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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Edgar Martins, Central da Raiva: painel de hidráulica na sala de comando, da série The Time Machine, 2011. Prova por relevação cromogénea. 120x150 cm. © Edgar Martins


Edgar Martins, Central do Alto Rabagão: Poço de barramentos (vista obtida da Sala de Máquinas), série The Time Machine, 2011. Prova por relevação cromogénea. 180x225 cm. © Edgar Martins


Edgar Martins, Central do Pocinho: Poço de descarga de equipamentos (vista obtida do piso dos alternadores), série The Time Machine, 2011. Prova por relevação cromogénea. 120x150 cm.


Edgar Martins, Central do Fratel: Sala de máquinas da série The Time Machine, 2011. Prova por relevação cromogénea. 180x225 cm. © Edgar Martins


Edgar Martins, Central do Alto Lindoso: Sala de Comando, da série The Time Machine, 2011. Prova por relevação cromogénea. 180x225 cm. © Edgar Martins

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ARQUIVO:


EDGAR MARTINS

The Time Machine




MUSEU DA ELECTRICIDADE
Avenida de Brasília, Central Tejo
1300-598 Lisboa

13 OUT - 10 DEZ 2011


Edgar Martins é um artista plástico que trabalha sobre fotografia. Uma definição que parece mais adequada do que a de fotógrafo. Isto porque Edgar Martins não trabalha a fotografia de forma purista, nem sequer explora qualquer tipo de naturalidade lumínica ou do objecto, antes optando por trabalhar a imagem em pós-produção consoante as suas necessidades artísticas. Isto aproxima-o muito mais de um pintor que de um fotógrafo e as questões artísticas que levanta com as suas obras estão mais próximas da pintura que da fotografia.

Compreendendo isto, pôr-se-ia rapidamente fim a polémicas que não aprofundam questões importantes acerca do papel da fotografia com medium artístico ou como um fim em si mesmo. Edgar Martins utiliza a fotografia de certa forma como um meio técnico auxiliar da mesma forma quase como era utilizada pelos pintores no século XIX. Mas se estes a usavam como forma de aceder às tão desejadas paisagens que não podiam visitar, Edgar utiliza-a como um meio de reproduzir ambientes, imagens que cria em jeito de pincelada, perfeitos e imaculados do ponto de vista formal. Aliás, essa é uma das suas características: o cuidado que é posto nas composições, com preocupações de simetria, de escala e de tonalidade, em que todo o descuido aparente é fruto de um trabalho meticuloso e calculado. Certamente Edgar Martins partilha a opinião de Doris Salcedo que em entrevista a Nuno Crespo refere que “o descuido não serve para a arte. A arte tem que ver com respeito, cuidado, devoção, atenção e precisão.†(1)

Por tudo isto, The Time Machine não surpreende. Saberíamos que aquelas imagens são de Edgar Martins, em qualquer lugar onde estivessem, mas no Museu de Electricidade têm espaço para respirar. Para além disso a sua temática não encontraria melhor eco do que um edifício que foi uma central termoeléctrica. O artista dedicou-se a fotografar centrais hidroeléctricas portuguesas e a sua maquinaria, ferramentas ou apenas espaços físicos como salas de reunião. É nestas últimas que se nota mais o cuidado posto na encenação e composição do espaço. Salas anónimas como Central do Alto Rabagão: Poço de barramentos (vista obtida da Sala de Máquinas) tornam-se vazias e cirúrgicas sob o olhar de Edgar Martins. São elevadas elas próprias à categoria de máquina.

Todas as obras têm títulos explicativos e técnicos como por exemplo: Ferramenta – chave sextavada – utilizada na desmontagem dos grupos, 1kg., sextavado interior 50 mm, comprimento 290 mm. Se por um lado as imagens elegem estes objectos utilitários à categoria de objecto artístico permitindo-lhes um carácter de unicidade alvo de fruição estética, por outro lado, os títulos retiram-lhe novamente esse carácter, rementendo as peças para a sua característica meramente funcional, quase como se fizessem parte de um inventário. Ao acrescentar ao título um parêntesis informativo acerca da vista de onde foi tirada a fotografia, o artista remete a obra para uma espécie de levantamento técnico meramente identificativo, mas que ao mesmo tempo está em estreita relação com a arquitectura, como o desenho técnico está para o projecto arquitectónico.

Ao mesmo tempo, Edgar Martins consegue um elevado grau de abstracção em algumas obras, seja pelo ponto de vista escolhido como em Central do Pocinho: Poço de descarga de equipamentos (vista obtida do piso dos alternadores) que acaba por parecer um jogo de texturas e de perspectivas que nos alienam do espaço arquitectónico, seja por alteração de escala como acontece em imagens como Central do Fratel: Sala de máquinas em que a posição elevada do observador relativamente à sala, nos torna gigantes em face de um espaço que a uma observação atenta percebermos ser de grandes dimensões.

Edgar Martins parece enquadrar-se perfeitamente na teoria Benjaminiana de que todo o fotógrafo é um cientista: “as particularidades estruturais, os tecidos das células, com os quais a técnica e a medicina costumam contar – tudo isto tem, originalmente, mais afinidades com a câmara fotográfica do que a paisagem expressiva ou o retrato que reflecte a alma do retratado.†(2) Neste caso não será tanto na técnica fotográfica em si mesma, mas na forma como é utilizada para descrever e mostrar de forma cirúrgica os ambientes que Edgar Martins isola e eleva à condição de objecto artístico.



NOTAS
(1) CRESPO, Nuno, “Entrevista a Doris Salcedoâ€, in Ãpsilon, Público, ed. 7888, 11.11.2011, p.9
(2) BENJAMIN, Walter, “Pequena História da Fotografia†in A Modernidade, Lisboa, Assírio & Alvim, 2006, p. 247.


Bárbara Valentina