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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Friedrich Kunath, The past is a foreign country, 2011. Vista da instalação em The World Belongs to You / Palazzo Grassi.


Jeff Koons, Ballon Dog (Magenta), 1994-2006. Vista da instalação em The World Belongs to You / Palazzo Grassi.


Joana Vasconcelos, Contamination, 2008-2010. Vista da instalação em The World Belongs to You / Palazzo Grassi.


Loris Gréaud, Gunpowder Forest Bubble, 2008. Vista da instalação em The World Belongs to You / Palazzo Grassi.


Francesco Vezzoli, Marlene Redux: a True Hollywood Story!, 2006. Vista da instalação em The World Belongs to You / Palazzo Grassi.


Zhang Huan, Mad Portrait, 2008. Vista da instalação em The World Belongs to You / Palazzo Grassi.

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COLECTIVA

The World Belongs to You




PALAZZO GRASSI - FRANÇOIS PINAULT FOUNDATION
Campo San Samuele


02 JUN - 31 DEZ 2011


A polémica em torno da ida para Veneza da colecção de arte contemporânea do bilionário francês François Pinault, considerado, em 2006 e 2007, uma das pessoas mais influentes no mundo da arte contemporânea pela revista Art Review, terminou com a aquisição em 2005 do Palazzo Grassi. Construído entre 1748 e 1772 para a rica família bolonhesa dos Grassi, é um edifício que se afasta dos palácios barrocos venezianos, devido ao seu classicismo académico. Em 1983 foi adquirido pelo grupo Fiat, que o transformou num espaço para exposições de arte. Depois de ter abandonado a ideia de construir um museu na Île Seguin, nos arredores de Paris, em pleno Sena, o município de Veneza apoiou Pinault na instalação da sua colecção, após as inconsequentes negociações com o estado francês.

Punta della Dogana, também na cidade italiana de Veneza, foi o outro espaço adquirido por Pinault pouco depois do Palazzo Grassi, reabrindo ao público completamente remodelado pelo arquitecto japonês Tadao Ando (que também renovou o Palazzo Grassi), em Junho de 2009, com uma exposição conjunta entre os dois espaços: Mapping the Studio.

The World Belongs to You é a exposição comemorativa dos cinco anos desta colecção em águas venezianas, colecção que só pode ser entendida, pela sua dimensão e natureza, como um auto-retrato de um coleccionador. Apresentando trabalhos de 40 artistas de 22 nacionalidades, ao longo dos três pisos do edifício, cada autor expõe a sua obra numa sala específica, definida como um espaço individual para cada peça. The World Belongs to You, mostra comissariada por Caroline Bourgeois, vai ao encontro do contexto experimental em que a arte contemporânea se vê envolvida. Este cunho experimental vem justificar um número cada vez maior de exposições em que deixa de ser necessário um conceito que suporte a “organização†de uma exposição. Outros temas de actualidade social e política, questões polémicas e híbridas, num mundo globalizado que é o de hoje, justificam mediaticamente a escolha de obras e artistas com origem nos quatro cantos do mundo.

Sob esta perspectiva, e relembrando as palavras do artista norte-americano Jeff Koons que afirmou em 1990 – “I’m taking us out of the twentieth century†–, em The World Belongs to You é precisamente uma obra de Koons que abre esta grande exposição internacional, juntamente com uma peça em croché da artista portuguesa Joana Vasconcelos. Ballon Dog (Magenta) (1994-2006), de Jeff Koons e Contamination (2008-2010), de Joana Vasconcelos, ocupam assim o átrio do Palazzo Grassi da Fundação François Pinault.

Ballon Dog (Magenta) pertence à série intitulada Celebration, iniciada em 1993 por Koons, em que o tema em torno do universo infantil, envolvendo festas e feriados, flores, e balões em forma de cão, feitos por mágicos/animadores de festas de anos, surge nesta mostra como obra que celebra os cinco anos da reabertura do Palazzo Grassi, tornando-se um emblema desta colecção, quando foi exposto numa plataforma no Grande Canal, na primeira exposição da colecção Pinault intitulada Where Are We Going?, em 2006. O peso do aço inoxidável contrasta com o brilho e a aparente leveza da escultura; o reflexo do visitante possibilita uma relação directa entre espectador e obra.

O projecto Contaminação de Joana Vasconcelos foi realizado no âmbito do protocolo celebrado entre a Direcção-Geral das Artes e a Pinacoteca do Estado de São Paulo, e foi apresentado em São Paulo, pela primeira vez, em 2008. A invasão do espaço arquitectónico, as formas e as cores que fazem parte desta grande-escultura-espacial constituída por almofadas enlaçadas umas nas outras são uma espécie de vírus que se espalha pelos três pisos do Palácio. Os materiais artesanais são a matéria desta obra de tricô e croché em lã feitos à mão, malha industrial, tecidos, esferovite, poliéster e com vários adereços. Curiosamente, Joana Vasconcelos foi convidada para realizar em 2012 a exposição anual de arte contemporânea no Palácio de Versalhes, projecto iniciado em 2008 por Jeff Koons.

Ambas estas esculturas, expostas frente a frente na entrada do palácio, exploram uma vertente mais Pop, comercial ou até mesmo decorativa, com o intuito de proliferação de uma arte mais abrangente e de mediático acesso. Ambos os artistas reúnem um grupo de colaboradores considerável, que trabalham directamente na produção e instalação das suas obras.

Mas as diferentes visões globalizantes potenciadas pelas obras expostas em The World Belongs to You surgem das mais variadas formas. O jovem artista francês Loris Gréaud apresenta uma instalação que anuncia o apocalipse, um mundo pós-humano. Em Gunpowder Forest Bubble (2008), estamos perante um verdadeiro cenário cinematográfico apocalíptico, ou como refere o próprio Gréaud diante de uma “visão ultra-contemporâneaâ€, onde é apresentada uma floresta com 36 árvores cobertas de pólvora, numa envolvência desconcertante para o visitante.

Uma brilhante paródia à televisão norte-americana (e não só) está presente nos vídeos do italiano Francesco Vezzoli. Em Marlene Redux: a True Hollywood Story! (2006), Vezzoli chega a ficcionar a sua própria morte, no meio de clichés, sexo, dinheiro, ambição, e todos os ingredientes impostos por uma indústria criadora de sonhos e ilusões.

The past is a foreign country (2011), obra encomendada pela Fundação ao artista alemão Friedrich Kunath, apresenta uma figura de camisa havaiana que contrasta com a neve do globo na cabeça, apontando para a ideia de uma identidade global. O artista chinês Zhang Huan, utilizando cinzas de incenso, retrata três figuras internacionalmente conhecidas: Mao Tse Tung, Ho Chi Minh e Bai Shi-in, recordando a memória da história colectiva.

Estes trabalhos, bem como grande parte das cerca de 70 obras expostas, envolvem criteriosamente o visitante. O resultado da relação entre obra e espectador é fundamental para estes artistas de diferentes gerações, ao aproximarem emocional e afectivamente o público. A forma de comunicação deixa, de alguma forma, pendente questões que se relacionam com o processo artístico actual ou com a inventividade formal original. François Pinault continua a ampliar a sua colecção e a oferecer ao visitante a possibilidade de se envolver com estas obras que pensam o presente, rememoram o passado e ficcionam o futuro.



Patrícia Rosas