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COLECTIVATerceiro Ciclo de ExposiçõesCARPE DIEM ARTE E PESQUISA Rua do Século, 79 Bairro Alto 1200-433 Lisboa 11 DEZ - 06 MAR 2010 O terceiro programa de exposições patente no Carpe Diem – Arte e Pesquisa, até 20 de Fevereiro, vem confirmar a solidez e a pertinência de um projecto não comercial, alternativo e ambicioso. No Palácio Pombal (Rua do Século, Lisboa) podem ser usufruídas um conjunto de obras em diferentes media da autoria de sete artistas de nacionalidades distintas: Fernando Sánchez Castillo (Espanha), José Spaniol (Brasil), Mariana Viegas (Portugal), Rui Horta Pereira (Portugal), Joana da Conceição (Portugal), João Serra (Portugal), Liene Bosquê (Brasil) e Miguel Pacheco (Portugal). Lourenço Egreja, Paulo Reis e Rachel Korman, coordenadores do projecto, voltam a assumir o comissariado conjunto deste ciclo. Agrupar discursivamente as obras que se encontram dispersas pelo espaço numa temática comum e aglutinadora não tem sido um dos objectivos delineado pelo Carpe Diem – Arte e Pesquisa na estruturação do seu programa expositivo. No entanto, nas propostas agora apresentadas, e à semelhança das anteriores, predominam peças de natureza site-specific que, materializadas em diferentes suportes, privilegiam a relação com a impositiva arquitectura do palácio, bem como o recurso pontual a materiais disponíveis que são reutilizados (como acontece nas propostas de José Spaniol ou Rui Horta Pereira). A diversidade da proveniência geográfica dos artistas e uma preponderância de trabalhos que, de forma mais ou menos explícita, pressupõem reflexões contestatárias de ordem social e política, historicamente contextualizadas e perspectivadas, podem ser apontadas como tendências óbvias. A disponibilização de algumas salas num formato que se assemelha a residências artísticas é outros dos pontos fortes distintivos do projecto. As propostas assinadas por Joana da Conceição, João Serra, Liene Bosquê e Miguel Pacheco, vencedores de algumas das anteriores edições do Prémio Anteciparte, abordam a temática da arquitectura como espaço de representação e simbolismo e agregam uma das propensões que tende a ser enfatizada pela maioria dos artistas emergentes que desfrutam de experiências curriculares no estrangeiro: reflexões em torno da estranheza potenciada pela originalidade das especificidades geográficas e sociais com que se confrontam. As instalações de Joana da Conceição, dispersas pelo interior e exterior do edifício (remetendo para a land art), agregando desenho e escultura, aludem à Austrália, enquanto a proposta de João Serra, materializada numa instalação em torno da fotografia, remete para a sua passagem pela Rússia. Também Mariana Viegas apresenta um vídeo filmado no antigo jardim zoológico de Berlim Leste. Numa exposição que agrupa uma diversidade tão evidente de autores e propostas é inevitável que algumas assumam protagonismo sem que, no entanto, essa contestação coloque em causa a qualidade e pertinência da generalidade das obras que compõem este terceiro ciclo expositivo. Um dos desenhos de grandes dimensões que Miguel Pacheco instalou na monumental escadaria do palácio, a grande escultura em madeira com que Rui Horta Pereira nos recebe na primeira sala, as propostas de Joana da Conceição e, definitivamente, o fabuloso vídeo “Pegasus Dance”, coreografia para caminhões anti-motim de Fernando Sánchez Castillo, são estrelas maiores numa contestação que ilumina.
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