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COLECTIVA12 Contemporâneos: Estados PresentesMUSEU DE SERRALVES - MUSEU DE ARTE CONTEMPORÂNEA Rua D. João de Castro, 210 4150-417 Porto 15 FEV - 11 MAI 2014 12 ContemporâneosSão 7 homens e 4 mulheres nascidos entre 1973 e 1984 e uma dupla (Marta Baptista e João Alves) formada em 2006. São da mesma geração. Naturais de Chapel Hill (Carolina do Norte, EUA), Lisboa, Almada, Cascais, Guimarães, Coimbra, Vila Nova da Barquinha, Leiria, Espinho, Porto; estudaram Cinema, Artes Visuais, Belas Artes, Artes Plásticas, Artes/desenho, Pintura, Escultura, Práticas Artísticas Contemporâneas, Cultura Contemporânea e Novas Tecnologias em Nova Iorque, Paris, Tourcoing (França), Lisboa, Londres, Caldas da Rainha, Lund (Suécia), Carrara (Itália), Guimarães, Dublin, Roterdão, Porto e Frankfurt; e participaram em residências em Antuérpia, Paris, Nova Iorque, Bristol, Lisboa, na Flórida, em Berlim, Londres, Grenoble (França) e Porto. Vivem e trabalham em Lisboa, Boston (EUA), Porto e Berlim. São vizinhos. Os seus trabalhos têm sido vistos em Cambridge e Boston (Massachusetts, EUA), Paris, Guimarães, Lisboa (quatro deles expuseram na Chiado8 Arte Contemporânea, dois com curadoria de Bruno Marchand), Cluj-Napoca (Roménia), Praga, Varsóvia, Oslo, Basileia, Porto (quatro deles expuseram com Serralves), S. Paulo, Sidney, Berlim, Rio de Janeiro, Vigo, Madrid, Genéve, Estocolmo, Limerick (Irlanda), Barcelona, Istambul, Santiago de Compostela, Milão, Londres, Bremen (Alemanha), Vila Franca de Xira, Zurique, Gyeonggi-do (Coreia do Sul), Viena, Vila do Conde, Riga (Lituánia), Braunschweig (Alemanha) e Vila Nova de Cerveira. Dentro deste grupo, sete artistas participaram, e três deles foram vencedores (em 2009, 2011 e 2014), do “Prémio EDP Novos Artistas”. São contemporâneos. Os mais jovens, um nasceu nos EUA e vive em Lisboa, é co-fundador da produtora de filmes A Mutual Respect; o outro, nasceu em Lisboa e vive em Berlim, desenvolve actividade como artista, designer gráfico e editor, estando ligado à editora Atlas Projectos e à editora discográfica Palmario Records. Os residentes no Porto são ou foram responsáveis por projectos ou espaços artísticos alternativos como Uma Certa Falta de Coerência, o espaço expositivo Salão Olímpico, o espaço independente PêssegoPráSemana, o project room Mad Woman in the Attic, ou o estúdio de artes gráficas colectivo Oficina Arara. As obras nesta mostra foram criadas entre 2009 e 2014 e vão da pintura aos dispositivos espaciais com som e imagem, passando por cerâmica, música, vídeo, cinema, performance, instalação e escultura e edição gráfica. Usam-se as paredes, chão, tecto, rampa, corredores, recantos, cadeiras, bancos, mesas, salas pequenas, salas grandes, sala de mármore, biblioteca e hall do Museu de Arte Contemporânea de Serralves.Para a exposição foi feita uma brochura de 64 páginas, bilíngue (português/inglês) com a particularidade de terem sido impressas capas e contracapas diferentes combinando diferentes imagens das obras expostas. Esta edição, bastante esclarecedora, acompanha o visitante que a solicitar. Inclui um texto de introdução assinado pelos curadores, pequenos textos sobre o trabalho de cada artista (assinados igualmente, por Suzanne Cotter e Bruno Marchand, e Filipa Alfaro), imagens e mapas das diferentes salas, uma lista de obras expostas e informação sobre o programa que acompanhará a exposição: visitas, performances, filmes e o simpósio “Exposições colectivas: Uma reflexão crítica”. Está prevista também a publicação de um catálogo em formato de antologia que incluirá textos seleccionados pelos artistas desta exposição. Estas referências, legados da sua aprendizagem, estão assimiladas no pensar e no fazer destes artistas. Se há futurologia na arte é no transporte do passado ao presente. ESTADOS PRESENTES Quem legitima quem? Uma Fundação, a outra. A exposição legitima o museu, os mecenas, os curadores e os artistas. O museu legitima as escolhas dos curadores. Os curadores, os artistas. Os artistas, os curadores. Os artistas, os museus. Os artistas, as exposições. A arte - quem legitima, é o tempo. Somos todos contemporâneos. E a crítica, na minha opinião, opera sobre os corpos, o tempo, o espaço e a reflexão que os une. Sobre esta exposição: numa primeira análise, salta à vista a fragilidade da peça exposta no hall The Astronaut Metaphor (Pedro Barateiro, 2013), cuja estaticidade totémica vai sendo abalroada pelos seus contemporâneos à medida que vamos encontrando objectos sujeitos a abordagens que, ao invés de perpetuarem pela apropriação da sua memória (individual ou de um quotidiano colectivo), testam e agem sobre o seu valor imaterial. A observação seguinte tem um travo de malícia e vai para um certo provincianismo do texto da Fundação EDP que se encontra à entrada das salas da exposição, e para as coincidências - Ana Santos e o André Sousa partilham a primeira sala e são dois artistas que cruzaram o “Prémio EDP Novos Artistas”, experiência anterior com Serralves e passagem pela Chiado8 Arte Contemporânea. Resistindo a estas impressões, é possível entrar na viagem. A disposição das obras e a circulação fluida pelos espaços proporcionam a imersão na profundeza das propostas dos artistas que com subtilezas ora nos agarram, ora nos libertam e conduzem até à saída. Na primeira sala, as delicadas peças de Ana Santos exalam o seu feitiço e ao serem designadas “s/ título” abrem-nos os pulmões. Assim, abertos, podemos ver melhor e ser menos pequenos perante a Parábola (André Sousa, 2014) na mesma sala. Fica claramente enunciada a ideia de referencial pessoal (dos artistas e do público). Se optarmos por seguir em direcção ao piso inferior, a passagem para a sala seguinte faz-se através da rampa onde somos literalmente envolvidos pela instalação Why Railways? (Carla Filipe, 2009-10). A travessia pelos 15 elementos suspensos e a forma como estão dispostos obrigam-nos a acelerar o ritmo da percepção visual (sensação semelhante à de um trajecto numa estação de transportes cheia de gente). O trabalho prolonga-se pelas paredes que se seguem e conduz-nos pela pesquisa da artista (n. 1973) sobre a história de empresas de ferrovias em Portugal, França e Grã-Bretanha. No mesmo espaço, deparamo-nos com Zetesis (Nuno da Luz, 2009-14), uma espécie de manta prateada elevada do chão. Se seguirmos o impulso de a habitar, abrigando-nos debaixo dela, teremos a experiência completa desta “arquitectura do conhecimento”. [Descubra o manual de sobrevivência que se encontra na sala.] O recanto seguinte transformou-se em sala acolchoada onde se pode ver cinema como nos filmes, com as sombras das pessoas que entram e saem passando pela frente do ecrã. Liberdade (Gabriel Abrantes & Benjamin Crotty, 2011) com imagens planas que nos envolvem pelo halo da sua luz (quase cheiro) vê-se até ao fim. Descendo as escadas somos surpreendidos por objectos em materiais pobres instalados no mármore daquela sala nobre. Dar o braço, receber a mão (Mauro Cerqueira, 2014), cola-nos ao chão - queremos sair e ficar ao mesmo tempo. É-se pequeno de vistas quando se fica pelo voyeurismo das histórias e dos lugares (aqui voltamos a mudar de tamanho). As pinturas de Sónia Almeida nas paredes e Os seres sensíveis nos mundos da forma e do mundo do desejo (Sérgio Carronha, 2010-12) transformam esta sala num gabinete de curiosidades, entre os fosseis e a colecção de borboletas coloridas. Na pequena sala anexa, A Condução Cega dos !Von Calhau! é uma experiência telúrica a que se acede pelo não ver (aprendermos a ser doninhas). É preciso dar tempo aos nossos olhos (boca, ouvidos e coração) para que se adaptem à pouca luz. Depois desta espécie de rito iniciático privado, ao som cadenciado de um tambor abafado, o mistério é revelado. Tudo é visível dentro daquela espécie de caverna, inclusive a reacção das pessoas na entrada quando são deparadas com o escuro (p.f., não liguem as lanternas dos telemóveis que cegam quem está dentro) – esse é o lado tribal do público (e ao Domingo de manhã é quando a tribo se junta). Saindo em direcção a uma seguinte encontramos um nocturno plástico negro pendurado com marcas das dobras e tinta e outro mar esticado no chão que nos fazem perguntar se aquilo é. O segurança ali de pé vai dizendo que ainda é… mas depois não há mais nada. Subindo, regressando à casa de partida, podemos recomeçar e ir pelo outro lado. Nas pequenas salas a seguir à entrada na exposição estão as peças de Priscila Fernandes (começa-se pela subtil Sem título (remake) (2010-14) e seguem-se duas vídeo projecções que nos deixam sem saída. Há que recuar para sair e ir à biblioteca (mesmo à beirinha dos livros) e com olhos afiados descobrir o arquivo de destruição que Pedro Lagoa desenvolve desde 2007 – muito contemporaneamente, inclui até um serviço educativo. Reflectindo sobre toda esta montagem de estados contemporâneos, a montante do legado de anteriores exposições colectivas de artistas portugueses em Serralves e a jusante da questão de uma escolha que não esgota as possibilidades (apenas queima um cartucho de combinações); há que esfregar os olhos para não cair na tentação de se querer adivinhar o futuro. Estamos perante um conjunto de artistas de um tempo que já não se mede em décadas, mas em escolhas. As escolhas que fazem os contemporâneos. As vanguardas ficaram para trás, não há revoluções, há caminhos. [Este artigo foi escrito segundo a antiga ortografia] Vera Santos é bailarina e investigadora licenciada em História da Arte e mestre em Estudos Artísticos/Crítica de Arte pela Universidade do Porto. >>>>>> Notas [1] Sérgio Carronha, Os seres sensíveis nos mundos da forma e do mundo do desejo, 2010-12 (detalhe). [2] Nuno da Luz, Zetetics, a Taxilogy on Pictorial Knowledge, 2011.
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