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EXPOSIÇÕES ATUAIS


John Baldessari, Teaching a plant the alphabet, 1972. Vídeo


John Baldessari, Walking Forward-Running Past, 1971. Vídeo


John Baldessari, Baldessari Sings Lewitt, 1971


John Baldessari, Six Colourful Tales: From The Emotional Spectrum (Women), 1977


John Baldessari, 6 Colorful Inside Jobs, 1977


John Baldessari, Two Colorful Melodies, 1977

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ARQUIVO:


JOHN BALDESSARI

Video works 1970-1977




VAN ABBEMUSEUM
Bilderdijklaan 10
5611 NH Eindhoven

18 FEV - 31 DEZ 2012


John Baldessari (n. 1931) vive em Santa Monica, na Califórnia. Desde a sua primeira exposição individual em 1968, na Molly Barnes Gallery, em Los Angeles, John Baldessari realizou um grande número de mostras de entre as quais se destaca a grande exposição retrospetiva e itinerante da sua obra John Baldessari: Pure Beauty, na Tate Modern, em Londres (2009), que viajou para o Los Angeles County Museum of Art (2010) e mais tarde para o Metropolitan Museum of Art, em Nova Iorque (2011), assim como para o Museu d’Art Contemporani de Barcelona.


Atualmente, o Van Abbemuseum apresenta, até ao final do ano, 23 vídeos de John Baldessari, dos anos 70, adquiridos para a sua coleção, trabalhos fundamentais para o entendimento e história da arte vídeo. John Baldessari foi um dos primeiros artistas a trabalhar o vídeo como medium primordial, afirmando num desses trabalhos de 1971: “I am making artâ€, movendo o seu corpo e repetindo incansavelmente esta frase, numa irónica alusão à body art e à performance, movimentos que o artista ironiza cabalmente nos seus vídeos.

Em 1968, o ateliê de John Baldessari era um cineteatro abandonado em San Diego. E esta ligação ao cinema concretizou-se também quando cedo começou a ensinar e dizia aos seus alunos que o artista visual mais importante dos anos 60 não era Andy Warhol, nem Jasper Johns, mas o realizador da Nouvelle Vague francesa Jean-Luc Godard, que quebrou com os códigos tradicionais da narrativa cinematográfica.

Em 1970, queimou todas as pinturas que realizou entre 1953 e 1966, algumas foram cozinhadas em bolachas e colocadas numa urna, resultando na instalação The Cremation Project. A palavra de ordem a partir de agora era “experimentarâ€. Tudo era possível, e essa possibilidade não passava pela pintura.

No mesmo ano em que proclamava “I am making artâ€, Baldessari escrevia num bloco de notas vezes sem conta, durante trinta minutos: “I will not make any more boring artâ€, ironizando desta vez o próprio processo de criação do vídeo.

Muitos dos seus vídeos vivem próximo de parábolas e alegorias, em que a palavra tem um papel central, permitindo uma análise freudiana de associação inconsciente, verbal ou escrita, das palavras; ou, outras vezes, estamos mesmo perante jogos de palavras dadaístas e surrealistas. Em Teaching a Plant the Alphabet (1972), Baldessari mostra as letras do alfabeto a um vaso com uma planta, repetindo cada letra do alfabeto à planta.

Os vídeos de Baldessari espelham deste modo o seu trabalho com o texto, mas também com a fotografia. Art Disaster (1971) procura essa ironia ao estabelecer a relação entre a expressão “Art Disaster†(recortada de um jornal) e uma série de imagens que o artista vai colocando por baixo deste título, e tão diversificadas como a representação de um pôr do sol, ou de um autorretrato de Cézanne, ou uma fotografia de uma palmeira. Estas relações, de alguma forma inconscientes, foram inicialmente concretizadas pelos artistas surrealistas.

A relação da fotografia mas com a imagem em movimento está expressa no vídeo Walking Forward-Running Past (1971). Numa sequência rápida de um conjunto de fotografias de Baldessari a correr em direção à câmara, “walking forwardâ€, e de seguida imagens a correr mais afastado da câmara, “running pastâ€, o artista permite visualizar a experiência do movimento cinemático, jogando, simultaneamente, com a imagem parada da fotografia e os movimentos de corrida que ela mostra.

Os limites da arte minimal e da arte conceptual são muitas vezes questionados por Baldessari. Por exemplo, trabalha uma vertente fundamental da arte minimal, em mais um dos seus exercícios conceptuais: em Folding Hat (1970-71), um chapéu ganha variadas formas, quando é dobrado e torcido uma série de vezes. Contudo, o chapéu nunca deixa de ser reconhecido como tal, ou seja, nunca perde o seu “hatness†– não deixa de ser chapéu. Baldessari utiliza o som como um vetor fundamental no vídeo, quando Baldessari Sings LeWitt (1972), retirando de catálogos de exposições do artista minimalista Sol LeWitt frases “escondidas há muito tempo†– segundo Baldessari – e canta-as com tons de música popular americana.

Narrativas com humor, investigações irónicas da perceção, da interpretação, como se apresenta no vídeo-perfomance Police Drawing (1971), em que o artista entra numa sala cheia de alunos e depois sai, sem que nenhum dos alunos o tenha visto anteriormente; de seguida um “artista-polícia†entra na sala e desenha Baldessari mediante a descrição dos alunos. Já de 1977, Six Colourful Tales: From The Emotional Spectrum (Women) apresenta seis mulheres que falam em incidentes do seu passado, narrativas surreais. Baldessari muda a cor do fundo da imagem onde elas estão a ser filmadas, conforme o seu estado emocional ao contar a história.

Em suma, na Torre do Van Abbemuseum, estamos perante um conjunto de vídeos que expressam exercícios conceptuais, que questionam o público sobre a linguagem, a narrativa, ou o sentido e não sentido da produção artística. Metafórica ou ironicamente, os vídeos de Baldessari apresentam uma profunda reflexão sobre a arte e a história da arte.


Patrícia Rosas