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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Alexandre Estrela, Wall Against The Sea. Solar, 2011.


Alexandre Estrela, Wall Against The Sea. Vista da instalação na Solar, 2011.


Alexandre Estrela, Ad Nauseum. Exposição Wall Against The Sea, Solar, 2011.


Alexandre Estrela, Ad Nauseum. Vista da instalação na exposição Wall Against The Sea, Solar, 2011.


Alexandre Estrela, Keystones. Vista da instalação na exposição Wall Against The Sea, Solar, 2011.


Alexandre Estrela, O Dia da Marmota. Vista da instalação na exposição Wall Against The Sea, Solar, 2011.


Carlos Godinho, A place where the unknown past and the emergent future meet in a vibrating soundless hum, Still. Solar, 2011.

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ARQUIVO:


ALEXANDRE ESTRELA

Wall Against The Sea




SOLAR - GALERIA DE ARTE CINEMÃTICA
Solar de S. Roque Rua do Lidador
Vila do Conde

24 SET - 13 NOV 2011


A Solar – Galeria de Arte Cinemática de Vila do Conde acolhe as obras de um modo bastante sui generis. A pedra em bruto acolhe o espectador de um espaço que, em tempos, terá sido um solar. Os meandros estreitos e os tectos altos cunham a galeria com uma atmosfera muito peculiar que, inevitavelmente, contamina as obras.

Alexandre Estrela tem vindo a desenvolver um trabalho de cariz experimental sobretudo através do vídeo. Na exposição Wall Against The Sea as obras remetem para um pensar das estruturas formais e do modo como estas se podem relacionar com o movimento e com a sonoridade. A interdisciplinaridade é explorada com uma subtileza que complexifica as obras, tornando-as enigmáticas e visionárias, evidenciando o esforço de aproximação ao espectador que o artista desenvolve, explorando a percepção de um modo exaustivo.

As três primeiras obras têm como forma basilar uma estrutura em metal que aparenta uma certa fragilidade, como se se tratassem de estruturas em papel. Em Ad Nauseum podemos ver o visor de relógio digital, aparentemente desligado, numa filmagem em loop. O vídeo, projectado sobre uma estrutura em ferro, apresenta uma fractura que divide o elemento projectado, como se a imagem se encontrasse quebrada. Acompanhando a projecção podemos ouvir o contínuo bater de um relógio antigo, cujo som ecoa pelas salas da galeria, marcando um compasso interminável. A temporalidade medida pelo som contrasta, de modo directo, com o visor do relógio digital, que, vazio, permanece indiferente às horas, aos minutos, aos segundos. Estamos condenados a habitar o Tempo, ainda que o não possamos mensurar, ele corre, implacável, até desabarmos dentro dele.

Keystones parece ocupar o ponto originário do projecto, o material de partida para as explorações que se seguem. Uma simples estrutura em metal, de traços geométricos e simples, ocupa o centro da sala, sob um foco de luz que dão continuidade à peça, através de sombras e ângulos que se desenham num constante conflito luz/sombra.

Wall Against The Sea ocupa um lugar central na exposição de Alexandre Estrela, não apenas pelo título da obra, que dá nome à exposição, mas por se destacar na intensidade com que explora as possibilidades do objecto-suporte e no modo como este se funde com os elementos som, movimento, imagem e materialidade. A relação que a fluidez da água estabelece com a imobilidade da pedra é explorada num vídeo de uma alta arriba, sobre a qual, incessantemente, as ondas embatem. A continuidade compassada do movimento das ondas é reforçada pelo loop em que o vídeo é projectado. A colisão é sonora e visual: está viva e em movimento. No entanto, a obra parece ambicionar ir mais longe. A colisão entre a rocha e a onda constitui uma unidade que por sua vez entra em choque com a estrutura plana e metálica sobre a qual está a ser projectada. A moldura é sempre uma forma de ocultamento, ela impõe limites, em tamanho e em profundidade. O momento contínuo de afastamento/aproximação em que a filmagem se estrutura confere ao espectador a movimentação da onda, como se, ainda que querendo, estivéssemos condenados a regredir, a colidir com a totalidade que se nos apresenta, para voltarmos ao ponto inicial. A circularidade do movimento, como que convertida numa imobilidade, pois que não saímos do mesmo lugar, é evidente e parece estar na base conceptual da exposição.

A obra O Dia da Marmota, isolada espacialmente relativamente às outras, é uma obra cujo título remete directamente para o filme realizado pelo norte-americano Harold Ramis em 1993, Groundhog Day, que nos conta a história de um indivíduo que repete o mesmo dia vezes sem conta. A obra, uma projecção em loop, de um peixe mordendo a sua própria cauda, numa figura circular que se move incessantemente em círculos, sobre uma serigrafia do mesmo animal, na mesma posição. A obra tem um efeito surpreendente e parece dar forma ao princípio conceptual que está na base da exposição: um movimento contínuo, permanente e incansável que, pela ausência de descontinuidade, nos coloca permanentemente no mesmo ponto. Uma unidade contínua e múltipla que desvela, no mesmo momento espácio-temporal, a sua multiplicidade infinita e a sua unidade eterna e limitada. A estaticidade na qual a continuidade do movimento sempre deflagra.

Um dos hábitos curatoriais da Galeria de Arte Cinemática de Vila do Conde é a proposta, ao artista a expor, de convidar um outro artista com cuja obra de certo modo se identifique, enriquecendo e complementando assim a exposição. Alexandre Estrela escolheu Carlos Godinho, que apresenta a obra A place where the unknown past and the emergent future meet in a vibrating soundless hum. Também aqui o movimento parece estar inserido numa atmosfera a-temporal, ainda que explorado a diferentes ritmos e velocidades. O elemento central é uma árvore, epicentro de uma exploração visual incessante e sempre circular, que se vai afastando e aproximando da mesma, oferecendo ao espectador diferentes detalhes. Em certos momentos a velocidade da câmara torna-se frenética, perdemos o discernimento do objecto observado, vendo apenas formas, ranhuras e cores que deambulam pela tela. O loop é aqui também palavra de ordem e mecanismo ao serviço de um conceito de repetição.

Mais uma vez regressamos ao mesmo ponto, se é que alguma vez dele saímos, na ilusora permanência em-movimento.


Maria Beatriz Marquilhas