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COLECTIVACeci n’est pas une rétrospectivePADARIA INDEPENDENTE R. Adolfo Casais Monteiro Porto 18 SET - 20 NOV 2010 Fernando José Pereira + Miguel Palma + Miguel Soares + André Sousa + Carla Filipe + Eduardo Matos + José Almeida Pereira + Mafalda Santos + Manuel Santos Maia + Mauro Cerqueira + Nuno Ramalho c/ Eric Reyes-Lamothe + Susana Chiocca. A exposição “Ceci n’est pas une rétrospective” acontece encerrando um ciclo com 10 anos de exposições, de regularidade bimestral, nos espaços In.Transit e W.C. Container, ambos da responsabilidade do artista plástico Paulo Mendes, e que marcou indelevelmente a actividade artística na cidade do Porto. Estes dois espaços tornaram-se num referente para espaços independentes geridos por artistas que posteriormente vieram a constituir-se, onde, através de uma partilha de experiências expositivas e trocas de informação, criaram um verdadeiro circuito paralelo de exibição de trabalhos artísticos nesta cidade. Note-se que durante uma década o W.C. Container e o In.Transit acolheram mais de sessenta exposições privilegiando criações de artistas portugueses que iniciaram o seu percurso artístico no início dos anos 90, chegando mesmo a operar-se, pontualmente, um resgate ao esquecimento de artistas que estiveram bastante activos no advento de um pós-situacionismo que nos findos dos anos setenta e na primeira metade dos anos oitenta, em Portugal, teve alguma presença. Mas que por manterem uma atitude de constante questionamento e de ruptura em relação às instituições, ao academismo (muitos deste artistas entraram em conflito com a sua universidade e não terminariam os seus cursos), com o mercado e mesmo com artistas de geração superior – foram sonegados e esquecidos naquela facilidade em que se mete no mesmo alforje: trabalhos artísticos com conteúdo político e formas de luta político-ideológicas. Esses artistas renegados foram tidos como adeptos de uma remissão ao período revolucionário onde vários anacronismos e incongruências faziam passar utopias a entropias muito facilmente. Outros artistas souberam distanciar-se, e optaram por uma actividade artística em consonância e na ressonância de padrões que o exterior debitava e reconhecia. São disso exemplo os artistas do grupo Arquipélago tendo sido esse o excerto que pegou, para usar aqui uma analogia da cultura agrícola. “Ceci n’est pas une rétrospective”, como o título indica, não é uma síntese nem uma exumação de obras que passaram pelos espaços W.C. Container e In.Transit. O que é aqui proposto é a invocação de um contexto (ainda activo mas em menor número) que marcou a cena artística na cidade do Porto e do qual os projectos W.C. Container e In.Transit, mais do que meros coabitantes, foram, como já foi aqui dito, projectos de grande relevo. Os 10 anos destes dois projectos, de 1999 a 2009, formam um período em que um variado número de exposições tiveram lugar em diversos espaços independentes gerido por artistas. E foi intuito desta exposição juntar um leque de artistas cujo denominador comum é terem sido responsáveis pela programação de alguns desses espaços independentes da cidade do Porto. E o resultado desta exposição está em uniformidade com o que parece ter ocorrido quase sempre com as exposições colectivas nos espaços independentes até à data, ou seja, uma inaptidão de realizar uma exposição coesa que não seja uma espécie de display mostruário das capacidades de cada um. A existência de uma pluralidade de suportes e formas artísticas anunciadoras da individualidade dos artistas, isso, é de certa maneira expectável numa exposição colectiva. E realmente só mesmo um ponto de vista histórico é que acha necessária a diligência de aproximar o congénere do congénito, isto é, de juntar o semelhante que se gerou ao mesmo tempo. Porém não é ilegítimo esperar que uma reunião de trabalhos e artistas numa mesma exposição seja capaz de transmitir uma experiência global valorativa e que essa experiência não seja, evidentemente, pedir um exercício de isolamento de cada uma das obras face ao todo. E parece-me que na exposição “Ceci n’est pas une rétrospective” não existe outra possibilidade que não seja empreender, sempre, esse exercício de destacamento. Não acho que seja um problema apenas imputável à montagem. É o conjunto de trabalhos que é tão heterogéneo que não permite correlações. Cada trabalho é uma ilha. Não farei aqui nenhum exercício de destacamento. Direi apenas que na exposição “Ceci n’est pas une rétrospective” existem bons trabalhos mas têm de ser subtraídos no espaço expositivo à vizinhança das restantes obras. E por esse motivo não é de estranhar que se saia com a sensação que se viu um acervo e não uma exposição. Termino dizendo que um arquipélago é um conjunto de ilhas, mas, pouco distantes umas das outras.
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