|
|
ANISH KAPOORKapoor in BerlinMARTIN-GROPIUS-BAU Niederkirchnerstraße 7 10963 Berlin 18 MAI - 24 NOV 2013 Originalmente, a Martin-Groupius-Bau, desenhada por Heino Schmieden e por Martin Gropius (tio-avô de Walter Gropius, o fundador da Bauhaus) construÃda no estilo Renascentista, abriu ao público em 1881 como Museu de Artes Aplicadas. Localizada junto à sede da polÃcia secreta nazi – Gestapo, também se encontrava ao lado do Muro de Berlim, zona que atualmente alberga a Topografia do Terror, uma exposição ao ar-livre que documenta aquela zona. Nas últimas semanas da II Guerra Mundial grande parte da casa foi destruÃda, e a sua reconstrução começou em 1978, depois de ter sido considerada monumento histórico, graças à intervenção de Walter Gropius. Em 1981 abriu ao público designada de Martin-Groupius-Bau. Anish Kapoor (Mumbai, 1954) nasceu e viveu na Ãndia, sendo filho de mãe iraquiana-judia, e pai hindu; viveu ainda em Israel num kibutz quando tinha 16 anos, e foi estudar Escultura para Londres em 1973, vindo a receber o Turner Prize em 1991. Manteve-se desde então a viver na capital britânica. Todo o seu trabalho em escultura envolve uma relação e estruturação com o espaço, e é em torno do objeto, do seu estado matérico e formal, que se desenrola a exposição Kapoor in Berlin. Espalhada por uma série de galerias em torno do átrio principal, são apresentadas 70 obras de Kapoor, produzidas entre 1988 e 2013. Metade dos trabalhos apresentados foram realizados especificamente para a exposição e essa é uma particularidade que traduz a mostra de Kapoor em Berlim: não estamos diante de uma retrospetiva, mas antes de um momento crucial no trabalho do artista. A referência a Berlim na exposição de Kapoor, e ao próprio museu, surge logo no átrio ocupado pela grande Symphony for a Beloved Sun (2013): obra-homenagem a Joseph Beuys (1921-1986), que apresentou, precisamente, em 1982, o seu estúdio, no átrio do museu. É impossÃvel fugir à História de Berlim e da Alemanha, quando no silencioso átrio do museu, Kapoor propõe uma enorme escultura composta por quatro correias transportadoras direcionadas para o céu que carregam blocos de cera vermelha, que são repetidamente atirados para o chão do átrio produzindo um som de queda e esmagamento, de morte. Este processo mecânico sonoro e desproporcional tem lugar sob a égide de um grande disco vermelho que pelas suas caracterÃsticas provoca uma total desmaterialização do espaço arquitectónico, e que simbolizando o sol pode ter dois significados: a suástica adotada pelos nazis, ou o Sol, do deus hindu Surya, sÃmbolo de bons auspÃcios ou agouros. É possÃvel encontrar outras possÃveis influências de Kapoor na construção desta obra. No The Weather Project de Olafur Eliasson (apresentado no Turbine Hall da Tate Modern) há semelhanças estéticas e formais na representação do Sol. Ou ainda Kapoor pode ter sido inspirado pelo construtivismo de El Lissitzky, que foi por sua vez inspirado na Victory over the Sun de Malevich, uma “ópera futurista†apresentada no Luna Park, em São Petersburgo. A teatralidade desta ópera relaciona-se com o ato performativo proposto por Kapoor, tratando-se assim de um teatro escultórico em processo. Numa perspetiva existencial, o peso e a leveza resumem as esculturas de Kapoor. Numa perspetiva filosófica, a de Bachelard, o vazio e o cheio, na ideia de que um não é intelÃgivel sem o outro, resume a inteligibilidade do trabalho de Kapoor. Já os materiais – ou a matéria objetual – utlizados por Kapoor são os denominadores principais destes opostos e também eles se confrontam, pois tanto são naturais como artificiais: pedra, plástico, resina sintética, terra, aço, cimento, madeira e cera. As esculturas em pedra, de 1997, transportam o vazio e relembram os buracos negros, tal como o aparente buraco negro no chão Descent into Limbo (2013); os grandes objetos de resina, Gethsemane (2013), mostram as entranhas mais fundas; Apocalypse and the Millennium (2013), em terra e resina, apresenta a destruição final; as obras em cimento, em formas arcaicas, lembram o mundo natural das conchas incorporadas nas rochas no mar. The Death of Leviathan (2011-2013), em PVC castanho, ocupa três galerias numa enorme e leve estrutura de plástico maleável, representado o bÃblico monstro do mar Leviathan utilizado por Thomas Hobbes como metáfora do poder do Estado. A cor vermelha, muito usada na sua terra natal, a Ãndia, onde é utilizado um pó vermelho brilhante nos objetos decorativos dos templos indianos ou das estupas budistas, é aplicada por Kapoor em objetos cortantes perfurados com instrumentos de madeira, que cria uma espécie de sala de tortura, como em Up Down Shadow (2005) ou no enorme sino que roda lentamente. O uso do vermelho permite mostrar outras formas através do pigmento, tal como acontece em Shooting into the Corner (2009), em que um canhão dispara bolas de cera vermelha para um canto da sala, manchando as paredes, numa violência sangrenta. Os espelhos em aço polido e brilhante são alterados na sua forma e criam um espaço através da ilusão: são concânvos ou convexos, como em Non-Object (Door), 2008, Non-Object (Oval Twist) , 2013, Non-Object (Square Twist), 2013. Em Vertigo (2008), nos efeitos de reflexo do visitante ou no espaço que o envolve acontece a distorção, é igualmente criada uma sensação de vertigem que faz lembrar as imponentes esculturas de Richard Serra. A ilusão ótica é uma ideia que está presente desde o inÃcio no trabalho de Kapoor, como em When I am Pregnant (1992), aqui apresentada, em que uma protuberância pintada de branco sobresai da parede branca. E neste sentido, o próprio artista resume e esclarece perfeitamente esta perspetiva: “For me, illusion is more true and more rich in ideas than the real, art is about many things that are not before our eyesâ€.
|




















