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EXPOSIÇÕES ATUAIS


José Pedro Croft, Sem título, 2010. © Teresa Santos.


José Pedro Croft, Estudo. Fotografia digital.


José Pedro Croft, Sem título, 2010. © Teresa Santos.


José Pedro Croft, Sem título, 2008. Cortesia: Galeria Helga de Alvear. © Teresa Santos.


José Pedro Croft, Sem título, 2011. Cortesia: Galeria Filomena Soares. © Teresa Santos.

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ARQUIVO:


JOSÉ PEDRO CROFT

marcações e territórios




FIDELIDADE ARTE
Largo do Chiado, 8
1249-125 Lisboa

09 MAI - 08 JUL 2011


“What comes into appearence must segregate in order to appear” Goethe


José Pedro Croft tem vindo a desenvolver um percurso em torno de questões formais dentro num questionamento do próprio meio e sobretudo dos vários usos de que tem sido alvo a escultura ao longo da História. Para tal fez centrais à sua prática temas como: ruína, monumentalidade ou estatuária funerária, mas também concepções como a de tempo e espaço. Aborda referências e reflexões do meio acerca do quotidiano, mas também, e numa lógica intrínseca, desenvolve questões como a de peso, equilíbrio, desequilíbrio, presença, divisão espacial, forma, conteúdo, densidade e justaposição de materiais.


Esta exposição na qual se mostram dois lados da sua produção praticamente desconhecidos do público: a fotografia e os desenhos “escavados” permite ao espectador ter um entendimento mais alargado da prática do artista no campo da reflexão espacial e visual. Se os desenhos de José Pedro Croft já continham todos os elementos de uma tridimensionalidade latente, ao “desenhar” com o x-acto, essa relação torna-se literal. Mas ao invés de perder (no sentido de se tornar literal), os desenhos ganham algo que até então só poderia ser sugerido por comparação com a obra tridimensional do artista: integração no espaço.

Estes desenhos são apresentados sem moldura e através dos quais é possível ver a textura da parede. Esta característica que já existia nos trabalhos bidimensionais, onde o espaço era contido mais que não seja pela moldura, cingia-se ao papel que servia de suporte. Na presente exposição todo o espaço envolvente é convocado para as obras e tem um papel activo. Um exemplo claro é o facto de a primeira fotografia que o espectador descobre estar praticamente à altura da cintura. Para ver a imagem o espectador tem obrigatoriamente que se debruçar... tem de adoptar uma postura activa, física e é dado o mote para a forma como o espectador pode e deve? circular no espaço. O desenho da exposição deixa paredes vazias permitindo por um lado que as obras respirem e por outro que se integrem no espaço activando-o ao torná-lo visível e presente.

Na terceira sala encontra-se uma enorme instalação/escultura? que evidentemente foi montada no local e que abarca todo o espaço, dividindo e dominando-o. Este dispositivo secciona, divide e duplica o espaço por meio de espelhos, vidros coloridos que reflectem vermelhos e azuis.

Na última sala... que pode ser a primeira, dependendo da decisão do visitante, encontram-se uma foto e uma escultura. A foto de um céu e várias aves em voo convertidas também em elementos formais e estilizados por estarem desfocados. A escultura não toca o chão por estar fixada à parede como uma peça bidimensional. De facto ao visitante parecerá bidimensional acentuando-se essa sensação porque a escultura é constituída por planos de cor em contraste. Um segundo olhar antevê formas tridimensionais e a ausência de planos simétricos. Mais de perto a escultura fragmenta-se definitivamente como uma imagem que se decompõe num conjunto de pixéis. As zonas de intersecção são duras, metálicas e, apercebendo disso, o espectador não mais consegue “juntar” os vários planos de cor numa mesma superfície. É um ágil jogo de perspectivas e cor que configura uma ilusão sem recurso aparente a truques. Sem fumos, luzes e espelhos.


“Estudos”

As fotografias apresentadas não têm moldura e são de reduzida dimensão pregadas directamente à parede o que lhes nega o valor e estatuto de fotografia no contexto artístico e de valor acrescido. São estudos, esboços, imagens descontextualizadas que valem pelo seu valor formal e que negam qualquer tipo de narrativa com excepção de uma referência ao próprio espaço expositivo que de resto acaba por ser um dos temas da exposição.

Não se percepciona um interesse do artista sobre o objecto fotografado a não ser especificamente pelo valor pictórico e formal das imagens que cria como se de estruturas abstractas se tratassem, imagens feitas segundo uma lógica analítica que aparece aqui como um paralelo mais imediato ao tempo e referências da escultura.

Pelo olhar do artista é desvendado um interesse em qualidades formais do mundo que ele próprio cria (ao enquadrar e seccionar) como uma inteligência que não se traduz em palavras e cujo universo de validade se cinge a si próprias.


“Desenhos”

Os desenhos de José Pedro Croft como anteriormente referido tendem a ser também eles estudos, mas que não sabemos se preparatórios ou posteriores às peças tridimensionais. Não sabemos sequer se contêm alguma referência directa a alguma escultura existente do artista ou se configuram partes de alguma peça. É isso que os autonomiza, como possibilidades de ideias que se relacionam com o trabalho em escultura mas que são ao mesmo tempo algo de distinto, são referências ao seu trabalho tridimensional mas possibilitam leituras que paradoxalmente acrescentam valor simplesmente por serem bidimensionais.

A exposição é composta num sentido de experimentação e não sendo as fotografias (uma das novidades) totalmente autónomas, permitem que se abram as portas para o atelier do artista. Se as esculturas e desenhos têm uma presença e força enorme e difícil de racionalizar já as fotografias são um anti-clímax onde se testam soluções aplicadas nos restantes trabalhos mas que se assumem apenas no campo da mera possibilidade. É veiculada a ideia de processo como central à produção do artista e esta exposição parece ser um momento “entre” momentos que permite e abre a curiosidade sobre o que virá de seguida. Talvez a tipologia e propósito do projecto Chiado 8 tenha propiciado a um artista de carreira já firmada uma hipótese mais do uma afirmação e é por esta razão que a exposição é bem sucedida. Não existem muitos espaços ditos institucionais com estas características. Com todos os defeitos que se possam apontar ao projecto e ao espaço, esta continua a ser uma virtude.


Bruno Leitão