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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Rodrigo Areias e The Legendary Tigerman, Domesticada.


João Salaviza e Norberto Lobo com Strokkur.


Sandro Aguilar e Black Bombaim, And They Went.


Gabriel Abrantes e Pedro Gomes com Baby Back Costa Rica.


Bruno de Almeida e Manuel João Vieira, Royal Cabaret


João Onofre e Adolfo Luxúria Canibal, S/Título.


Exposição Stereo. Solar - Galeria de Arte Cinemática.

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STEREO




SOLAR - GALERIA DE ARTE CINEMÃTICA
Solar de S. Roque Rua do Lidador
Vila do Conde

17 JUN - 18 SET 2011


STEREO
17 Junho - 11 Setembro 2011 (Solar) 


17 Junho - 18 Setembro (Centro de Memória)



No âmbito do 19º Festival de Curtas de Vila do Conde, foram convidados 12 artistas para, formando duplas criativas, criarem uma instalação que reflectisse sobre as relações entre o cinema e a música. Stereo, patente no Solar – Galeria de Arte Cinemática e no Centro de Memória é o resultado desse trabalho. As duplas integram um músico e um cineasta ou artista plástico e são: Gabriel Abrantes e Pedro Gomes com Baby Back Costa Rica, Rodrigo Areias e The Legendary Tigerman com Domesticada, Bruno de Almeida e Manuel João Vieira com Royal Cabaret, João Onofre e Adolfo Luxúria Canibal com S/Título, João Salaviza e Norberto Lobo com Strokkur, e Sandro Aguilar e o trio Black Bombaim com And They Went.


As duplas Sandro Aguilar – Black Bombaim e João Salavisa – Norberto Lobo tiveram a sorte de estar expostas no espaço da Solar, que constitui um local de honra para uma boa exposição de obras que pretende ser uma reflexão sobre a relação já longa entre a imagem e a música. Aqui cada uma das instalações tem as condições que precisa para poder ser fruída em pleno. As outras quatro obras estão expostas no Centro de Memória, com um projecto expositivo que fica aquém de satisfatório: numa espécie de open space com divisórias a separar as obras, as sonoridades de cada uma contaminam-se – a excepção é Royal Cabaret que possui auscultadores.


Algumas instalações são mais cinematográficas ou mais narrativas, outras mais plásticas. Em termos sonoros, uns artistas preferem usar música, outros optam por manipulação sonora. É o caso Salavisa e Lobo que em Strokkur optam por um registo de criação mais próximo do documental com a recolha de imagens e sons numa paisagem invernosa e desolada. Neste local perto de Reykjavik, encontram o ambiente perfeito de neve e geysers, muito rico em termos sonoros e imagéticos. Aqui, Norberto Lobo munido de um microfone e de um mini amplificador cria sons que contrastam com os da envolvente. Sente-se nesta obra o acaso que preside à natureza ou à criação: “da essência da obra, faz parte o acontecimento da obra.†[1].

And They Went é a obra que se aproxima mais do registo videoclip. Obra de montador, as imagens de arquivo ilustram a música ou podemos considerar que é a música que ilustra o ritmo da montagem, como se fosse uma partitura musical, numa obra una. Um trabalho divertido mas longe daquilo a que Sandro Aguilar nos habituou como realizador.


Longe também do conjunto da obra de Gabriel Abrantes, Baby Back Costa Rica tem um trabalho bastante expressivo (e impressivo) ao nível da imagem e do som. Pedro Gomes brinda-nos com sons agressivos como guitarras distorcidas e ambientes sonoros que elevam o carácter perverso e incómodo que nos causam as imagens e a narrativa de Abrantes. Aqui, ao invés do seu habitual humor, o artista assume uma crítica feroz e inquietante aos meios de comunicação que elevam jovens de 15 anos ao estatuto de pin ups, ao mesmo tempo que critica esta juventude consumista.


Sem Título é a instalação que fica mais longe do registo cinematográfico, embora Onofre se tenha rodeado de uma equipa de cinema, com Leonardo Simões ou Patrícia Saramago. Esta é uma obra profundamente plástica que remete para os anúncios domésticos dos anos 50 protagonizados por uma espécie de Barbie perfeita e sintética. Da boca desta Barbie sai uma poesia de Adolfo Luxúria Canibal. Uma instalação que questiona também a publicidade e consumismo da sociedade moderna. Ao mesmo tempo que a imagem é apelativa, aquela Barbie ociosa de voz grossa e cava não pode deixar de nos causar uma terrível estranheza.


Domesticada baseia-se numa instalação de Ana Vieira, Santa Paz Doméstica Domesticada (1977), em que uma mulher tem uma relação de erotismo com a limpeza doméstica. Aqui, numa obra em que os autores assumem a plena parceria na forma como assinam imagem e música, a mulher abandona essa relação. Se nos anos 70 a mulher se prendia à limpeza da casa como objecto de prazer, a mulher do século XXI, ainda que o tente, não consegue, pois os avanços tecnológicos e as facilidades por eles introduzidas não permitem que essa relação seja física, logo satisfatória. Infelizmente a componente sonora da instalação mal se ouve, perdida na cacofonia geral, resultante da opção expositiva já referida. Quanto a Royal Cabaret, parece bastante insuficiente quer para o talento dos seus autores, quer para figurar entre as outras obras.


Numa exposição que pretende explorar a relação entre cinema e música e as suas novas formas de representação, seria de esperar obras que fizessem uma maior reflexão ou que se debruçassem sobre problemáticas como por exemplo o uso do digital em ambos os meios. Gostaríamos, talvez, de sair de Stereo com mais interrogações e inquietações acerca da relação entre cinema e música. Como diz Roland Barthes relativamente à fotografia: “[a Fotografia] é subversiva não quando assusta, perturba ou até estigmatiza, mas quando é pensativa.†[2]



NOTAS

[1] Heidegger, Martin, A Origem da Obra de Arte. Lisboa: Edições 70, 2010, p.45.
[2] Barthes, Roland, A Câmara Clara. Lisboa: Edições 70, 2009, p.47.


Bárbara Valentina