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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Vista da exposição


Jorge Queiroz, S/título, 2009


Jorge Queiroz, S/título, 2009


Jorge Queiroz, S/título, 2011


Jorge Queiroz, S/título (grupo de 6 desenhos), 2009


Jorge Queiroz, S/título (grupo de 6 desenhos), 2009


Jorge Queiroz, S/título, 2011. Coleção particular, Paris


Jorge Queiroz, Debaixo das pedras da calçada, a praia!, 2012

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ARQUIVO:


JORGE QUEIROZ

Debaixo das pedras da calçada, a praia!




FUNDAÇÃO CARMONA E COSTA
Rua Soeiro Pereira Gomes, Lote 1- 6º A e D, Edifício de Espanha (Bairro do Rego)
1600-196 Lisboa

20 OUT - 02 FEV 2013


Debaixo das pedras da calçada, a praia!. “Uma frase que o Maio de 68 relembrou e que não creio andar longe de nos dizer que a vida é curta, a arte é longa, a ocasião fugitiva e o julgamento difícil. (...) Espaço de mudança incerto, duração de vida que não é mais do que um sopro, existência e lugar em que se vive de recursos, dia-a-dia, mais escassos; tempo presente que pesa e se desfaz, ponto vital de um corpo sobre o qual recai a ação de separar: o processo, o desenlace.” [1]


Desenho. O desenho é, em Debaixo das pedras da calçada, a praia!, transversal a toda a exposição. A linha do lápis, desenhada quase compulsivamente, como uma necessidade ininterrupta, atravessa as salas, os desenhos, saltando de moldura em moldura, de parede em parede.


Jorge Queiroz reúne, nesta exposição na Fundação Carmona e Costa, obras realizadas de 2009 a 2012. Algumas já mostradas fora de portas, em Bruxelas e Madrid, outras inéditas, como é o caso do padrão criado pelo artista, materializado no espaço sob a forma de um papel de parede que invade o espaço e sobre o qual são apresentados a maioria dos trabalhos.


Fantasia. A fantasia, o sublime, o extraordinário e o híbrido. A obra de Jorge Queiroz remete-nos para o universo do fantástico, de narrativas perdidas e achadas, de fragmentos e pormenores, de figuras e fantasmas, entre paisagens oníricas e desertos obscuros.


Em 2007, João Fernandes escreveu sobre o trabalho de Queiroz referindo a forma como o artista cria “(...) figuras e situações associam humor e tragédia, referências reconhecidas e narrativas extraordinárias, num uso surpreendente do desenho como suporte para as suas ficções visuais não narrativas. O confronto entre densidade e dispersão origina em cada desenho um caleidoscópio particular que filtra a realidade para um novo universo de transgressão humorística. Cria um efeito barroco na justaposição de motivos e referências.” [2]


O universo surrealista, do qual Queiroz herda algumas das suas mais marcantes características, traz consigo uma forte carga simbólica e subjetiva. As personagens e estórias que narra fogem do domínio da linguagem e do tangível, estabelecendo tempos e espaços que se perdem entre fundo e forma, entre todos e pormenores, revirando interiores e exteriores.


Não sendo uma exposição extensa, é, em compensação, rica e densa. Em cada desenho, o observador perde-se na sobreposição das técnicas do desenho e da pintura a guache, na linha e na mancha, na luz e na sombra, na forma e no vazio.


Na primeira sala, uma espécie de antecâmara, em que sob um fundo limpo, cinza, vemos as primeiras propostas e somos observados pelo grande olho que espreita de um recorte sobreposto a um fundo quente, onde a linha, que cai, se dilui e é apagada. Depois deste primeiro encontro ou preâmbulo, passamos o corredor para as salas subsequentes, e, repentinamente mudamos de ritmo. A partir daqui, o ritmo torna-se esmagador: o ritmo do padrão do papel de parede – pungente - marca o passo e dá a ver as restantes obras. Agora, com a sensação de que afinal há uma narrativa, mesmo que quebrada, sem um fio condutor, a exposição começa.


As três salas conjugam uma série de quinze desenhos e duas fotografias. Na primeira, deslocamo-nos entre o quente e o frio, entre o amarelo e o azul, entre o vazio e os palcos onde criaturas híbridas narram momentos parados no tempo.


As diferentes escalas das figuras, os desequilíbrios, as pequenas e grandes deflagrações de cor e os jogos de linhas e manchas, marcam a segunda sala, que inclui uma série de seis desenhos que conjugam uma terceira técnica, a gravura.


O artista guardou o melhor para o fim. Na última sala, nas obras legendadas com o número 15 e 16, o culminar da exposição: a primeira, (como todas as outras, sem título), reúne, numa associação de diversos elementos e ambiências, uma geografia diferente das anteriores. Aqui, entre o traço fino do lápis, a tinta, a barra de óleo, a grafite e o guache, numa espécie de metamorfose, as figuras, ou os fragmentos de figuras, conjugam-se confundindo forma e fundo, dando origem a uma paisagem perdida no espaço, incomensurável, da folha de papel. A segunda, que dá título à exposição, e que surge como sua imagem, é, curiosamente, uma impressão digital. É uma escolha inusitada, por ser, em tudo distinta das demais obras apresentadas, não obstante, ela inclui o fio condutor que as une – o desenho, ou melhor, o lápis. Nesta imagem, o lápis é figura central. Atravessa a imagem, não através do seu traço, mas através da linha horizontal do seu corpo.


Jorge Queiroz cria através do desenho, um repositório de memórias. Um arquivo de ficções, fragmentos, sonhos. Registos que sobrepõem e acumulam gestos, vazios, figuras e lugares. Cenários que deixam perceber outros dentro deles e palcos de papel onde não existem hierarquias, apenas riscos.



NOTAS

[1] João Miguel Fernandes Jorge, “A Arte do Desenho em Jorge Queiroz” in Jorge Queiroz: Debaixo das pedras da calçada, a praia!. Lisboa: Documenta/ Fundação Carmona e Costa, 2012, p. 6.

[2] Jorge Queiroz / concepção João Fernandes; coord. Maria Ramos, [apresentação] João Fernandes; [texto] João Fernandes. - Porto : Fundação de Serralves, cop. 2007


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