Links

EXPOSIÇÕES ATUAIS


António Olaio, “My hand, a readymade”, 1991. Óleo sobre tela. 90 x 200 cm


António Olaio, “Pictures Are Not Movies”, 2005. Still de vídeo, preto e branco, som, 4’30’’


António Olaio, “Pictures Are Not Movies”, 2005. Still de vídeo, preto e branco, som, 4’30’’


António Olaio, “Pictures Are Not Movies”, 2005. Still de vídeo, preto e branco, som, 4’30’’


António Olaio, “My left hand is changing I”, 2000. Óleo sobre tela. 90 x 160 cm


António Olaio, “Bambi is in Jail”, 1997. Still de vídeo

Outras exposições actuais:

COLECTIVA

1º CICLO EXPOSITIVO 2026


Museu Arpad Szenes - Vieira da Silva, Lisboa
CATARINA REAL

SUSANA PILAR

NOT ALONE


Galleria Continua (Paris - Marais), Paris
FILIPA BOSSUET

JOSÉ MAÇÃS DE CARVALHO

21 MINUTES POUR UNE IMAGE


CAPC - Círculo de Artes Plásticas - Sede, Coimbra
CONSTANÇA BABO

WILFRID ALMENDRA

HARVEST


Galeria Municipal de Arte de Almada, Almada
CARLA CARBONE

RITA MAGALHÃES

FACE A FACE – RITA MAGALHÃES E A NATUREZA-MORTA NA COLEÇÃO DO MNSR


Museu Nacional de Soares dos Reis, Porto
MARC LENOT

SUSANA ROCHA

LEAKING BODIES


Plato (Porto), Porto
SANDRA SILVA

ANDRÉ ROMÃO

INVERNO


Galeria Vera Cortês (Alvalade), Lisboa
MARIANA VARELA

PEDRO CASQUEIRO

DETOUR


MAAT, Lisboa
CARLA CARBONE

HUGO LEITE, ED FREITAS E THALES LUZ

EU SOU AQUELE QUE ESTÁ LONGE


Espaço MIRA, Porto
LEONOR GUERREIRO QUEIROZ

ANNE IMHOF

FUN IST EIN STAHLBAD


Museu de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto
MAFALDA TEIXEIRA

ARQUIVO:


ANTÓNIO OLAIO

Brrrrain




CULTURGEST
Edifício Sede da Caixa Geral de Depósitos, Rua Arco do Cego
1000-300 Lisboa

24 OUT - 23 DEZ 2009


A língua no Planeta Olaio é una e onomatopaica, dada a simultaneidade das suas dimensões sónicas, fonéticas, imagéticas e semânticas. Reveste-se de uma inventividade formal e expressiva que decorre da interdependência, programaticamente combinatória, entre performance, pintura, poesia, música e vídeo, suportes a partir do cruzamento dos quais protagoniza uma excêntrica revolução idiomática que ocorre ao nível do cérebro, o lugar arquétipo preferido de Olaio. Corporizado e arrastado “assim, com muitos erres”*, em deliberado artifício estilístico, “Brrrrain” esteve quase a ser um disco. Não se salvou, no entanto, de se tornar numa grande exposição, para visitar com muito tempo e com o corpo todo na Culturgest, em Lisboa.

Para além da figura de estilo importa ainda considerar o estilo da figura que nos é ritualmente apresentada no início da exposição em retratos fotográficos, videográficos e auto-retratos pictóricos. O pontapé de saída é cosmogónico e faz colidir Olaio consigo próprio: entre a sua exposição sistemática e a procura de uma invisibilidade; entre o ruído da acção do fazer performático e a condição omissiva de um corpo encontrado já feito; entre a aproximação a uma memória sensorial e o devir do pensamento conceptual de Duchamp; entre o herói e a sua antítese.

A exposição organiza-se, a partir daí, em grandes ou pequenos grupos de pinturas seriais que os vídeos, apostos em salas escuras contíguas, sintetizam em clips pop legendados, cantados e dançados por Olaio e com música composta por João Taborda, o seu compagnion de route. Se para a generalidade da sua fruição é imprescindível a utilização dos auscultadores facultados, existem quatro momentos em que essa contenção é subvertida de forma a contaminar todo o espaço expositivo. “Post-nuclear country” (1994); “Bambi is in jail” (1997); “Sit on my soul” (1999) e “Pictures are not movies” (2005) constituem, deliberadamente, o ruído antológico estrutural da maior e mais transversal exposição de Olaio depois das apresentações na Bienal da Maia (2001) e no Centro Cultural Vila Flor (2007). Comissariada por Miguel Wandschneider, esta exposição dignifica, em grande formato, os vídeos que anteriormente se disseram de qualidade doméstica; dignifica a leitura da pintura em relação aos primeiros; dignifica a performance enquanto instância fundadora no seu percurso e dignifica, finalmente, nas características e qualidade da montagem, o próprio processo criativo de Olaio.

Quantas estrelas coubessem neste Universo, todas lhe seriam prontamente oferecidas.



* António Olaio em entrevista de Victor Diniz a António Olaio, I think Differently Now that I Can Paint (cat. Exposição Centro Cultural Vila Flor, Guimarães, 2007)


Lígia Afonso