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JOHN BALDESSARINoses & Ears, Etc.CRISTINA GUERRA CONTEMPORARY ART Rua Santo António à Estrela, 33 1350-291 Lisboa 06 JUN - 09 SET 2006 “O que retiro é mais importante. Quero a ausência que cria uma espécie de angústiaâ€. Pois é exactamente esta atenção dada à subtracção, à exclusão de determinados elementos visuais que caracteriza “Noses & Ears, Etc.â€, exposição que John Baldessari apresenta na Galeria Cristina Guerra. Continuando com as palavras do artista, esta série centrada, tal como o nome indica, no nariz e orelhas, apresenta-se como “o retorno do reprimido. Quanto mais tentas apagá-lo, mais ele existeâ€. Curiosa afirmação, sobretudo vinda de alguém que, em 1970, destruiu toda a sua produção anterior… o que é recusado acaba por vir ao de cima?... Talvez, se pensarmos que o jovem Baldessari se apropriava de materiais diversos: revistas, cartazes, fotografias, textos, para construir discursos improváveis e fragmentados que suscitavam novas leituras, essencialmente baseadas na articulação pessoal dos elementos dados a ver pelo artista, que seleccionava rigorosamente as imagens (ou pedaços delas) que deveriam aparecer. Não é invulgar assistir a Baldessari a “apontar o dedo†de modo extremamente óbvio para aquilo que nos quer mostrar, não só dizendo ao observador aquilo que ele deve ver mas também influenciando as suas selecções e comparações: por exemplo em 1973, no vÃdeo “How We Do Art Nowâ€, Baldessari dedica extensos minutos a documentar pequenos pormenores das unhas e a descrever qualitativamente os detalhes observados. No caso da exposição de Lisboa, a atenção recaiu sobre outros dois elementos do corpo humano que em geral não são muito evidenciados pela produção artÃstica, embora constituam uma parte essencial da composição da figura humana e do nosso processo de reconhecimento… quem não se recorda do nariz da Barbara Streisand ou do Gerard Depardieu, ou das orelhas do Groucho Marx ou de André Malraux? Alternando entre a ocultação através do uso de uma superfÃcie em relevo, com uma cor forte e lisa, colocada sobre a área em questão: o nariz ou as orelhas, ou a subtracção da restante imagem do rosto, deixando a descoberto da imagem original apenas as orelhas ou o nariz, que se tornam formas estranhas e quase grotestas quando vistas isoladamente, Baldessari cria composições à s quais apetece chamar pop-conceptual: pop pelo cromatismo, pelo uso de fotografias retro, pela alternância entre o preto e branco e as cores fortes e pela sobreposição de diversas camadas de materiais diversos e, conceptual, por toda uma reflexão acerca do visual e do discursivo que ultrapassa a imagem em si. Todos sabemos que Baldessari faz mais, e melhor, do que aquilo que ali vemos. Basta pensar no “Baldessari sings Lewitt†ou no “Teaching a Plant the Alphabet†(ambos de 1972) para nos lembrarmos da genialidade do seu nonsense e na qualidade dos seus trabalhos; mas é por isso mesmo, pelo Baldessari ausente, que esta “Noses & Ears, Etc.†vale a pena.
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