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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Gilberto Zorio, “Piombi”, 1968. Placa de Chumbo, sulfato de cobre, ácido clorídrico. 95 x 250 x 160 cm. Fotografia: CC


Tobias Rehberger, “Mutter 81%”, 2002. Metal, papel plastificado, tecido, acrílico, madeira, fita adesiva. 280 x 700 x 570 cm. Fotografia: Rita Burmester


Didier Fiúza Faustino, “Interstice”, 2003. Alumínio, acrílico, aço inox. 75 x 150 x 55 cm. Fotografia: CC


Juan Muñoz, “Bending”, 1989. Madeira, ferro. 184 x 200 x 52 cm. Fotografia: Filipe Braga


Rui Chafes, “Doce e Quente”, 1995. Ferro pintado. 185 x 124 x 108 cm. Fotografia: CC

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COLECTIVA

Serralves 2009 - A Colecção




MUSEU DE SERRALVES - MUSEU DE ARTE CONTEMPORÂNEA
Rua D. João de Castro, 210
4150-417 Porto

30 MAI - 27 SET 2009


A garantia de um revisionismo histórico associado a uma estratégia de perpetuação da memória, patrimonialmente acessível para gerações futuras, tem pautado a constituição de colecções por parte das principais instituições museológicas um pouco por todo o mundo, remetendo para um programa mais lato inerente ao advento da própria modernidade. A tendência para enfatizar uma abordagem às obras de arte enquanto privilegiados documentos de natureza histórica, potenciando sobretudo leituras cronológicas e sectorialmente lineares – já Walter Benjamim, no clássico ensaio sobre Eduard Fuchs, defendia que é precisamente no coleccionismo que se fundamenta a concepção materialista da arte – tem tendido, nas últimas décadas a ser posta em causa.

A partir das suas colecções determinados museus de arte contemporânea têm privilegiado pressupostos curatoriais que potenciam leituras diferentes, colando-se ao serviço não tanto da legitimação, como apostando na colocação de questões e problemáticas que criam possibilidade de contar outras histórias, histórias essas que muitas vezes questionam pressupostos tidos como irrefutáveis. O tempo da própria criação é privilegiado numa perspectiva autónoma e a especificidade das características formais do objecto é enfatizada, não tanto enquanto ilustração mas no sentido de fornecer pistas que desenham excepções à regra. A pós-modernidade, ao fragmentar a leitura linear da narrativa histórica, reinscreve-a e reinterpreta-a. Micro-narrativas com potencial prospectivo e transformador marcam o cenário actual. Remetendo por vezes para um tempo passado, fazem-no a partir do presente, da contemporaneidade, contribuindo assim para uma partilha que se quer aberta e crítica e não sustentada sobre dogmas.

A mostra “Serralves 2009 – A Colecção”, dividida em três momentos expositivos, insere-se definitivamente nesta linha programática. Coincidindo com a comemoração dos 10 anos de abertura do Museu de Arte Contemporânea de Serralves (MACS), corresponde à primeira exibição sistemática de parte das 1500 obras que integram a sua colecção. Ocupa a globalidade do seu espaço expositivo e inaugura uma nova aposta programática que passa a assumir a presença de peças do espólio em salas da instituição. Pretendendo perspectivar o futuro, ultrapassa a vertente de balanço esclarecedor (que compras tem sido feitas e sob que critérios?) contribuindo simultaneamente para reafirmar as linhas estratégicas que orientarão posteriores aquisições. Responsabilidade a cargo de um conselho consultivo – composto por Ida Gianelli (ex-directora do Castello di Rivoli, Turim), James Lingwood (director do Artangel, Londres), Kynaston McShine (curador do Museu de Arte Moderna de Nova Iorque) e Vicente Todolí (que actualmente dirige a Tate Modern, tendo sido director do MACS entre 1996 e 2002 vindo do IVAM) – que decide o destino do orçamento disponível anualmente: um milhão e duzentos e trinta mil euros provenientes (em parcelas distintas) do Estado português, da própria Fundação de Serralves e da Câmara Municipal do Porto.

Projectada por consistentes critérios de aquisição, o núcleo histórico da colecção de âmbito internacional foi balizado cronologicamente partindo do pressuposto de privilegiar obras inseridas na continuidade dos revolucionários anos 60. A sua constituição, deveu-se, em grande medida, à compra – beneficiada por um cenário em que a especulação em torno do mercado da arte não tinha ainda explodido – de obras que integraram a importante mostra inaugural “Circa 68” (com comissariado repartido entre Todolí e o actual director do Museu, João Fernandes) ou de peças igualmente representativas (nem sempre de forma linear, muitas vezes lançando a polémica) no contexto das produções de autores que nela participaram.

À consolidação do núcleo histórico, work in progress que idealmente se perpetuará no tempo, seguiu-se a consciência da necessidade de colmatar lacunas de representatividade em relação às décadas de 1980 e 1990 (a instalação detém uma presença cada vez mais preponderante). A aquisição de trabalhos representativos de um questionamento da própria condição da obra de arte, perspectivando-a numa relação com a própria vida, tem orientado as compras. Nesta óptica, e detendo um peso cada vez mais determinante, inserem-se doações de artistas que muitas vezes permitem suprimir impossibilidades de representação decorrentes dos valores alcançados no mercado. Privilegiando-se a integração no acervo de trabalhos de criadores com os quais o museu tenha directamente colaborado, nomeadamente através da promoção de exposições temporárias, a colecção acaba por reflectir as linhas estratégicas assumidas.



Cristina Campos