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FERNANDO BRITOIch bin ein BaixinherFIDELIDADE ARTE Largo do Chiado, 8 1249-125 Lisboa 29 JAN - 26 MAR 2010 “Ich bin ein Baixinher†cita “Ich bin ein Berlinerâ€, frase proferida por J. F. Kennedy em 1963, na qual o mesmo se declara, simultaneamente, uma bola de Berlim (na tradução inglesa) e um cidadão berlinense. O Baixinho, em Santarém, é o lugar de uma reclusão intelectual auto-imposta e substitui-se a Berlim na retórica fracassada da Guerra Fria e da modernidade. A paródia, materializada em ruÃdo e excesso e tida como o lugar-comum afecto aos projectos colectivos em que Fernando Brito actua ou actuou, nomeadamente em Homeostética (1982-1987), Ases da Paleta (1989) ou Orgasmo Carlos (desde 2003), permanece central, embora profundamente higienizada, no seu trabalho individual raramente apresentado. De uma economia minimal, “Ich bin ein Baixinher†desenvolve-se em torno de quatro peças fundamentais, das quais três escultóricas e uma textual, a última formalizada numa inusitada entrevista de Bruno Marchand, curador da exposição, que traduz e ilumina em catálogo, para além dos objectos, o pensamento plástico, o conhecimento crÃtico e a investigação permanente de Fernando Brito. A peça, uma obra literária de maturidade reflexiva invulgar, é sintomática de uma acurada consciência da validade da criação, da situação e do lugar do criador e explicativa, por via do desprezo pelos anteriores, de uma auto-determinada inadaptação sistémica. Fernando Brito não só não expõe regularmente desde 1993, com excepção para os trabalhos apresentados na Galeria Presença em 2007, como também as novas peças agora apresentadas recuam a 1999 e 2001. Foi nesse olhar para trás, direccionado para o estudo da teoria da Arte Moderna, que Fernando Brito investiu os últimos quinze anos da sua própria história. A exposição revela-se como consequência de uma arqueologia recente das gavetas do Baixinho, e os três projectos escultóricos foram seleccionados de um conjunto de vários nunca produzidos, finalmente viabilizados pela estrutura financeira da actual instituição de acolhimento. Todos os projectos apresentados se subordinam a “Confidential Reportâ€, uma das três categorias definidas por Fernando Brito na estruturação do seu trabalho fundamentalmente eclético, citação de Orson Welles que dá nome “ao trabalho de um fabricante de paródias de objectos canónicos da chamada Vanguarda Histórica†e que titulou a exposição de 2007 na Galeria Presença. “Home Sweet Home†e “Magic Town†constituem as outras duas categorias que consideram, respectivamente, a criação de uma banda desenhada autobiográfica e um conjunto de anotações para uma cidade ideal. O urbanismo, a arquitectura e o design são três eixos fundamentais da pesquisa e motivações de Fernando Brito. A primeira obra apresentada é “EdifÃcio moderno paradigmático, à escala 1/25, construÃdo em espelhoâ€, uma maqueta suspensa junto e na direcção da qual se encontra colocada uma cadeira que remete para a cadeira Barcelona, de Mies Van der Rohe, na circunstância de não apresentar braços, na qual o espectador é convidado a sentar-se, reflectindo-se no edifÃcio fantasmático; a segunda é “Modelo orográfico do território português, à escala 1 /625000, sujeito à s condições luminosas do dia 25 de Abril de 1974, à s 8h00â€, uma peça de chão e de látex; e a terceira é “Modelo do Titanic publicado pela editora Taschen, ampliado para a escala 1/50, a navegar no tectoâ€, construÃdo a partir do livro “The complete Guide to building the Titanic†e o resultado invertido e suspenso. Três maquetas que monumentalizam falhanços assinaláveis do projecto cultural, polÃtico e social da nossa modernidade. Não obstante o desaparecimento da marca autoral redunde numa marca efectiva do trabalho de Fernando Brito, os seus primeiros trabalhos, cuja maioria terá sido voluntariamente destruÃda, assinalavam já um imaginário e um programa repleto de fragmentos de arquitecturas modernistas ou engenharias épicas. É da sua sistematização teórica subversiva, mais do que um questionamento irresponsável, que o seu trabalho, afinal, sempre tratou. Jorge do Ó (cat. Homeoestética, Serralves, 2004) refere, como exemplo, que “foi o Brito quem fixou o vocabulário da arquitectura homeoestética, em cuja paisagem se deviam suceder planos habitados por arcos triunfais, pontes suspensas, obeliscos, pirâmides evocativas, estádios olÃmpicos e faróis na noite escuraâ€. Pensar ilumina.
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