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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Per Kirkeby, “Nikopeja IIâ€, 1996. Cortesia Galerie Michael Werner, Berlim, Colóniae Nova Iorque. © Per Kirkeby


Per Kirkeby, “Mild Winter IIâ€. Michael Werner, Berlim, Colónia e Nova Iorque. © Per Kirkeby


Per Kirkeby, “Husetâ€, 1973. Cortesia Galerie Michael Werner, Colónia e Nova Iorque. © Per Kirkeby


Per Kirkeby, “Brett – Felsenâ€, 2000. Cortesia Galerie Michael Werner, Berlim, Colónia e Nova Iorque. © Per Kirkeby


“Ohne Titel (Untitled)â€, 1991. Cortesia Galerie Michael Werner, Berlim, Colónia e Nova Iorque. © Per Kirkeby


Per Kirkeby, “Flight into Egypt†1996. Colecção Privada / Tate

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PER KIRKEBY

Per Kirkeby




TATE MODERN
Bankside
London SE1 9TG

17 JUN - 06 SET 2009


À primeira vista, a exposição de Per Kirkeby (n. 1938, Copenhaga) na Tate Modern, em Londres, pode parecer mais uma exposição monográfica de um pintor pouco original. No entanto, é preciso lembrar que um dos papéis da Tate Modern é francamente pedagógico e, a cada exposição, correspondem inúmeros eventos paralelos, como as conferências com curadores e artistas. Talvez pelas críticas acesas a esta exposição (pelo crítico Adrian Searle no The Guardian, por exemplo) e também porque uma exposição monográfica de um autor que tivesse (apenas) pinturas algo aborrecidas de tão impenetráveis não corresponda ao perfil institucional da Tate, torna-se essencial conhecer mais sobre Per Kirkeby.

Kirkeby começou as suas actividades como artista no grupo Fluxus, nos anos 60 e 70. Em 1962, juntou-se ao grupo de arte avant-garde dinamarquês “Den Ekperimenterende Kunstkole†(A Escola Experimental). Ao longo dos anos seguintes, produziu mais de 70 livros com poesia, ensaios de arte e de arquitectura. Sob influência teórica de Andy Warhol, produziu o seu primeiro de 24 filmes, o “Britte Bardot†(1968). Em 1973, Kirkeby começou a produzir obras para espaços públicos, com a escultura em tijolo “Husetâ€. Durante os anos 80, Kirkeby trabalhou intensivamente em pinturas a óleo de grande formato e esculturas monolíticas de tijolo e bronze. Kirkeby ganhou projecção internacional no início dos anos 80 com o aparecimento de uma nova pintura europeia, o neo-expressionismo, que incluía artistas como Georg Baselitz e A.R. Penck. Repletas de alusões à pintura a óleo de paisagem e referências veladas à história de arte, as suas pinturas de grande formato vivem na sua realidade particular, uma realidade abstracta e onírica. Desde 1995, o artista tem criado peças que ficam no limbo entre a escultura e a arquitectura.

Nas pinturas de Kirkeby, escolhidas pelo curador Achim Borchardt-Hume para a exposição na Tate Modern, as cores são escurecidas, os castanhos são sempre reminiscentes de terra e os cinzentos são azulados dos dias cinzentos aos quais o próprio Kirkeby se deve ter habituado desde cedo em Copenhaga. As paisagens estão lá sem se apresentarem diante de nós como estamos habituados e esperamos ver uma paisagem: com linha de horizonte bem marcada, azuis e verdes vivos. Como geólogo de formação (o currículo de Per Kirkeby é surpreendentemente diversificado), apresenta-nos rochas, quedas de água e uma parafernália de fissuras geológicas.

Apesar de não correr muitos riscos na pintura, corre riscos na atitude experimental e multidisciplinar – é quase tão comum vermos um texto como uma pintura da sua autoria. As esculturas em espaço público de Kirkeby (como a da estação de comboio de Humlebaek, a norte de Copenhaga) têm um carácter misterioso, quase de história encantada, como portões de castelos. Ou, recorrendo à História da Arte, às arcadas representadas em pintura por Giorgio De Chirico. As peças escolhidas para a exposição não têm a mesma força, não apenas pela escala mas essencialmente porque a escultura em Kirkeby ganha uma dimensão diferente quando em espaço urbano.

A exposição na Tate Modern é a primeira exposição individual de Per Kirkeby no Reino Unido. A exposição explora a diversidade das quatro décadas da carreira do artista, tarefa sempre complicada quando se trata de alguém multidisciplinar e com uma carreira não linear marcada por uma forte sensibilidade a diferentes materiais. O curador escolheu o enfoque em momentos chave como as pinturas de inspiração Pop dos anos 60, um grupo extenso de pinturas em cartão negro, esculturas de pequena dimensão e uma selecção de pinturas em tela de grande formato pelas quais o artista é mais conhecido. Quatro destas pinturas de grande formato criam um ambiente impressionante na exposição, convidando o menos atento dos visitantes a ficar completamente imerso no espaço da pintura.

Apresentando 146 trabalhos incluindo pinturas em cartão e tela, esculturas de bronze (excluiram-se, por razões logísticas, as magníficas esculturas em tijolo), trabalhos em papel e uma selecção da sua extensa obra escrita, a exposição começa com uma exploração do abrigo, um motivo recorrente em Kirkeby e também a forma mais básica da arquitectura doméstica, em especial na realidade nórdica. A Natureza e a paisagem foram desde o início da sua carreira, fontes de inspiração e representam, acima de tudo, a tradição Europeia em Pintura. Uma tradição que se faz notar com maior presença na Europa do Norte, desde o início da pintura até aos tempos da arte contemporânea em diversos meios, em especial a fotografia. Uma das salas da exposição é dedicada à actividade prolífica de Kirkeby enquanto escritor, com reflexões sobre os seus trabalhos bem como de outros artistas. Com um percurso linear, a orgânica da exposição mostra um percurso não linear de um artista que fica muito para além do meio da pintura.



Luísa Santos