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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Robert Longo, “Sem título (Beast)â€, 2007. Carvão e mina de grafite sobre papel. Cortesia do artista


Robert Longo, “Sem título (Last Moon)â€, 2007. Carvão e mina de grafite sobre papel. Colecção privada, cortesia Galeria Soledad Lorenzo, Madrid


Robert Longo, “Sem título (3 Erics)â€, 1980-2000. Carvão e mina de grafite sobre papel. Colecção Emilio Mazzoli, Modène


Robert Longo, “Sem título (Nagasaki,B)â€, 2003. Carvão sobre papel maroufé. Colecção Siegfried Weishaupt


Robert Longo, “Sem título (Mac II)â€, 1994. Mina de grafite e carvão sobre papel. Colecção Siegfried Weishaupt

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ARQUIVO:


ROBERT LONGO

Robert Longo, Uma Retrospectiva




MUSEU COLEÇÃO BERARDO
Praça do Império
1499-003 Lisboa

15 FEV - 25 ABR 2010


Robert Longo nasceu em 1953, em Brooklyn, Estados Unidos e realiza exposições individuais e de grupo desde 1976. Em 1990 aventura-se por territórios cinematográficos com o filme “Johnny Mnemonic†e dificilmente faria o tipo de arte que faz se tivesse nascido noutro país. Robert Longo é provocador e irónico de uma forma directa como só os artistas americanos conseguem ser.

Ao entrarmos na zona da exposição patente no Museu Berardo, somos imediatamente presenteados com o que são provavelmente, as suas melhores obras aqui expostas: um tríptico da série “Men in the Citiesâ€, “Sem título (3 Erics)â€, 1980/2000, o tubarão “Sem título (Shark 14)â€, 2008 e “Sem título (Cathedral of Light)â€, 2009. Ficamos logo extasiados perante o poder impactante e até intimidante de tais trabalhos. Mas a retrospectiva é anunciada logo à entrada do Museu Berardo com a obra “Death Starâ€, 1993, uma bola dourada construída a partir de balas, suspensa de uma cruz de traves, que anuncia e promete o impacte da retrospectiva.

Longo é um artista muito gráfico que facilmente imaginamos como ilustrador de comics da Marvel. Tem aliás uma série chamada “Superheroesâ€, 1998, que versa precisamente esse assunto. Podemos ver também esta vertente gráfica em “Men in the Citiesâ€, que é a sua série de obras mais conhecida e também uma das mais brilhantes. Homens e mulheres em posições que nos parecem absurdas como se estivessem a sofrer espasmos. Para os desenhar, Longo recrutava amigos e atirava-lhes bolas de ténis, e no preciso momento em que eles se desviavam, tirava uma foto que servia de base ao seu desenho. O resultado é uma lição de movimento e dinâmica.

A série “Bodyhammersâ€, 1993, da qual podemos ver aqui cinco obras, também é um bom exemplo deste seu lado gráfico e ameaçador, mas que nos vai directamente às entranhas pelo impacte que causam estas armas enormes com o cano directamente apontado ao visitante.

“Untitled (Black Chamber)â€, da série “Mysteriesâ€, 2009, é um paralelepípedo com 3 metros de altura, todo negro que reflecte quer as outras obras expostas na sala quer o próprio visitante. É uma obra que nos traz à memória o monólito de 2001, Odisseia no Espaço de Stanley Kubrick. Uma espécie de recipiente de um qualquer saber universal que nos esmaga.

Parece haver da sua parte uma recusa em individualizar as suas obras, não lhes dando um título claro, antes chamando-lhes “sem título†e pondo um segundo título entre parêntesis. As séries têm títulos mas muitas das obras não, como se fossem capítulos de um mesmo livro, que não é necessário nomear.

A obra “Oil and Rosesâ€, 2003, consiste num quadrado negro cheio de pétalas de rosa com um líquido, que neste caso é água tingida, mas que é suposto ser óleo de motor. Um quadrado negro com rosas e água negra não tem qualquer impacte , mas se tivesse o óleo de motor teria com certeza, devido ao cheiro que este produto exala. Aí teríamos uma obra constrastante entre o cheiro a rosas e o cheiro a óleo de motor, algo que é suposto ser belo, e um material poluente, mas que nos é por enquanto essencial. A não utilização do óleo prende-se com o facto de ser proibida a utilização de certos materiais (neste caso inflamáveis) em espaços públicos, mas seria então preferível Longo não permitir a exposição desvirtuada desta peça, até porque esta explicação não é facultada ao visitante. Longo tem, aliás, a atitude de um jovem artista que não faz um trabalho aprofundado de escolha das suas obras maiores e que merecem efectivamente ser expostas. Os desenhos hiper-realistas só funcionam (quando funcionam) porque são impactantes devido à sua grande escala. Em pequeno formato, não passam de desenhos académicos que revelam virtuosismo técnico mas ausência de qualquer inspiração. Nesta retrospectiva, temos uma sala inteira só com estes pequenos desenhos que nos causam antipatia e poluem o resto das suas obras.

Fica uma certa mágoa pela ausência de peças poderosas e mais antigas como “The Fallâ€, 1979; “Black Flag: When the Hurlyburly’s Done, Wiiliam Shakespeareâ€, 1990; “Triptych: Boys Slow Danceâ€, 1978 ou “Black Planet (For A. Z.)â€, 1988. Uma retrospectiva não pode conter, naturalmente, todos os trabalhos de um artista, mas é pena sentir que Robert Longo já não tem nas suas obras mais recentes, salvo as excepções acima mencionadas, o mesmo vigor que tinha anteriormente.

Bárbara Valentina