Links

EXPOSIÇÕES ATUAIS


Martin Creed, “I Like Thingsâ€. Vista geral da exposição.

Outras exposições actuais:

COLECTIVA

1º CICLO EXPOSITIVO 2026


Museu Arpad Szenes - Vieira da Silva, Lisboa
CATARINA REAL

SUSANA PILAR

NOT ALONE


Galleria Continua (Paris - Marais), Paris
FILIPA BOSSUET

JOSÉ MAÇÃS DE CARVALHO

21 MINUTES POUR UNE IMAGE


CAPC - Círculo de Artes Plásticas - Sede, Coimbra
CONSTANÇA BABO

WILFRID ALMENDRA

HARVEST


Galeria Municipal de Arte de Almada, Almada
CARLA CARBONE

RITA MAGALHÃES

FACE A FACE – RITA MAGALHÃES E A NATUREZA-MORTA NA COLEÇÃO DO MNSR


Museu Nacional de Soares dos Reis, Porto
MARC LENOT

SUSANA ROCHA

LEAKING BODIES


Plato (Porto), Porto
SANDRA SILVA

ANDRÉ ROMÃO

INVERNO


Galeria Vera Cortês (Alvalade), Lisboa
MARIANA VARELA

PEDRO CASQUEIRO

DETOUR


MAAT, Lisboa
CARLA CARBONE

HUGO LEITE, ED FREITAS E THALES LUZ

EU SOU AQUELE QUE ESTÃ LONGE


Espaço MIRA, Porto
LEONOR GUERREIRO QUEIROZ

ANNE IMHOF

FUN IST EIN STAHLBAD


Museu de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto
MAFALDA TEIXEIRA

ARQUIVO:


MARTIN CREED

I Like Things




FONDAZIONE NICOLA TRUSSARDI
Piazza della Scala 5
20121Milão

16 MAI - 18 JUN 2006


Imaginemos alguém que, em Milão, atravesse a Piazza Duomo, a praça da catedral, e olhe para o Palazzo dell’Arengario. Esse alguém lerá em enormes letras brancas: “Everything is Going to Be Allrightâ€. Curioso pela mensagem, simultaneamente optimista e reconfortante, este alguém decide entrar no edifício de arquitectura racionalista que coroa o lado esquerdo da praça. Subindo as escadas, quase chocará com um atarefado homem de meia idade vestido de fato e gravata, que desce a correr a enorme escadaria. Onde irá?… O mesmo homem voltará a ser visto, a correr como a lebre de Lewis Carrol, sempre sem uma rota precisa mas com a mesma urgência. Ao passar a porta do Palácio, o nosso visitante curioso será alvo de uma fortíssima lufada de ar frio que o empurra para trás, quase testando a sua vontade de entrar no espaço. Mais tarde perceberá que acabou de se encontrar com três trabalhos do artista britânico Martin Creed, respectivamente “Work #560†(o néon), “Work #570†(o homem que corre) e “Work #564†(o vento).

Já no interior do Palazzo dell’Arengario, umas enormes letras em néon azul, que ocupam a totalidade de duas das paredes da sala, apregoam “Small Thingsâ€. Gigante escultura luminosa?… Declaração artística?… A ideia de estar dentro de uma alucinação composta de elementos e objectos quotidianos começa a surgir. No centro da sala um piano branco realiza um ameaçador baile mecânico e ruidoso, enquanto se abre e fecha violentamente. Com as paredes totalmente pintadas de preto, este espaço parece, entre o azul do néon, o rumor do vento e a presença do piano, um bar desolador e fantasmagórico. Na segunda sala dá-se o encontro com o trabalho que celebrizou Creed, ao fazê-lo vencer o Turner Prize de 2001: “The Lights going on and offâ€, 1996. Mas se no espaço da Tate Britain esta obra era sobretudo um questionar a percepção e o papel do espectador e do artista, aqui, num corredor com colunas enormes e austeras, a mesma obra contribui e prolonga a sensação de abandono e de desorientação que vinha desde a sala precedente.

Estamos sós e isolados no mundo. Este pensamento, que é de certo modo a ideia basilar da Bienal de Berlim deste ano, cujo título é “Of Mice and Menâ€, enquadra igualmente o projecto desta exposição. Acaso ou não, tanto o comissário, Massimiliano Gioni, como o próprio Creed (com este último trabalho), fazem parte da exposição berlinense…

Continuando a percorrer a colunata habitada pelo apagar e acender das luzes, chega-se a uma escada que conduz a um beco sem saída, onde se expõe o “Work #503â€, 2006: um vídeo de um minuto, no qual uma jovem vomita compulsivamente numa sala branca e imaculada, num white cube. E aqui, o visitante tem duas opções: ou abandona o Palácio, sentindo que, iludido com uma mensagem doce e inofensiva, foi trazido para dentro de uma alucinação artística; ou volta para trás, revê a exposição e, ao fazer o percurso invertido, desmonta o projecto extremamente bem articulado do comissário e compreende a genialidade de Creed, que reflecte sobre a arte e sobre o seu funcionamento através da matéria-prima que enforma o nosso banal quotidiano, tal como o faz no único trabalho que faltava nomear, o “Work #571â€, 2006: uma enorme pilha de folhas de cartão compensado que cria um cubo perfeito.



Filipa Ramos