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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Mapa do paralelo 46 ̊ N à escala de uma polegada por um grau de longitude, 2000 , Aguarela sobre algodão 1,6 x 914,4cm Coleçao Ann e Marshall Webb. Toronto


Hourly field notes, 10 October, Dakesawa, 2012 (pormenor) Tinta de máquina de escrever e aguarela sobre algodão.


Mapa do paralelo 52˚ N à escala de uma polegada por um grau de longitude, 1999.

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ARQUIVO:


HELEN MIRRA

Habitat de Transição




CULTURGEST
Edifício Sede da Caixa Geral de Depósitos, Rua Arco do Cego
1000-300 Lisboa

07 JUN - 14 SET 2014


Habitat de Transição é uma retrospetiva sobre a obra ímpar de Helen Mirra.
O seu fazer está no encontro e no cruzamento de diferentes diálogos, obstina-se a usar o mínimo dos mínimos. Tem em si um universo poético semelhante ao Haiku, onde a forma poética de origem japonesa expressa em três linhas a visão da realidade procurando um significado inteiro, um significado além da superfície.

Ao percorrermos as salas da Culturgest em Lisboa, temos em nós um espectador imbuído, cúmplice da obra de Mirra. Nas paredes começamos por vislumbrar algo a que poderíamos chamar uma subtil linha do horizonte, traçada a cerca de metro e meio de altura. Aproximamo-nos deste horizonte que é afinal composto por fitas de algodão de 16mm costuradas entre si, de comprimentos variáveis e que atravessam uma paleta de cores entre o azul, o cinza, o branco, o verde, o castanho… tons que nos levam e conectam com o mar, as florestas, os vales, as montanhas, são como energias vitais da natureza irradiando no espaço. Estas fitas de algodão surgem-nos datilografadas, por vezes a palavra, por vezes a frase, implicando forçosamente a ação do espectador, onde este transforma a contemplação em actividade não-passiva, caminhando em busca da sua paisagem, o visitante impõe o seu ritmo, tem vontade própria, convoca as suas memórias. São, poderíamos dizer, paisagens interiores que nos transportam por entre mares revoltos e florestas habitadas por ursos, são filmes mudos detentores de um imaginário, uma visão explosiva e que contêm o tempo em si, o tempo medido.

O tempo medido... um conceito a reter na obra da artista, e que assume também a forma de gravações áudio, mapas onde temos uma escala de dez segundos por um grau, permitindo identificar a que ponto no mapa pertence aquele apontamento, aquela construção sonora onde a dada altura conseguimos distinguir o som das cordas da sua guitarra.

A linguagem da obra de Mirra está impregnada de formas estratégicas e sistemáticas para trazer ideias visuais e auditivas, assim como está pejada de referências filosóficas, literárias e cinematográficas que vamos descortinando à medida que percorremos o espaço. Não é de admirar, pois, encontrar ainda na sua obra referências como Cage que ganham expressão no seu interesse de duração ou no que toca ao “quase” aleatório.

Quando aproximei a obra de Helen Mirra à tradição oriental, criando uma relação entre as suas paisagens interiores e o conceito da poesia Haiku, tinha também em mente não fechar este pequeno texto sem antes referir a proximidade latente que se sente na obra da artista com a tradição oriental, onde questões como a honra do trabalho, a meditação, as ações repetitivas são elementos integrantes do seu processo, visíveis em todo o seu campo estético, no caminhar implícito ao espectador, às dobragens do cobertor de lã pousado sobre a palete, ao costurar, à relação com a natureza.

Cada uma das suas peças estende, no tempo e no espaço, um momento convocando-nos ao espaço absoluto, ao espaço do mundo.



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Cláudia Ramos
Artista Plástica e Curadora Independente


Cláudia Ramos