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JCJ VANDERHEYDENA Analogia do OlhoCULTURGEST EdifÃcio Sede da Caixa Geral de Depósitos, Rua Arco do Cego 1000-300 Lisboa 07 FEV - 10 MAI 2009 Uma espécie de antecâmara avisa-nos visualmente do que podemos encontrar quando a nossa passada a ultrapassar: um conjunto de obras representativas e abstractas de JCJ Vanderheyden (n. 1928, Den Bosch), com curadoria de Miguel Wandschneider, que nos reportam a um universo denso, pleno de citações e de analogias, mesmo além da analogia do olho, que confere o tÃtulo à exposição. Se fosse necessário utilizar uma única palavra para definir esta mostra, poderÃamos dizer que a escolhida é mise en abyme, isto é, narrativas que contêm outras narrativas, como se de um filme se tratasse. E esta poderá ser uma forma de entendimento desta exposição: um filme. Temos um prelúdio dado pela referida antecâmara, com a apresentação de conteúdos/personagens, seguido de salas com o desenvolvimento e raccord, para atingir o desfecho nas cabines tridimensionais que o artista constrói e onde ele próprio também se representa. Porém, fica-nos a impressão de uma narrativa aberta, com possibilidades de diferentes compreensões. O que é interessante e, em certa medida, misterioso. Dentro deste “filme†somos sucessivamente confrontados com referências à história da arte ou da imagem no mundo ocidental, assim como à utilização de diferentes técnicas, como o pointillisme, técnica utilizada na recriação de um detalhe de “Las meninasâ€, de Velázquez, pintura na qual originalmente o próprio Velázquez se auto-representa. Mas, e continuando pelos conteúdos do “filme†em questão, encontramos claras metáforas a Kasimir Malevitch, que 1913 e 1915, pintaria os seus conhecidos “Quadrado negro sobre fundo brancoâ€, assumido como um “manifesto do suprematismoâ€. No caso de Vanderheyden, encontramos quadrados brancos sobre fundos azul ou verde. Encontramos ainda pinturas geométricas que, a seu modo, nos impelem para os ritmos depurados de superfÃcie de Piet Mondrian, e igualmente para o universo do cinema dadaÃsta de Hans Richter, nomeadamente do filme “Rhythmus 21†(1921). Do mesmo modo, somos conduzidos por janelas que se abrem de interiores de aviões para horizontes azuis com nuvens, quase à maneira de René Magiritte, numa proposta de ligação com o mundo, numa visão do interior para o exterior, que retorna ao interior do sujeito mediante a percepção. Vanderheyden representa o mundo, o seu universo, a si próprio e até a nós, através da utilização de espelhos que concorrem definitivamente para a construção do mise en abyme que atrás se referiu. Entre a representação, a abstracção – que também é uma forma de representação – e a distorção, caminhamos para a tridimensionalidade do gabinete do artista, no qual se encontram miniaturas de peças que já vimos. Regressamos à ideia de raccord e de cinematografia. Cada peça pode ser entendida como um segmento do filme que percepcionamos, numa analogia talvez mais do que do olho, do acto consciente de ver na complexa relação do “eu†com o “mundoâ€.
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