Links

EXPOSIÇÕES ATUAIS


Akram Zaatari, Learning photography, 1982-2009.


Akram Zaatari, This Day, 2007. Registo áudio. Basf cassette. Cortesia do artista.


Akram Zaatari, fotografia da série Desert Panorama, 2009. Cortesia do artista e da galeria Sfeir-Semler.


Akram Zaatari, fotografia da série Desert Panorama, 2009. Cortesia do artista e da galeria Sfeir-Semler.


Akram Zaatari, Saida, June 6, 1982, 2003-2006. Vídeo, 1’ 45’’. Cortesia do artista e da galeria Sfeir-Semler.


Akram Zaatari, Learning photography, 1982-2009.


Akram Zaatari, Learning photography, 1982-2009.


Akram Zaatari, Learning photography, 1982-2009.


Akram Zaatari, Learning photography, 1982-2009.

Outras exposições actuais:

COLECTIVA

1º CICLO EXPOSITIVO 2026


Museu Arpad Szenes - Vieira da Silva, Lisboa
CATARINA REAL

SUSANA PILAR

NOT ALONE


Galleria Continua (Paris - Marais), Paris
FILIPA BOSSUET

JOSÉ MAÇÃS DE CARVALHO

21 MINUTES POUR UNE IMAGE


CAPC - Círculo de Artes Plásticas - Sede, Coimbra
CONSTANÇA BABO

WILFRID ALMENDRA

HARVEST


Galeria Municipal de Arte de Almada, Almada
CARLA CARBONE

RITA MAGALHÃES

FACE A FACE – RITA MAGALHÃES E A NATUREZA-MORTA NA COLEÇÃO DO MNSR


Museu Nacional de Soares dos Reis, Porto
MARC LENOT

SUSANA ROCHA

LEAKING BODIES


Plato (Porto), Porto
SANDRA SILVA

ANDRÉ ROMÃO

INVERNO


Galeria Vera Cortês (Alvalade), Lisboa
MARIANA VARELA

PEDRO CASQUEIRO

DETOUR


MAAT, Lisboa
CARLA CARBONE

HUGO LEITE, ED FREITAS E THALES LUZ

EU SOU AQUELE QUE ESTÃ LONGE


Espaço MIRA, Porto
LEONOR GUERREIRO QUEIROZ

ANNE IMHOF

FUN IST EIN STAHLBAD


Museu de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto
MAFALDA TEIXEIRA

ARQUIVO:


AKRAM ZAATARI

This Day




MODERNA GALERIJA
TomÅ¡ičeva 14
1000 Ljubljana

01 MAR - 10 ABR 2011


No momento em que estamos a assistir a mudanças radicais nas sociedades do Norte de Ãfrica, com extensão ao Médio Oriente e com possíveis repercussões em outras partes do mundo, a Mala galerija, em Liubliana, apresenta o projecto do artista libanês Akram Zaatari, intitulado This Day.

Sem esquecer o passado, desde os anos cinquenta do século XX, o projecto de Akram Zaatari trata de equacionar o presente, tendo por horizonte um futuro imprevisível e em perfeita sintonia com as incertezas da própria situação política no Líbano, que assistiu a uma revolução recente, nomeadamente em 2005, pouco antes da última invasão israelita em Junho de 2006.

Akram Zaatari é um artista, realizador e curador baseado em Beirute. Foi um dos fundadores da Arab Image Foundation, juntamente com Walid Raad, entre outros, uma instituição muito dinâmica, dedicada à preservação e à disseminação das imagens do Médio Oriente e com sede em Beirute, uma das mais vibrantes capitais artísticas da actualidade.

This Day é um ongoing research project onde o artista procura investigar os mais variados documentos que testemunham a actual situação cultural e política do Líbano. A curadora convidada Galit Eilat (de Israel), uma passageira frequente no voo de Tel Aviv com destino a Liubliana, fala de uma aproximação aos métodos arqueológicos na maneira como o artista revela as camadas íntimas da História, contidas nas experiências do quotidiano de um território sujeito a constantes invasões e retiradas militares.

A instalação ocupa uma sala inteira no espaço adjacente da Moderna galerija, a principal instituição eslovena dedicada à arte contemporânea e a projectos de natureza mais experimental. Este espaço, que fica numa das avenidas que atravessam o centro da cidade, rodeado por lojas, algumas delas ainda do regime socialista, é discreto e à passagem nem sempre se percebe que é um espaço de arte.

O projecto de Akram Zaatari divide-se em várias partes ou capítulos, já que as últimas revoluções que atravessam o mundo árabe devolveram a primazia às palavras. As imagens, sendo poucas e não representativas da realidade em transformação súbita, ficaram para trás, acabando com os regimes autocráticos. À semelhança dos acontecimentos actuais, a exposição reúne as seguintes obras de maneira democrática: The Desert Panorama, um estudo da colecção de fotografias do deserto da Síria, tiradas nos anos cinquenta do século passado pelo historiador sírio Jibrail Jabbur e pelo fotógrafo de origem armeno-libanesa Manoug; Recordings, uma colecção de documentos e de fotografias do próprio artista relacionadas com a invasão israelita em 1982, este último subdividido no ciclo Learning Photography e no vídeo Saida 6. 6. 1982.

Especial destaque merecem sem dúvida as fotografias da série Learning Photography, realizadas por Zaatari em 1982, aos 16 anos, enquanto observava os bombardeamentos da sua cidade através da varanda de casa. As fotografias foram ampliadas em 2002, mas mantêm a intimidade que as liga a outra época, como também a estranheza de colocarem lado a lado, numa mesma série de imagens, fotografias dos membros da família do artista que parecem tiradas de um álbum de família, fotografias de naturezas-mortas, dos cactos na sala de estar, e registos mais directos do ataque aéreo e terrestre. Algumas imagens até parecem algo que não são. Por exemplo, a sua qualidade instantânea faz lembrar a obra de Gordon Matta-Clark, os cortes nos prédios nova-iorquinos dos anos setenta, ou qualquer imagem de fotojornalismo recente e estilizada, de composição perfeita, como que negando a existência da guerra.

As fotografias que constituem a série Learning Photography remetem igualmente para a série We decided to let them say, “we are convinced, “ twice (2002) de Walid Raad, que forma um dos núcleos importantes do projecto The Atlas Group (1989-2004), uma investigação sobre a história contemporânea do Líbano com ênfase especial nas guerras de 1975 a 1990. Raad registou as fotografias na mesma invasão israelita, em 1982, na parte ocidental de Beirute e só as ampliou em 2002, após um olhar crítico sobre os negativos e com maior consciência do seu impacto, mesmo sendo este fugaz. Raad está ao mesmo tempo a desafiar claramente as nossas noções da História.

Em termos formais, as imagens de Raad e de Zaatari são parecidas. E apesar de umas serem a preto e branco e outras a cores, ambas contêm os riscos indeléveis do tempo, como se as explosões se transformassem em pó ao longo da história, deixando as marcas gravadas na película.

Nas palavras de Raad: “Eu tinha 15 anos em 1982 e queria estar tão perto dos acontecimentos quanto possível, ou tanto quanto a minha máquina e as lentes acabadas de comprar o permitissem. Claramente, não suficientemente perto.â€


Rosana Sancin