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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Filipa César e Marco Martins, Film still de “Insert”, 2010. Filme de 16 mm transferido para HD, aprox. 10’, preto e branco, s/ som


André Cepeda, “Sem título, Porto, do projecto Ontem”, 2007. Prova de impressão digital a jacto de tinta, 62 x 90 cm


Patrícia Almeida, Da série “All Beauty Must Die”, 2009. Impressão jacto de tinta sobre duratrans (Caixa de luz ), 84 x 105 cm

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ARQUIVO:


ANDRÉ CEPEDA, FILIPA CÉSAR E PATRÍCIA ALMEIDA

BES Photo 2009




MUSEU COLEÇÃO BERARDO
Praça do Império
1499-003 Lisboa

01 FEV - 04 ABR 2010


A 6ª edição do BES Photo inaugurou dia 1 de Fevereiro, no Museu Colecção Berardo, em Lisboa, numa parceria entre o Banco Espírito Santo e o Museu Colecção Berardo. Depois de uma selecção baseada no mérito provado em apresentações nacionais e internacionais, os artistas seleccionados expõem em conjunto os trabalhos que levaram à sua selecção bem como trabalhos inéditos comissariados para a exposição e que serão avaliados por um júri internacional. Os artistas tiveram total liberdade de acção para estes projectos.

Os três artistas a concurso foram nomeados pelo júri composto por Delfim Sardo, Miguel von Hafe Pérez e Nuno Crespo. O vencedor do mais prestigiado galardão nacional da área da fotografia e no valor de 25.000 euros (bolsa de produção) será anunciado dia 23 de Fevereiro por um júri internacional constituído por José Gil, filósofo, ensaísta e ficcionista (Portugal); Alberto Anaut, director de La Fábrica e presidente do PhotoEspaña (ambos em Espanha) e Marcel Feil, curador do FOAM Fotografiemuseum Amsterdam (Holanda).

Tal como nas edições anteriores, os artistas foram escolhidos pelas suas qualidades conceptuais e formais enquanto artistas, não especificamente enquanto fotógrafos. A fotografia contemporânea desafia as noções clássicas e mistura-se com outras artes visuais e performativas e as fronteiras mostram-se cada vez mais ténues.

Dois dos artistas seleccionados, André Cepeda e Patrícia Almeida, apresentam projectos que incluem um livro de artista, meio caro a artistas conceptuais, nas décadas de 60 e 70, especialmente nos Estados Unidos (de Ed Ruscha a Richard Long, as referências são inúmeras).

André Cepeda foi escolhido pelas exposições “Ontem”, na Galeria ZDB, em Lisboa e “River”, na Galeria Pedro Cera, também em Lisboa. O projecto “Ontem” articula-se em dois media diferentes (à semelhança do projecto vencedor em 2006, da autoria de Daniel Blaufuks): as impressões expostas nas paredes e o livro de artista, a ser publicado pela editora belga Le caillou blue editions, este ano com uma exposição na Contretype, em Bruxelas. O livro conta com 54 imagens, um texto de um dos júris de selecção, Miguel von Hafe Pérez e uma entrevista por Jean-Louis Godefroid.

Cepeda foi seleccionado pelo júri de selecção pela “consistência de apresentação de dois projectos que retratam realidades e contextos sociais que denotam um amadurecimento notável das formas expressivas do autor”. Dos três artistas seleccionados, Cepeda é o que tem a linguagem mais fotográfica, no seu sentido formal mas também conceptual se nos focarmos na exploração do meio enquanto busca incessante de respostas. As paisagens anónimas remetem-nos para a questão de “não-lugar” (Marc Augé), para a busca de uma identidade cultural e social.

O trabalho inédito apresentado por Cepeda usa filme e fotografia em série. O trabalho é uma continuação de “Ontem” (2009), que levou à sua nomeação. O método de Cepeda é claramente documental e implica uma envolvência absoluta com os retratados: “durante esse processo de construção do “Ontem” que durou quatro anos, coloquei um anúncio no Jornal de Notícias em que o objectivo era fazer retratos e conhecer um outro lado da cidade que não tinha acesso (…) foi assim que conheci o casal do filme, que é a peça central da exposição (...) a história é um amor ultimo, trágico... a ideia da exposição é essa, e do filme que tem quatro planos do casal e que está nu agarrado um ao outro.”

Sem qualquer texto explicativo, por opção do artista, as imagens - um qualquer bonsai com duas raízes que se unem algures no percurso, duas tomadas eléctricas numa parede, dois pássaros numa gaiola, duas colunas de som juntas, escolhidas por acaso ou não, reforçam as ideias de união e cumplicidade dos dois corpos do filme.


Patrícia Almeida foi seleccionada pela exposição “Portobello” (exposição e edição de livro de autor), apresentada na Galeria ZDB, em Lisboa, e no âmbito do Art Allgarve 2009. Portobello é um projecto fotográfico realizado em várias visitas ao Algarve entre 2006 e 2007. Partindo de uma abordagem documental da fotografia, e, à primeira vista, numa atitude não muto diferente de Cepeda, Almeida re-interpreta o documental e fala de uma realidade local com muitos níveis de interpretação: um lugar que assiste a diversos fenómenos turísticos, habitacionais, ao fenómeno da identidade e mesmo ao fenómeno da apropriação do lugar por turistas. Segundo Almeida, “Portobello” explora o fenómeno do turismo de verão e o imaginário iconográfico a ele associado, cuja promoção institucional baseada em técnicas de marketing aborda a ideia de território em termos de “lugar-marca”. Com a escolha do título, um lugar fictício e parcialmente ficcionado, a artista adquire o papel de storyteller, acrescentando valor ao documental. E é neste ponto que deixa de ser “apenas” fotógrafa para ser artista.

Patrícia Almeida apresenta “All Beauty Must Die”, constituído por uma série de fotografias, um vídeo e textos de poetas ingleses românticos. Imagens captadas em festivais de música realizados no verão em Paredes de Coura e na Ilha do Ermal. O título do trabalho, retirado de Ode on Melancholy (1819) do poeta britânico John Keats, fala da inegável fragilidade da condição humana face às ideias de comunidade, de natureza, de joie de vivre de uma juventude inevitavelmente finita. Os detalhes são escolhidos com um cuidado de estudo antropológico: uma toalha colorida algures num ribeiro impõe o mote “Days, Peace, Music”.


Filipa César foi escolhida pelos projectos “Le Passeur”, na Fundação Ellipse, em Lisboa, “Rapport/ Raccord”, na Galeria Distrito Cuatro, em Madrid e “The Four Chambered Heart” na Galeria Cristina Guerra, em Lisboa.

“Le passeur” é um documentário com características fílmicas. Este trabalho está repleto de significados e referências e é isso que o torna tão rico: O passeur que possibilita a passagem de alguém ou de algo através de uma zona interdita, numa infracção do estatuto da propriedade; a topografia de transgressões e de clandestinidade que, não sendo meramente territorial; a fronteira enquanto não só uma delimitação mas também a possibilidade da sua subversão; o rio, imagem tradicional da fluidez e da transição (historicamente a “naturalização” da fronteira pela sua associação ao rio tende a ocultar que aquela é, fundamentalmente, uma construção humana e um facto cultural); a subversão da fronteira natural por uma condição de devir de que o próprio rio constitui uma metáfora privilegiada (o rio é, também, um lugar arquétipo do esquecimento). A instalação de Filipa César, está assim presente na relação entre o documental e o ficcional. Por um lado, a apresentação dos relatos, quase sempre feita através da reacção de cada um dos passadores aos depoimentos recolhidos, tende a objectivar experiências subjectivas, ao mesmo tempo que acentua a mediatização da reconstrução da memória. Por outro lado, a ficcionalização fílmica da passagem do rio confere um carácter subjectivo à aparente objectividade do percurso entre dois lugares, sinalizando, nesse mesmo movimento, a ligação entre a experiência real e a cinematográfica.

Abro aqui um parêntesis para notar que os três artistas falam da noção de lugar, de diversos modos é certo, mas sempre a questão do lugar e de quem o habita (mesmo que pela ausência). Em “The Four Chambered Heart”, César apresenta uma instalação complexa de vídeos e séries de fotografias, um projecto que começou num programa de artista em residência no Israeli Center for Digital Art in Holon. “Raccord / Rappord” fala-nos da cidade (neste caso, Berlim) como processo virtiginoso de reconstrução e da proliferação de espaços bourgeois. “Rapport” é um vídeo baseado num seminário de Programação Neuro-Linguística (PNL) que, de um modo simplista, explora meios de comunicação pela palavra e sua relação com o cérebro.

“Castro Marim, um lugar de degredo” é o título do novo trabalho apresentado por Filipa César, constituído por dois filmes e uma série de fotografias do processo de censura do filme As Lágrimas Amargas de Petra von Kant (1972), do realizador alemão Rainer Werner Fassbinder. Para um filme entrevistou várias pessoas em Castro Marim, e noutro é descrita a história e memória deste lugar no contexto português, apresentado “como um mapa, uma textura de memórias”. Num processo demorado, documental, expõe as questões do ostracismo e da deportação ligadas à memória e ao espaço.

Helena Almeida foi a vencedora da 1ª edição, em 2004, José Luís Neto venceu em 2005, Daniel Blaufuks em 2006, Miguel Soares em 2007 e Edgar Martins em 2008. Não sei quem ganhará esta edição mas sei que gostava de ver artistas mais novos e menos conhecidos na próxima edição.



Luísa Santos