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EXPOSIÇÕES ATUAIS


“Gabriel Orozcoâ€, exposição no Centro Pompidou. 15 Setembro 2010 – 3 Janeiro 2011.© Centre Pompidou, P. Migeat


“Gabriel Orozcoâ€, exposição no Centro Pompidou. 15 Setembro 2010 – 3 Janeiro 2011.© Centre Pompidou, P. Migeat


“Gabriel Orozcoâ€, exposição no Centro Pompidou. 15 Setembro 2010 – 3 Janeiro 2011.© Centre Pompidou, P. Migeat


“Gabriel Orozcoâ€, exposição no Centro Pompidou. 15 Setembro 2010 – 3 Janeiro 2011.© Centre Pompidou, P. Migeat


“Gabriel Orozcoâ€, exposição no Centro Pompidou. 15 Setembro 2010 – 3 Janeiro 2011.© Centre Pompidou, P. Migeat


“Gabriel Orozcoâ€, exposição no Centro Pompidou. 15 Setembro 2010 – 3 Janeiro 2011.© Centre Pompidou, P. Migeat


“Gabriel Orozcoâ€, exposição no Centro Pompidou. 15 Setembro 2010 – 3 Janeiro 2011.© Centre Pompidou, P. Migeat

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ARQUIVO:


GABRIEL OROZCO

Centre Pompidou




CENTRE POMPIDOU
Place Georges Pompidou
75191 Paris

15 SET - 03 JAN 2011


Poder de síntese. É a primeira impressão que assola quem entra, expectante, na Galeria Sul do Centre Pompidou, deixada como open space, aberta aos olhares curiosos que a espreitam da rua, mas não se dignam entrar (e pagar 12 euros) para ver “Gabriel Orozcoâ€, a exposição mais aguardada da rentrée parisiense. Doze anos depois de “Clinton is Innocentâ€, exposição apresentada no Museu de Arte Moderna de Paris; “Gabriel Orozcoâ€, mostra comissariada por Christine Macel, inaugurou dia 15 de Setembro e pode ser vista até 3 de Janeiro do próximo ano.

Ao entrar, enquanto se decide a melhor trajectória, ouve-se um alarme. Mais minuto menos minuto, o estranho som torna a fazer-se ouvir. Com a ajuda do alerta terrorista em Paris, o público dá por si a olhar em seu redor com alguma desconfiança, uma, duas, três vezes, à procura da origem do sobressalto sonoro que, inconstante, se vai repetindo na galeria.

De repente, surge um homem fardado com um uniforme ímpar. Nas suas costas pode-se ler: “POLICIA ORIGINALâ€. Atrás dele, com passos largos, vem a sua presumível colega, que, em poucos segundos, se aproxima e adverte o visitante que, tendo dado um passo a mais em direcção a uma mesa sobrelotada de pequenos objectos, accionou o sensor que deu origem ao misterioso som (que tanto se fez ouvir num tão curto intervalo de tempo). Este casal de “polícias originais†mexicanos constituem a obra viva desta retrospectiva. “Imported Guards†é uma performance contínua levada a cabo por dois franceses vestidos a rigor, com uma farda que declaradamente evoca a dos agentes da polícia mexicana. No fundo, este casal tem uma função lúdico-prática: são seguranças e assistentes de galeria. São o equivalente aos menos fardados mas não menos bem formados assistentes de galeria (ex-Ask Me) do Museu Colecção Berardo, (ex-Centro de Exposições Temporárias do CCB), em Lisboa.

A parede à esquerda apresenta oito impressões fotográficas do início da década de 1990. A imagem inaugural é a sobejamente conhecida e emblemática, “My Hands Are My Heartâ€, de 1991, que, de forma poética, tenta apreender a ideia de vida ou daquilo que é primordial, através de duas mãos que moldam um coração - num gesto único – encaixando e retirando os dedos de um pedaço de barro.

Segue-se, entre outras, “Pinched Ballâ€, “Cats and Watermelonsâ€, “Crazy Tourist†e “From Roof to Roofâ€. Imagens ambíguas e, sem dúvida, com um forte cunho performático e escultórico, que captam momentos, na sua maioria, ficcionados. São deslocações. Desarticulações que criam novas (des)ordens na paisagem.

Mais à frente, abre-se espaço para um pequeno conjunto de desenhos, colagens e intervenções sobre recortes ou outros materiais, onde se situa “5000 Dongâ€, “Atomist: Making Strides†e Fertile Structure†e “Solar Graphiteâ€, que introduzem as duas pinturas (solitárias) da exposição: “Samurai Tree (Invariant 1W)†e “Kytes Treeâ€. Estas, são na realidade dois pequenos teasers, seleccionados de uma série infindável, onde Orozco trabalha a relação entre a pintura e a escultura, entre o bidimensional e a possibilidade de movimento, com um sistema de círculos de diferentes dimensões, que tem início num centro sustentador do exercício de circulação e que se vai desenvolvendo através de horizontais e verticais, como se de um mobile se tratasse.

No chão, encontra-se um conjunto de quase duas dezenas de peças tridimensionais, que abarcam vinte anos de produção. Evidencia-se “Four Bicycles (There Is Always One Direction)â€, numa relação estreita, não só com as (duas) pinturas que se podem ver na parede posterior, mas também com peças que a ladeiam, como “Moon Tree†ou “Dent de Lionâ€. Neste corredor escultórico, destaca-se ainda a famosa “Yelding Stone†de plasticina e a “Empty Shoe Boxâ€, que continua a ser literalmente uma empty shoe box, apesar de todas as leituras e cruzamentos permissíveis (desde a referência lúdica ao minimalismo ou ao ready-made até à frágil crítica ao sistema artístico), esta caixa de sapatos de cartão vazia, que já foi pontapeada na Bienal de Veneza, continua a ser deliberadamente exposta no chão ou num canto, para terror dos conservadores dos museus (1).

Antes de se virar costas a este desfile de peças, contorna-se “La DSâ€(1993), o Citroen DS costumizado por Orozco, de forma a criar uma sensação de alongamento e, consequentemente, de velocidade. O automóvel convertido ainda causa sensação, e não é por acaso que foi a peça seleccionada para imagem da exposição, demonstrando a vontade da organização de apelar ao mainstream.

O último corredor desta galeria aberta é delineado por três mesas: as duas primeiras apresentam um conjunto de objectos, que inclui “Horses Running Endlesslyâ€, um tabuleiro de Xadrez ampliado cujas peças são unicamente cavalos (que se movimentam em L, segundo dita a regra), criando, através da repetição, um sistema que evoca distintamente o movimento presente nas pinturas de Orozco; “Black Kitesâ€, a caveira intervencionada com grafite durante um período de doença; o coração de “My Hands Are My Heartâ€; “Shoesâ€, dois sapatos colados pela sola (evocando a viagem ou a deslocação, ideias muito apreciadas por Orozco) e “French Fliesâ€, um jogo de palavras crocante, materializado de forma crua: insectos de diferentes tamanhos, embutidos, depois de ter sido espalmados entre um pedaço de barro e uma parede ou, possivelmente, uma mesa.

A última, é uma “Working Tableâ€, onde são exibidos uma série de objectos e maquetes, numa acrochage que se presume representar o labirinto criativo de Orozco. Esta mesa de trabalho pretende mostrar, de forma não inédita, uma espécie de mini-atelier ficcionado onde se repetem, em dimensões reduzidas alguns protótipos ou projectos das obras patentes na exposição. Uma espécie de resumo da mostra: um pequeno museu portátil ou uma boîte-en-valise precária.

Chamaram a esta exposição “Gabriel Orozcoâ€. Fala-se dela como uma retrospectiva. Eu chamar-lhe-ia um “Best ofâ€. Bom, atestado de hits, mas sem direito a extras.



Nota
(1) Ler Bois, Yve-Alain (coord.); “Gabriel Orozcoâ€. In: OCTOBER Files 9, 2009, MIT.


Patrícia Trindade