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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Vista da exposição, Jesse Wine Amor e outros estranhos.© Eduardo Ortega. Cortesia do artista e Fortes D’Aloia & Gabriel, São Paulo/Rio de Janeiro


Vista da exposição, Jesse Wine Amor e outros estranhos.© Eduardo Ortega. Cortesia do artista e Fortes D’Aloia & Gabriel, São Paulo/Rio de Janeiro


Jesse Wine, Positions, 2026.
Cerâmica. © Eduardo Ortega. Cortesia do artista e Fortes D’Aloia & Gabriel, São Paulo/Rio de Janeiro


Vista da exposição, Jesse Wine Amor e outros estranhos.© Eduardo Ortega. Cortesia do artista e Fortes D’Aloia & Gabriel, São Paulo/Rio de Janeiro


Vista da exposição, Jesse Wine Amor e outros estranhos.© Eduardo Ortega. Cortesia do artista e Fortes D’Aloia & Gabriel, São Paulo/Rio de Janeiro


Vista da exposição, Jesse Wine Amor e outros estranhos.© Eduardo Ortega. Cortesia do artista e Fortes D’Aloia & Gabriel, São Paulo/Rio de Janeiro


Jesse Wine, Evening, all day long, 2026.
Cerâmica. © Eduardo Ortega. Cortesia do artista e Fortes D’Aloia & Gabriel, São Paulo/Rio de Janeiro


Vista da exposição, Jesse Wine Amor e outros estranhos.© Eduardo Ortega. Cortesia do artista e Fortes D’Aloia & Gabriel, São Paulo/Rio de Janeiro


Jesse Wine Composição para o meu pai (Composition for my father), 2024-2026.
Bronze. © Eduardo Ortega. Cortesia do artista e Fortes D’Aloia & Gabriel, São Paulo/Rio de Janeiro



Jesse Wine, Canção para o meu pai (Song for my father), 2024-2026.
Bronze. © Eduardo Ortega. Cortesia do artista e Fortes D’Aloia & Gabriel, São Paulo/Rio de Janeiro


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ARQUIVO:


JESSE WINE

AMOR E OUTROS ESTRANHOS




FORTES D'ALOIA & GABRIEL - BARRA FUNDA
Rua James Holland 71
01138-000 São Paulo, Brasil

07 FEV - 28 MAR 2026


 

 

Jesse Wine (Inglaterra, 1983), sediado em Nova Iorque, apresenta a sua primeira exposição individual no Brasil na Galeria Fortes D'Aloia & Gabriel - Barra Funda, em São Paulo, onde mostra obras recentes em cerâmica e bronze.

Visitar a sua exposição não acontece sem que as antecâmaras nos condicionem a percepção; mesmo antes de entrar na Galeria experimentamos o calor húmido de São Paulo, chegamos suados e cheios de odores vindos de uma rua sem grande movimento, de tons amarelados, onde temos uma primeira interacção com o funcionário - segurança, porteiro? - que à porta nos recebe. Até aqui, a experiência é inevitavelmente diferenciada da visita a uma galeria europeia.

Entramos depois num espaço surpreendente, contrastante com a rua de onde vimos; amplo, branco, de arquitectura organizada, múltiplas ventoinhas em funcionamento, e dois simpáticos funcionários nos indicam as exposições disponíveis para visita, assim como fornecem os documentos onde a informação sobre a mesma consta.

A primeira sala, antes de chegarmos a Amor e outros estranhos, é ocupada pela exposição colectiva Até um carvalho enlouqueceu, título que não poderia servir de melhor epígrafe à exposição de Jesse, com pinturas abstractas e materialmente, no bom sentido do termo do português europeu, pesadas. Pertencem estas obras aos artistas Bruno Dunley (Brasil), Laís Amaral (Brasil), Marina Rheingantz (Brasil) e Richard Aldrich (Estados Unidos). Segundo as palavras e informação cedidas pela galeria, “a mostra reúne artistas de contextos distintos cujas práticas compartilham um engajamento com a abstração enquanto processo material, perceptivo e temporal. O título da exposição faz referência ao mito de Orfeu, sublinhando a indistinção entre matéria animada e inanimada, entre o invisível e a sua tangível presença trazida pelos artistas.”

Chegamos então à exposição de Jesse Wine, já com uma predisposição para ver e experienciar o potencial, não necessariamente verificável, do simbolismo da abstracção. Se a entrada na galeria estreitou a percepção, abrindo espaço visual para o que vem, a primeira exposição estabeleceu de forma definitiva o corte entre a realidade da cidade e o espaço protegido onde narrativas artísticas se mostram e dirigiu a percepção para universos com referenciais outros que não os que dela nos chegam.

Apresentam-se dois grupos de esculturas, que de alguma forma resvalam por sensibilidades diferentes. Se o compacto das esculturas metamórficas, monocromos voluptuosos, marcam o espaço com uma gravidade séria, e um formalismo com reminiscências do século XX, o segundo grupo de esculturas - o que me apelou à sensibilidade e memórias de ligação à terra, e de um retorno a esse espaço simbólico para o qual os sucessivos portais nos prepararam, o mesmo a que o faz de conta inevitavelmente recorre - aparentemente frágil, de uma delicadeza espectral. Apesar do bronze, este segundo grupo de esculturas de parede cujo enquadramento se assemelha a pequenos cubos flutuantes contra a parede branca, cujas arestas sólidas de ramos definem um espaço proto-cénico e onde outros elementos aparentemente naturais vivem... Retomo o início da frase; apesar do bronze, material de que são feitas, estas esculturas encenam com leveza possíveis paisagens bucólicas. Apesar de não estar certa do porquê do apelo de peças de tão grande simplicidade, transmitem-me estas uma sensação de suspensão, de voo, e também de suspensão do tempo. Não apenas do tempo dos elementos apresentados, que se deduzem recolhidos, secos e reformulados e não apenas pela escala que se reduz frente à grande superfície branca das paredes da galeria.

 

Jesse Wine, Noite na Terra (Night on Earth), 2024-2026.
Bronze. Foto: Eduardo Ortega. Cortesia do artista e Fortes D'Aloia & Gabriel, São Paulo/Rio de Janeiro.


 

A exposição concentra-se numa sala central do todo arquitectónico da galeria, sendo anunciada por uma das peças de transição entre os dois grupos, situada no corredor por onde entramos. O que aparenta ser uma caixa de cartão em forma de casa, seguindo o protocolo infantil de um quadrado sob um triângulo, protege elementos naturais sugestivos de um céu noturno; a luz lunar, nuvens douradas. Após esta peça, que nomeio de transição entre os dois grupos de esculturas dado o corpo mais sólido do que as restantes do segundo grupo, onde se insere, é intitulada “Noite na Terra”.

As restantes constituintes do conjunto, todas realizadas no período entre 2024 e 2026 são intituladas de Canção para o meu pai; Composição para o meu pai; Sonho para o meu pai. O familiar e o sonho encontram nelas um universo único, e talvez o teor da poesia dos títulos explicite a sensação se suspensão que estas carregam. Já as restantes esculturas, de corpo sólido e antropomórfico, são apelidadas de Positions; Evening all day long; Avenida Ipiranga, 200 - Centro Histórico de São Paulo, São Paulo - SP, 01046 010, Brazil.

 

Jesse Wine, Avenida Ipiranga, 200 - Centro Histórico de São Paulo, São Paulo - SP, 01046-010, Brazil, 2026.
Cerâmica. Foto: Eduardo Ortega. Cortesia do artista e Fortes D’Aloia & Gabriel, São Paulo/Rio de Janeiro

 

Este último título é tão denunciador do registo concreto, menos sonhador diga-se, e que se adivinha referente a um momento circunscrito experienciado neste mesmo endereço. Poderá supor-se, pelo conjunto da poética e pelo piscar de olho à sensualidade das formas e ao aveludado da superfície, que estas esculturas remetem a experiências recentes, possivelmente passadas em São Paulo, com carácter amoroso ou sexualizado. Acontece nelas a perda de um referente completo de um corpo mas a presença de elementos, sobretudo de extremidades e de massas quasi referenciando o surrealismo, subentende um derretimento da realidade no movimento e pode levar-nos a uma leitura das esculturas como a cambalhota de Gil, onde se diz que a perda do referente do corpo, mesmo na sua concretude, pode acontecer tanto na dança como no sexo.

 

 

 

Catarina Real
(1992, Barcelos) Trabalha na intersecção entre a prática artística e a investigação teórica no campos expandidos da pintura, escrita e coreografia, maioritariamente em projectos colaborativos de longa duração, que se debruçam sobre o questionamento de como podemos viver melhor colectivamente. É doutoranda do Centro de Estudos Hu-manísticos da Universidade do Minho com uma investigação que cruza arte, amor e capital. Encontra-se em de-senvolvimento da Terapia da Cor, prática aplicada entre teoria da cor, arte postal e intuição coreográfica. Mantém uma prática de comentário - nas vertentes de textos de reflexão, textos introdutórios a exposições, entrevistas e moderação de conversas - às obras e processos realizados pelos artistas na sua faixa geracional, com a intenção de contribuir para um ambiente salutar de crítica e criação colectiva e comunitária.
Foi artista residente na Residency Unlimited, Nova Iorque, com apoio do Atelier-Museu Júlio Pomar/EGEAC.

 



CATARINA REAL