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JOSÉ LUIS SERZOThe WelcomeBLANCA SOTO ARTE Calle Alameda 18 28014 Madrid 05 MAI - 10 JUN 2006 A la busca del otroJosé Luis Serzo (1977) continua, nesta nova exploração do seu imaginário pictórico ligada à criação de personagens, o trabalho iniciado em “El fantástico vuelo del Hombre Cometa” (2004). Se naquela exposição o seu interesse era mostrar uma série de obras através de vitrinas, quadros e artefactos próprios de um homem renascentista, com o sentido de reunir uma colecção de objectos que falassem do voo de um personagem próprio de uma fábula, em “The Welcome” a sua proposta está relacionada com o aparecimento de um estranho ser fantástico que parece anunciar a possibilidade de um equilíbrio entre a vivência do real e a do imaginário: ”um ser algo escorregadio, polimórfico, ecléctico, atemporal, esperado, necessário, surpreendente, bom, transmudador, reparador, expansivo, curador, nutritivo, empático, mágico…”. Como o própio artista escreve, é a possibilidade de investigar através de textos da literatura, da história da pintura ou em redor da arte contemporânea, a procura de um ser fictício que parece ajudar a encontrar o própio caminho. Algo como descrito no poster que Billy Wilder pendurou no seu escritório, “Como faria Lubitsch?”, podemos encontrar a inspiração noutro personagem que aparece e desaparece quando menos esperamos; a chegada do ser esperado, está ligada à expectativa de encontrar uma solução que nos liberte do nosso lado mais sombrio. É o iluminismo proveniente de um espírito positivo que apaga o lado mais sombrio que José Luis Serzo explorava nos devastados espaços da sociedade do espectáculo. En “Post-Show” (Museo de Adra, Galería Blanca Soto, 2003) o mundo público da arte apresentava-se como um deserto desolador, onde triunfava uma mediocridade que provinha do esquecimento da verdadeira natureza da actividade artística; mostrava-se um espectáculo acabado onde se pintavam asas que ajudavam a fugir para um local mais elevado. Como na arte, aristotelicamente as coisas não são necessariamente verdadeiras, mas verosímeis, a função da ficção encontra o seu caminho na personificação do próprio eu sublimado do artista. Ironicamente, o propósito do pintor enquadra-se numa tradição que se sabe relacionada com um saber oculto, tradicionalmente vinculado a uma filosofia onde a magia, a invenção e a poesia se ordenavam num mundo apocalíptico e fugaz. Definitivamente, algo que começou no dadaísmo e no surrealismo por razões estritamente hegelianas e poéticas; Onde, segundo Elizondo, o real é razoável e o razoável é real. E possível que sejam estas as questões que José Luis Serzo coloca com o seu artifício, considerando que a arte pode mudar a vida através da construção de aparatos que ajudam a voar, com relíquias que devemos guardar, nos livros em que a associação das imagens e das palavras termina por configurar uma representação onde a leitura da arte se vincula a um esteticismo hermético e hermenêutico. Significa que a importância que José Luis Serzo dá à pintura não deixa de estabelecer conexões com o teatro, a poesia e a fabulação literária. Uma proposta que deve ser lida como se se tratasse da efectiva chegada de Godot, uma espécie de salvação optimista pela arte, só dependente da nossa fantasia. A engenhosa metáfora transmitida por José Luis Serzo está neste jogo entre o espectador e a sua metamorfose. Trata-se de encontrar um espaço semelhante ao que procurava Joseph Cornell nas suas Caixas: a confiança num lugar onde a imaginação é sempre bem-vinda, compreendendo que a arte é um lugar a escrever, num local onde o voo mágico nos leva até ao outro que finalmente chega até nós.
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