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DENNIS HOPPERDennis Hopper: The Lost AlbumROYAL ACADEMY OF ARTS Burlington House Piccadilly London W1J 0BD 26 JUN - 19 OUT 2014 “(...) in some ways I turned to photography because the reality of the things going on around me was more interesting than the fantasies of the world I worked in.†(Dennis Hopper) Com mais de 400 fotografias, a exposição Dennis Hopper: The Lost Album revela o desejo do registro de uma juventude americana dos anos de 1960. O cenário é Los Angeles, a trilha sonora envolve The Byrds, Jefferson Airplane, tudo em preto e branco e um único leitmotiv: liberdade. Entre hippies, hell angels e artistas, o conhecido ator Dennis Hopper capta em suas fotografias uma atmosfera repleta de verdade e utopia. Dennis Hopper, falecido em 2010, caminhou entre diferentes linguagens artÃsticas de uma forma natural. Seja enquanto ator, diretor ou fotógrafo, Hopper conseguiu adicionar arte à imagem de autodestrutivo e imprudente que conquistou no decorrer dos anos. Entre 1961 e 1967, Dennis Hopper tirou mais de 10 mil fotografias. Uma forma de auto-reconhecimento do mundo ao seu redor, as fotografias de Hopper seguem enquadramentos e temáticas clássicas em um intuito de documentação compulsivo. No mesmo perÃodo que desatou a fotografar Hopper passou por um “recesso†de contratos em Hollywood por conta de um desentendimento com o diretor Henry Hathaway durante as gravações de From Hell To Texas (1958), sendo este muito provavelmente um dos motivadores de sua entrega à fotografia. A exposição patente até 19 de outubro de 2014 na Royal Academy of Arts segue o projeto de uma montagem que ficou apenas no papel por motivo desconhecido. Em 1970, Hopper foi convidado por Henri T. Hopkins para realizar sua primeira exposição solo, no Fort Worth Art Centre Museum no Texas. A seleção de imagens a serem expostas naquela mostra – que nunca chegou a acontecer – foi feita pelo próprio Hopper, que então ampliou suas imagens escolhidas. E aà está grande parte do charme da exposição atual: são estas prints escolhidas e produzidas por Hopper em 1970 que podem ser vistas agora, pela primeira vez. Estas prints foram encontradas organizadas e legendadas após a morte de Hopper e, de todas as cópias originais, apenas três imagens não foram localizadas. A montagem atual, na Royal Academy of Arts, respeitou isso e no local onde deveriam estar as fotografias desaparecidas, quadros vazios, apenas com as legendas. Tradicional, a montagem agora apresentada segue as mesmas indicações da proposta em 1970. Tratando as fotografias de Hopper por frames, parece que caminhamos por cenários espetaculares repletos de grandes artistas, por cenários bucólicos de LSD e amor coletivo em comunidades hippies, por cenários sobre duas rodas de uma juventude politicamente confusa porém cheia de preceitos libertários. O histórico destas prints parece ser apenas mais um capÃtulo incongruente na vida de Dennis Hopper. Toda a trajetória do artista envolve uma incessante busca pela liberdade – e uma sofrida percepção de quanto a liberdade é acompanhada por responsabilidade (ou falta dela). Tido como a personificação do rebelde americano, aos moldes de James Dean e Marlon Brando, Hopper foi considerado por David Lynch, diretor que o colocou novamente no cenário dos grandes filmes pelo personagem Frank Booth em Blue Velvet (1986), como o “perfeito herói perigosoâ€. No mesmo ano que volta a atuar, 1986, Dennis Hopper lança o livro de fotografia Out of The Sixties, que apresenta quase que a totalidade das imagens presentes na exposição The Lost Album. Regresso que teve como intervalo dolorosos anos mas que revelaram grandes feitos de Dennis Hopper: as filmagens Easy Rider (1969) e a companhia da máquina fotográfica, datada entre 1961 a 1967. O sentido de urgência nas imagens de Hopper revelam não só um olhar apurado ao que está a volta, mas também um impressionismo abstrato com neons, montras, borrões, famosos. O sorriso sem o gato, como diria David Sylvester.
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