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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Priscila Fernandes, That which is above that which is, 2010; Product of Play, 2011. Cortesia: Prémio EDP Novos Artistas 2011.


André Trindade, Sem a cabeça estar bem cosida, não vale a pena comer a língua, 2011. Cortesia: Prémio EDP Novos Artistas 2011.


João Serra, The north as place, 2009 - 2011. Cortesia: Prémio EDP Novos Artistas 2011.


Catarina Botelho, Entre nós e as palavras, 2011. Cortesia: Prémio EDP Novos Artistas 2011.


Carla Filipe, Boletim-indice (livro aberto), 2007; Memorial ao vagão fantasma, 2011; Santo Amaro, 2011; As casas desejadas, 2006-2011. Cortesia: Prémio EDP Novos Artistas.


Vasco Barata, Les Vents,2011; Le bruit,2011; The base,2011; Le délire,2011; Phantom/Ghost,2011; Untitled (haunted by Jeanne),2011. Cortesia: Prémio EDP N.A.


Nuno da Luz, C’mon, 2011. Cortesia: Prémio EDP Novos Artistas 2011.


Ana Manso, Coisas selvagens, 2011. Cortesia: Prémio EDP Novos Artistas 2011.


Catarina Dias, Clone MYD3, 2011; I n t e r p e r s e d, 2011. Cortesia: Prémio EDP Novos Artistas 2011.

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COLECTIVA

Prémio EDP Novos Artistas 2011




MUSEU DA ELECTRICIDADE
Avenida de Brasília, Central Tejo
1300-598 Lisboa

01 JUL - 18 SET 2011


Ana Manso (Lisboa, 1984), André Trindade (Lisboa, 1981), Carla Filipe (Aveiro, 1973), Catarina Botelho (Lisboa, 1981), Catarina Dias (Londres, 1979), João Serra (Lisboa, 1976), Nuno da Luz (Lisboa, 1984), Priscila Fernandes (Coimbra, 1981) e Vasco Barata (Lisboa, 1974) são os nove artistas seleccionados entre os 408 candidatos ao Prémio EDP Novos Artistas 2011, agora em exposição no Museu da Electricidade até Setembro.


É unânime a importância que os concursos assumem enquanto recurso legitimador das carreiras artísticas. Interessará destacar os quatro círculos de reconhecimento que o artista percorre na ascensão do sucesso artístico, uma noção avançada por Alan Bowness (1): o primeiro círculo composto pelos artistas próximos e seus contemporâneos, o segundo pelos críticos, o terceiro pelos dealers, galeristas e coleccionadores e o último pelo grande público, o que nos permite avançar com a ideia de que os concursos agem como plataforma de ligação entre estes mesmos círculos.


Desde os anos 80, com a mudança de paradigma dentro das instituições museólogicas, tem-se vindo a identificar, salvo excepções, um modelo de percurso artístico conduzido por um repentino interesse por parte de reconhecidas colecções e instituições museólogicas públicas e privadas que adquirem e expõem trabalhos através de um processo feito a uma velocidade crescente.


O Prémio EDP Novos Artistas pode de certa forma ser enquadrado neste padrão, compreendendo ao longo da última década vencedores significativos como Joana Vasconcelos (2000), Leonor Antunes (2001), Vasco Araújo (2002), Carlos Bunga (2003), João Maria Gusmão / Pedro Paiva (2004), João Leonardo (2005), André Romão (2007) e Gabriel Abrantes (2009). É claramente um dos concursos com maior impacto no panorama artístico português, sendo também aquele que mais recompensa os vencedores, a par de concursos como BES Revelação, Fidelidade Jovens Pintores ou o Prémio Anteciparte. Para a produção dos trabalhos é entregue a cada um dos artistas 2.500€, não existindo a obrigatoriedade de serem inéditos e o vencedor terá como prémio 10.500 euros (2). A notoriedade que o prémio tem em Portugal deve-se em parte, obviamente justificada, pelo meio onde está inserido, particularmente se tivermos em consideração o número reduzido de concursos, resultando numa mais fácil elevação dos participantes. Estabelecendo o paralelo com outros países europeus onde é dado maior ênfase à cultura, constatamos que o número de concursos é significativamente superior, daí derivando não só um aumento das oportunidades mas, inversamente, a notoriedade das partes é mais diluída.


Desde o seu início, o concurso tem sofrido algumas alterações relativamente aos parâmetros estruturais, um formato que tem vindo a ser constantemente reajustado, nomeadamente no que diz respeito à periodicidade, ao local ou aos critérios de selecção e exposição. Nesta 9ª edição o prémio organiza-se em dois júris distintos, um primeiro – Delfim Sardo, Nuno Crespo e João Pinharanda – responsável pela selecção dos nove nomes finais, e um segundo, mais alargado – José Manuel dos Santos, José Pedro Croft, Moacir dos Anjos, Lynne Cooke e Alexandre Melo – responsável pela nomeação do vencedor.


Direccionando agora a abordagem para a exposição em concreto, esta estende-se ao longo de um open space, com poucas, mas significativas intervenções ao nível do projecto da arquitectura expositiva, as paredes criadas são utilizadas como suporte dos trabalhos e não como definição do espaço. Para a sua organização optou-se pela criação de zonas com funções específicas de apoio à exposição – como a entrada, o espaço de consulta de bibliografia e o espaço para o serviço educativo – para a sua delimitação foram utilizadas múltiplas faixas de plástico transparente amarelo, através das quais o espectador pode passar dando acesso directo ao espaço expositivo. Quanto ao material utilizado, bem como a cor a que está associado faz-se sentir permanentemente, originando um sentimento ambíguo, entre a versatilidade e a estranheza.


É facilmente perceptível a disparidade de trabalhos presente, não só através dos diversos mediuns mas também pelos conteúdos trabalhados, o que traduz vontades distintas no que toca à relação entre peças. Se por um lado há quem procure o isolamento, como é o caso de Sem a cabeça estar bem cosida, não vale a pena comer a língua de André Trindade, com a recriação um espaço boémio desabitado, onde o acesso é difícil; ou The north as place de João Serra, um trabalho documental, tipológico, sobre um local onde é difícil habitar; ou ainda a peça Entre nós e as palavras de Catarina Botelho, um conjunto de fotografias que retratam locais pouco cuidados que poderiam estar ao abandono, mas onde existe claramente presença humana, constante, quotidiana, pontuada por objectos de todos os dias. De uma outra forma existe também quem procure contaminar, pontuando o espaço, como é o caso da peça As casas desejadas de Carla Filipe que a par das restantes peças da artista em exposição, desenvolve um trabalho documental de cariz sociológico por meio de uma objectividade influenciada por uma carga biográfica; também Vasco Barata cria um arquivo, forçado, produzindo uma narrativa entre os vários objectos com os quais trabalha questões ligadas à memória e ao mito, onde as ligações entre peças são de difícil percepção provavelmente porque as chaves de leitura são inexistentes.


A peça de Nuno Luz estabelece uma relação entre interior/exterior perpetuando o espaço onde se encontra, trazendo parte de um exterior para o interior mas levantando consigo dúvidas quanto à fidelidade desse mesmo exterior; Ana Manso explora na pintura o gesto como método e o suporte como contexto, no sentido em que os momentos e os locais são um contributo determinante na construção do seu trabalho; Catarina Dias desenha de uma forma monumental, numa representação fragmentada que, por sua vez, cria a ilusão de um prolongamento do espaço, mas uma ilusão que não é enganadora, visível através da grelha do espelho que também duplica; por fim Priscila Fernandes coloca o espectador no papel de analista comportamental, através de dois vídeos, podendo cada um construir juízos sobre o comportamento do outro e sobre as respectivas idiossincrasias.


Trata-se sem dúvida de um conjunto de propostas interessantes que terá vencedor revelado a 7 de Setembro, altura em que será também público o respectivo catálogo da exposição. Mais do que um especular sobre as possibilidades que cada concorrente apresenta, neste momento o que se espera para o vencedor é o reconhecimento conferido pelo prémio atribuído, bem como uma entrada “assegurada” no circuito institucional da arte nacional. Resta apenas esperar que esta legitimação seja interpelada pela crítica de arte, através de leituras e questionamentos da produção artística, quebrando com qualquer tipo de indolência, num movimento que simultaneamente interroga o peso e a influência que o papel da crítica tem em determinado contexto artístico.




NOTAS

(1) Bowness, Alan, The conditions of success. How the modern artist rises to fame, Londres, Thames & Hudson, 1989.

(2) www.tinyurl.com/3sc4qm4




Flávia Violante