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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Vasco Araújo, Trabalhos para nada: O Modelo, 2011. Cortesia: Fundação Carmona e Costa.


Vasco Araújo, Trabalhos para nada: O Modelo, 2011. Cortesia: Fundação Carmona e Costa.


Vasco Araújo, Trabalhos para nada: O Modelo, 2011. Cortesia: Fundação Carmona e Costa.


Vasco Araújo, Trabalhos para nada: O Modelo, 2011. Cortesia: Fundação Carmona e Costa.

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ARQUIVO:


VASCO ARAÚJO

Trabalhos para nada: O Modelo




FUNDAÇÃO CARMONA E COSTA
Rua Soeiro Pereira Gomes, Lote 1- 6º A e D, Edifício de Espanha (Bairro do Rego)
1600-196 Lisboa

16 NOV - 28 JUL 2012


(...) tudo me parece desviado da realidade. [1]




Com curadoria de Luís Serpa, o trabalho que constitui a mostra de Vasco Araújo no Espaço de Artes Decorativas da Fundação Carmona e Costa, em Lisboa, intitulado Trabalhos para nada: O Modelo, partiu de um convite realizado diretamente por Maria da Graça Carmona e Costa e por Luís Serpa (curador e responsável pela arquitetura de interiores do espaço). A proposta dirigiu-se para a criação de uma intervenção, numa parede precisa do espaço de artes decorativas - recentemente remodelado e reestruturado - que cruzasse as artes decorativas (a coleção de porcelanas e faianças da Coleção Carmona e Costa) e a prática artística contemporânea. Foi dada carta branca ao artista para a apresentação do projeto.

A peça criada pelo artista traduz-se numa proposta site-specific que tem como ponto de partida, uma seleção de peças de porcelana e faianças do séc. XVII desta coleção. A sua investigação começa nos motivos e nas personagens que surgem representadas na decoração destas peças que, como é relevado no trabalho do artista, contêm elementos que lhe surgem como dicotómicos, eu acrescentaria, incongruentes. As peças portuguesas criadas com inspiração oriental, neste caso, chinesa, contêm, em essência, os mesmos elementos. No entanto, nas cópias portuguesas os elementos perdem claramente a sua carga simbólica, mantendo apenas o lado decorativo. Vasco Araújo joga com o confronto entre a visão oriental, as narrativas e simbologias retratadas e a perspectiva ocidental, mais restrita e literal, dado cingir-se a uma cópia destes motivos tradicionais chineses, criando uma imagética próxima da oriental, contudo vazia de sentido.

Ao entrar no espaço, é-nos apresentada uma escultura de parede, com dois metros de comprimento, onde Vasco Araújo compila uma série de desenhos, de modelos decorativos retirados das peças da coleção. Estes desenhos, em papel de seda, foram colocados dentro de uma vitrine e apresentados como se de uma mesa de trabalho (a decorrer) se tratasse, criando um jogo de transparências e inúmeras possibilidades no que diz respeito à criação de relações e, porque não, de narrativas. À superfície, um texto pintado a branco, em mandarim, é apresentado sob a forma de diálogo.

É aqui que a peça conquista uma dimensão que ultrapassa a sua forma e a sua presença como escultura: ganha palco e encenação. Ganha a narrativa de carácter simbólico a que Vasco Araújo tanto recorre na sua obra. Este texto apresenta uma conversa entre dois seres, um oriental, outro ocidental. Em debate está a questão tida como ponto de partida e em torno da qual é construída a peça: a diferença interpretativa do mundo entre o ocidente (representado pela Deusa Fortuna) e o oriente (representado por Yong, um mero mortal): para Yong, os elementos têm sempre a si associados uma carga simbólica e daí deriva uma representação particular, no entanto, estas questões não são reconhecidas por Fortuna.

Num primeiro instante, o que ressalta nesta vitrine é o enorme “logótipo” com o nome do artista (um “A” dentro de um “V” na vertical), construído por um pantógrafo de madeira antigo. De seguida, atrai-nos a construção de pétalas artificiais, cuja forma sugere uma flor, o único apontamento de cor da peça: um registo, um pequeno esboço tridimensional que ficou perdido, um modelo para o nada. Depois, deixamo-nos perder dentro da obra, navegando através das transparências, seguindo o traço delicado do desenho, os pormenores que surgem por trás e entre os caracteres opacos presos à superfície. É assim que a peça ganha vida e é assim que ganha sentido, mesmo sendo um projeto por concretizar, um trabalho para o nada.


NOTA
[1] Citação retirada do texto apresentado na peça Trabalhos para nada: O Modelo (2011) de Vasco Araújo.


Patrícia Trindade