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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Eduardo Batarda, Mon Légionnaire, 1972. Aguarela sobre papel. Col. MACS, Porto. Doação do artista. Cortesia: Museu Serralves


Eduardo Batarda, Eat That Chicken, 1973. Tinta-da-china e aguarela sobre papel. Col. MACS, Porto. Fotografia: Filipe Braga, © Fundação de Serralves. Cortesia: Museu Serralves


Eduardo Batarda, King of Action Ptg. (Boletim da Intentona 2), 1974. Tinta-china e aguarela sobre papel, 78 x 59 cm. Col. Laura Luzes, Lisboa. Foto: José Manuel Costa Alves. Cortesia: Serralves


Eduardo Batarda, Reprodução, 1985. Tinta acrílica sobre tela. Col. SEC, Lisboa. Fotografia: José Manuel Costa Alves. Cortesia: Museu Serralves


Eduardo Batarda, Refeitório, 1987. Tinta acrílica sobre tela, 130,8 x 199,5 cm. Col. particular em depósito na Fundação de Serralves − MAC, Porto. Cortesia: Museu Serralves


Eduardo Batarda, Polen: Project for Expansible Building. Plan of Ground Floor, 2009. Tinta acrílica sobre tela, 200 x 160 cm. Col. Manuel de Brito. Cortesia: Museu Serralves


Eduardo Batarda, Polen, 2: Cara de um gajo (4) (Espinafre, pistacchio, caramelo), 2009. Tinta acrílica sobre tela, 200 x 160 cm. Col. Manuel de Brito. Cortesia: Museu Serralves


Eduardo Batarda, Terry, 2011. Tinta acrílica sobre tela, 132 x 98 cm. Col. do artista, Lisboa. Cortesia: Museu Serralves


Eduardo Batarda, Outra vez não − CDG, 2011. Tinta acrílica sobre tela, 132 x 98 cm. Col. do artista, Lisboa. Cortesia: Museu Serralves

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ARQUIVO:


EDUARDO BATARDA

Outra vez não. Eduardo Batarda




MUSEU DE SERRALVES - MUSEU DE ARTE CONTEMPORÂNEA
Rua D. João de Castro, 210
4150-417 Porto

26 NOV - 25 MAR 2012





Para assinalar o Grande Prémio EDP Arte 2007 atribuído a Eduardo Batarda, é apresentada uma exposição antológica/retrospectiva no Museu Serralves até 25 de Março. Outra vez não. Eduardo Batarda com curadoria de João Fernandes e João Pinharanda, dupla representativa da co-produção entre a Fundação de Serralves e a Fundação EDP.


O maior prémio das artes plásticas em Portugal (35 mil euros), tem como missão distinguir “artistas plásticos portugueses, com carreira historicamente significativa, desenvolvida em Portugal ou no estrangeiro e cujo trabalho tenha contribuído para afirmar historicamente as tendências estéticas contemporâneas” [1]. De acordo com este princípio foram já premiados ao longo dos últimos dez anos Lourdes Castro (2000), Mário Cesariny (2002), Álvaro Lapa (2004) e Jorge Molder (2010).


Este vai sofrendo ciclicamente alterações quer de periodicidade, passando de bienal para trienal, como da constituição do júri, que em 2007 foi composto por: Alexandre Melo (Professor e Crítico de Arte), António Mexia (Presidente do Conselho de Administração Executivo da EDP), Eduardo Lourenço (Professor e Ensaísta), João Marques Pinto (antigo Presidente da Fundação de Serralves e Coleccionador), João Pinharanda (Crítico de Arte e Consultor da Fundação EDP), Raquel Henriques da Silva (Professora e Historiadora de Arte) e Vicente Todolí (antigo Director do Museu de Serralves e actual Director da Tate Modern de Londres).


A valorização do trabalho de Eduardo Batarda é agora expressa, com alguns atrasos, através de elogios justificativos da escolha. Citando João Pinharanda e António Mexia, Batarda é um artista com uma cultura vasta e global, uma obra complexa, um dedicado professor e um cidadão construtivamente “crítico”.


A exposição apresenta-se de estrutura simples, coesa e com poucas intervenções no espaço, desenrolando-se pela ala poente do terceiro piso. O percurso não se impõe, é optativo, preocupando-se com o peso da estrutura cronologia, e promovendo uma necessária tomada de consciência pela visão global da carreira do artista, manifestada através dos jogos que compõem o trabalho, da coesão entre os tempos, mas também nas diversas retomas, rupturas e transições.


Objectivamente a exposição encontra-se dividida em quatro espaços. Em cada um é estabelecido um período temporal que funciona como base predominante, interceptada pontualmente por obras de outros períodos cronológicos. Simultaneamente ao longo de toda a exposição, é perceptível a sistemática presença de dispositivos coloridos que apresentam obras sobre papel do início dos anos 70. Dúbios quanto à sua mobilidade e quanto ao propósito da forma, os dispositivo insistem na movimentação do espectador, materializando subtilmente os cruzamentos de linguagens que foram acontecendo ao longo do percurso do artista, dando especial insistência à produção dos anos 70 como alicerce para tudo o resto.


Eduardo Batarda (1943), formou-se em Pintura na Faculdade de Belas Artes de Lisboa (1963-1968) e mais tarde, com uma bolsa Fundação Gulbenkian, frequenta a Royal College of Art em Londres (1971-74), regressando a Portugal em 1974. As suas primeiras obras propõem a fragmentação da imagem, várias cenas numa cena só, com influência directa da Banda Desenhada (BD) de estrutura narrativa organizada, com trabalho da mancha e gradação da cor. Poucos são os anos em que trabalha a óleo sobre tela, optando posteriormente pelo acrílico e pela aguarela. Ambas as técnicas transportam consigo a mais valia de terem um baixo custo, facilitando a produção, mas também questionando as técnicas mais usadas pela comunidade artística.


O desenho ao longo da década de 70 sofre transformações, passando a ser apertado, controlado e contido, evoluindo para um trabalho de pormenor cada vez mais pequeno, de difícil visualização, que se sobrepõe num caos visual, num horror ao vazio. Um trabalho que se traduz num perspicaz, crítico, acutilante e satírico retrato da sua actualidade. A introdução da palavra, inevitável na ligação à BD, ganha com a riqueza dos signos e códigos – visuais e linguísticos –, propondo novas redes de associações, que multiplicam as perceptivas de leitura e de abordagem.


Na década de 80 (prolongando-se até a meados dos anos 90) o artista assume uma consciente necessidade de ruptura, desenvolvendo um trabalho contrário ao anterior. Numa tendência que se situa entre o abstracto e o confronto directo com elementos concretos, de subtil variação cromática, sem desenho preparatório, um conjunto de riscas curvas sobrepostas entrelaçam-se de forma cada vez mais complexa. Numa busca pela harmonia na improvisação formal e na experimentação, uma estreita simbiose com a música, elemento que tem forte presença em toda a sua vida, fazendo-se ouvir pela exposição.


Na transição entre os anos 90 e 2000 a linha sofre um alargamento, passando à mancha opaca e única, protagonista sobre um fundo contrastante. A mancha é curvilínea, orgânica, fálica, no limbo entre o abstracto e concreto, num caminho para a simplificação formal que culmina no vazio.


Entre 2004 e 2008 Eduardo Batarda opta por não produzir, numa atitude consciente e de profundo questionamento do trabalho de 30 anos, reflectindo a posição do artista numa sociedade que não lhe obriga legalmente a parar, muito pelo contrário, a velhice ou invalidez não é posta em causa. É precisamente nos últimos anos de trabalho que os artistas mais vendem, principalmente pela indiscutível legitimação e por uma crítica que dificilmente é negativa, premissas que reduzem drasticamente o risco de investimento. Desde 2009 volta a produzir, complexificando o trabalho feito até 2004, por meio da multiplicação das manchas que se sobrepõem de uma forma confusa e do retorno à palavra.


Outra vez não. Eduardo Batarda espelha um trabalho encadeado por fases, períodos, tempos e momentos, construído como um todo, o que demonstra uma inviabilidade de fragmentar a sua abordagem. Uma obra reflexiva da consciência e maturação, de um apurado sentido crítico que o obriga a colocar-se em causa permanentemente, muitas vezes em tom autoderrogatório de negação irónica, provavelmente uma ferramenta de defesa que se antecede à crítica, atitude própria de quem a conheceu por dentro.




Notas

[1] www.tinyurl.com/7hp5qt5


Flávia Violante