma qualidade expressionista e hiper-realista, o seu conjunto sugere o domínio simultâneo e harmónico dos instrumentos da ilustração comercial e da gravura clássica.


A primeira apresentação individual de Catarina Patrício no espaço de uma galeria comercial tem equívocos que não afectam nem diminuem, porém, a qualidade plástica e intelectual do trabalho que desenvolve. Os objectos tridimensionais (aviões e sinalética de aviação) aleatoriamente dispostos no chão da galeria não acrescentam (porque não há nada a acrescentar) e distraem (porque perturbam a coerência formal do conjunto dos desenhos). A componente instalativa na obra de Catarina Patrício é desigualmente interessante. Se não resulta quando são acrescentados objectos aos desenhos (“Selotmachinas” na ZOOM – Carlos Carvalho Arte Contemporânea, 2009, e “The Night I Killed Tommy” na Plataforma Revólver, 2007/08) resulta porém acertada e espectacular quando os desenhos são acrescentados aos objectos e dialogam enquanto possibilidade interventiva com o lugar (“Dromopolis” site-specific, com Paulo Lisboa, Parque de estacionamento do Largo Camões).


Imagem e geopolítica, cybercorpos e hollywood, artilharia e make-up. Velocidade intelectual, romantismo estratégico, terrorismo revolucionário, Tank e Bond Girl de viragem de século. Tempo suspenso, tempo acelerado, tempo prolongado.


E, no entanto, ela move-se.



Lígia Afonso