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EXPOSIÇÕES ATUAIS


João Penalva, série “Looking up in Osaka, 2005-2006. Vista da exposição.


João Penalva, série “Looking up in Osaka, 2005-2006. Vista da exposição.


João Penalva, série “Looking up in Osaka, 2005-2006


João Penalva, série “Looking up in Osaka, 2005-2006

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ARQUIVO:


JOÃO PENALVA

João Penalva




GALERIA FILOMENA SOARES
Rua da Manutenção, 80
1900-321 Lisboa

11 MAI - 16 JUN 2006

De novo o Japão

O trabalho artístico de João Penalva sempre se revelou atento aos cruzamentos entre texto e imagem, visão e linguagem. As narrativas desse modo subtilmente sugeridas, envolvendo uma estreita ligação entre o cuidado formalista e uma muito particular dimensão conceptual, têm promovido uma das obras mais singulares do panorama artístico português contemporâneo.

Na Galeria Filomena Soares, João Penalva apresenta agora duas séries distintas que confirmam o apelo pluridisciplinar do seu universo criativo. Na primeira sala, numa montagem de rigor e equilíbrio, é apresentado um conjunto de fotografias de grande escala que povoam a verticalidade das enormes paredes desse espaço expositivo. “Olhando para Cima em Osaka”, remete-nos para uma leitura poética sobre o encontro simultaneamente formal e informe que nos é dado pelo intrincado dos cabos de electricidade que invariavelmente se acumulam no topo dos postes de Osaka, mas que podiam muito bem ser de qualquer outra cidade nipónica. O Japão é, aliás, uma referência recorrente no imaginário deste artista, que já noutras ocasiões desenvolveu projectos no país do sol nascente, nomeadamente em 1997, em Hiroshima.

Desta vez, recorrendo a filtros de cor que exploram o contraste gráfico próprio dessas imagens, João Penalva olhou para cima e captou a linearidade orgânica desses cabos que parecem desenvolver uma bizarra dimensão abstracta de algo que é hoje essencial à comunicação entre os seres humanos. Essa acumulação de cabos de linhas telefónicas ou de electricidade não obedece no Japão a qualquer programa planeado, antes evolui ao sabor circunstancial das necessidades entretanto reveladas. Assim, a omnipresença visual desses postes confirma uma espécie de metáfora sobre a paradoxal (in)comunicabilidade e isolamento crescentes da idade contemporânea. Por outro lado, a condição destas imagens fotográficas remete-nos sobretudo para uma dimensão puramente estética e visual, de qualidade eminentemente pictórica, sublinhada ainda pela extraordinária dimensão do seu formato, bem como pelo seu aparato de apresentação em série, de que a presente exposição constitui apenas uma pequena amostra, num universo de 300 trabalhos elaborados em torno do mesmo tema.

Por contraste, na segunda sala, somos confrontados com a dimensão processual mais comum em João Penalva, ou seja, o pequeno formato de trabalhos compostos por texto e imagem. Esta segunda série, intitulada “Kaki” e constituída por um conjunto de polípticos de distintas dimensões, mostra-nos, em tons suaves e texturados, diversas imagens de flores e objectos a elas associados, como jarras ou vasos. Estas imagens são acompanhadas de elementos narrativos e biográficos de algumas das pessoas que se dedicam à cultura floral japonesa do Ikebana. Entre as técnicas dessa arte e a elaboração de pequenas histórias que emprestam a estes trabalhos uma subtil mas pregnante espiritualidade, João Penalva evoca, uma vez mais, alguns aspectos particulares desse modo de existir há muito enraizado na civilização japonesa.


David Santos