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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Yonamine, Sem título, 2010. Técnica mista sobre tela. 180 x 180 cm


Yonamine, How To Tame a Dragon, 2012. Tinta-da-china sobre papel. 170 x 1100 cm


Yonamine, How To Tame a Dragon, 2012. Tinta-da-china sobre papel. 170 x 1100 cm


Yonamine, China International Finance, 2012. Instalação. Dimensões varáveis


Yonamine, Can, 2010. 12 monitores tv, som, cor, loop. Dimensões variáveis. Ed. 1/3


Yonamine, La Carpa, 2011. Tenda, projeção de slide. Dimensões variáveis


Yonamine, Sem título, 2010. Técnica mista sobre tela. 180 x 180 cm

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ARQUIVO:


YONAMINE

Só China




CRISTINA GUERRA CONTEMPORARY ART
Rua Santo António à Estrela, 33
1350-291 Lisboa

22 MAR - 09 MAI 2012


Yonamine (Luanda, 1975) tem desenvolvido, desde 2004-05, um trabalho atento à proliferação e circulação dos signos (sobretudo visuais e linguísticos) no contexto do mundo globalizado e ao modo como participam da própria vida. Este dado surge equacionado na sua prática artística através do uso de vários media e de processos que, resultando de experiências recolhidas em viagens e deambulações, recuperam estratégias ligadas à história das vanguardas: a acumulação, a reciclagem, a sobreposição, a apropriação, a rasura ou a deslocação.


Na sua exposição individual mais recente – Só China – Yonamine reúne um conjunto de trabalhos realizados entre 2010-2012, período em que viajou por Angola, Moçambique, Portugal, Colômbia, China e Austrália. Nestes trabalhos, o artista retoma as suas premissas iniciais com um sentido crítico sobre o presente, já que os processos de deslocação de signos em jogo nas obras apresentadas indagam as tensões entre as lógicas de poder institucionalizadas e o domínio da experiência, não descurando os lugares do corpo que daqui decorrem, nem os substratos culturais reprimidos.


Não é por acaso que nesta exposição Yonamine elege a tatuagem como meio privilegiado de problematização daquelas questões, sobretudo se atendermos às suas relações com as práticas da escarificação corporal ou do graffitti de rua, hoje proibidas em alguns contextos, mas também às suas propriedades técnicas indexativas que possibilitam a fixação de signos provenientes das mais diversas esferas (política, económica, religiosa, cultural...).


Duas das instalações expostas, La Carpa e Can, constituem o ponto de partida das investigações de Yonamine em torno da tatuagem. A primeira realizada na Colômbia, em 2011, consiste numa tenda de campismo que serve de dispositivo para uma retroprojeção de slide. Olhando para a imagem, do lado de fora da tenda, lemos a palavra coca escrita com um grafismo que mimetiza o logótipo da bebida coca-cola através de um tracejado que parece ser de cocaína. Porém, estamos perante um jogo ótico. Não se trata de uma imagem que representa uma palavra escrita a cocaína, mas antes da projeção de uma folha de coca com pequenas perfurações que formam a palavra coca, introduzindo uma tautologia entre a superfície e o referente.


Ao lado desta peça, encontramos Can, uma vídeo-instalação, de 2010, composta por 12 monitores expostos em sequência na parede. Em cada imagem, um par de mãos fura latas de bebidas usadas com compassos e agulhas à medida que grava nas suas superfícies o desenho das respetivas marcas. A par da sonoridade lenta e insistente da perfuração, o gesto, representado em close-ups, acaba por repetir o ritual da transformação de latas em cachimbos de crack. A referência a Hélio Oiticica é imediata em ambos os trabalhos. Mas para além da cocaína entrar nos trabalhos de Yonamine como um possível símbolo de contracultura e resistência ao poder americano, não deixa também de ser perscrutada à luz das contradições que governam o seu mercado ilícito e que se inscrevem diariamente nos corpos.


A Yonamine interessa-lhe também trabalhar estas superfícies, sejam elas folhas de coca, latas, jornais, paredes, peles, como lugares onde se imprimem conflitos de poder interrogados por jogos semânticos, resultantes da sobreposição e articulação de palavras, imagens, desenhos ou símbolos desviados de diferentes fontes referenciais. Assim é o caso da instalação How to Tame a Dragon, 2012, um grande mural feito a partir de folhas de jornal chinês com inscrições desenhadas a tinta-da-china. O efeito geral obtido é o de um painel de informação caótico, sobre o qual se cruzam signos autónomos que introduzem sentidos problematizadores e inesperados sobre os dados do mundo. Anúncios de prostituição convivem com desenhos alusivos ao património artístico do Vaticano, vestígios de assassinatos com cenas de censura, tatuagens de dragões com tatuagens de motivos tribais. E, se por vezes, os desenhos ocultam o texto das notícias, avançando com nova informação, por outras, é o conteúdo das notícias chinesas que preenche os seus fundos, “tatuando-os” com a sua escrita. Entre ocultações e transparências, vai-se desvelando o aparecimento e disseminação geográfica da nova ordem económica que vivemos: Só China.


A par deste mural, outra instalação interroga com humor a substituição do poder económico americano pelo chinês. Com recurso a notas de dólar e yuan falsas, produzidas na China, Yonamine cria um logótipo de parede para uma organização inventada por si e cujo nome se apropria da marca de um produto popular de limpeza: Cif – China International Finance.


Da exposição destacam-se ainda duas pinturas de 2010 que contrastam com o efeito de saturação experimentado nas instalações. A textura crua das telas é deixada a descoberto, sugerindo uma pele povoada por pequenos grafos e imagens que registam a memória de lugares, culturas ou práticas vivenciais. Pequenas percepções, poderíamos dizer, que nos situam aqui perante uma prática artística que se realiza também no encontro entre camadas espaço-temporais heterogéneas e em conflito.



Sofia Nunes