Links

EXPOSIÇÕES ATUAIS


Facing design n°1 avec jeu de masques en réalité augmentée, 2014. Cortesia da artista e Michel Rein, Paris/Brussels.


ORLAN en 3D avec 3 masques, 2014. Impressão 3D. Cortesia da artista e Michel Rein, Paris/Brussels.


Repère(s) Mutant(s), 2012. Vídeo, 4h54min.

Outras exposições actuais:

COLECTIVA

1º CICLO EXPOSITIVO 2026


Museu Arpad Szenes - Vieira da Silva, Lisboa
CATARINA REAL

SUSANA PILAR

NOT ALONE


Galleria Continua (Paris - Marais), Paris
FILIPA BOSSUET

JOSÉ MAÇÃS DE CARVALHO

21 MINUTES POUR UNE IMAGE


CAPC - Círculo de Artes Plásticas - Sede, Coimbra
CONSTANÇA BABO

WILFRID ALMENDRA

HARVEST


Galeria Municipal de Arte de Almada, Almada
CARLA CARBONE

RITA MAGALHÃES

FACE A FACE – RITA MAGALHÃES E A NATUREZA-MORTA NA COLEÇÃO DO MNSR


Museu Nacional de Soares dos Reis, Porto
MARC LENOT

SUSANA ROCHA

LEAKING BODIES


Plato (Porto), Porto
SANDRA SILVA

ANDRÉ ROMÃO

INVERNO


Galeria Vera Cortês (Alvalade), Lisboa
MARIANA VARELA

PEDRO CASQUEIRO

DETOUR


MAAT, Lisboa
CARLA CARBONE

HUGO LEITE, ED FREITAS E THALES LUZ

EU SOU AQUELE QUE ESTÁ LONGE


Espaço MIRA, Porto
LEONOR GUERREIRO QUEIROZ

ANNE IMHOF

FUN IST EIN STAHLBAD


Museu de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto
MAFALDA TEIXEIRA

ARQUIVO:


ORLAN

Masques, Pekin Opera Facing Designs & Réalité Augmentée




GALERIE MICHEL REIN
42 rue de Turenne
75003 Paris

06 SET - 18 OUT 2014


 

este é o meu corpo, este é o meu software [1]

 

A Galeria Michel Rein recebe a terceira exposição de Orlan em nome individual naquele espaço. Depois de Tricéphale em 2003 e Self-Hybridations Indiennes-Américaines em 2008, agora é a vez de Masques, Pekin Opera Facing Designs & Réalité Augmentée ocupar todos os espaços da galeria parisiense.

 

Esta série, de máscaras alusivas à Ópera de Pequim, surge na continuação do trabalho realizado no campo das hibridizações em Self-Hydribizations PreColombienne e Self-Hybridizations Africaine, onde Orlan explora em séries de retratos manipulados por computador o conceito de beleza que existe para lá do contexto ocidental. No piso térreo da Galeria Michel Rein estão dez imagens da artista num jogo híbrido entre a sua face e as máscaras da Ópera de Pequim. Para Orlan, as máscaras são personagens que, mesmo antes de falar ao espectador, comunicam com ele através das suas cores e signos: “na minha ópera, mostro imediatamente quem sou através dos dois altos que transformam a minha face” [2].

 

A exposição explora um princípio de realidade virtual chamado Augmented Reality, à qual se acede através de um iPad que está à disposição do visitante. Cada imagem tem um código virtual que depois de lido através de uma aplicação faz com que seja possível ver Orlan materializar-se virtualmente entre nós e o quadro, fazendo acrobacias ou malabarismos. A Orlan malabarista que manipula três máscaras surge não só em realidade virtual mas também num modelo impresso em 3D com 25 centímetros de altura presente junto às imagens na primeira sala.

 

No primeiro piso da galeria é possível revisitar uma selecção de obras relacionadas com as cirurgias realizadas pela artista francesa. A utilização do seu corpo como matéria activa em constante possibilidade de transformação conduziu a uma série de intervenções cirúrgicas com início em 1990 e que viriam a alterar o seu rosto e corpo. Totalmente consciente durante as operações, recitando manifestos ou textos de Lacan, Orlan tornou as cirurgias em performances emitidas simultaneamente em várias galerias por todo o mundo. Uma série de nove fotografias ilustram nesta exposição diversos momentos das operações/performances, onde a artista aparece por três vezes com máscaras na face.

 

A cada cirurgia, Orlan recolheu amostras de líquidos e sangue do seu corpo. Alguns destes frascos foram apresentados na Bienal de Sydney de 1992. Esta espécie de relíquias, que surgiram também com o propósito de financiar as intervenções seguintes, estão de algum modo, ligadas à série de recriações do santo sudário, uma gaze embebida em sangue proveniente das suas operações, oferecendo um retrato imediato do acto cirúrgico. Uma destas recriações faz parte desta exposição, a par de um rosto, ou até uma máscara, desenhada com os fluídos corporais também provenientes dos procedimentos cirúrgicos.

 

Noutra sala, o vídeo Repère(s) Mutant(s), de 2012, mostra os retratos de 24 pessoas por ocasião das cerimónias de naturalização de Marselha. Os retratos aproximam-se lentamente num close-up estático, frente à bandeira do país de origem, que misturada com a imagem da bandeira francesa se sobrepõe de forma quase imperceptível às suas faces. Em questão uma oposição entre a identidade individual e uma construção pessoal forçada por um sentido de identidade nacional: no fundo, mais uma hibridização.

 

Entre as máscaras que nos permitem assumir realidades que nos são impostas para que possamos fazer parte de uma identidade colectiva e aquelas que nos permitem esconder a nossa própria identidade, surge uma metáfora para a pele e tudo aquilo que se esconde sob ela. Em tudo isto está a máscara da Ópera de Pequim que o actor pinta na sua própria pele. Orlan permanece num estado permanente de se tornar outro, outrora trabalhando a pele como um vestido que pode ser trocado, hoje trabalhando-a como uma matéria virtual em permanente mutação.

 

 

Natália Vilarinho

 

 

:::

Notas

 

[1] in Arts-Based Research - a critique and a proposal. Jan Jagodzinski & Jason Wallin. Sense Publishers.

[2] Texto da exposição

 

 

:::

 

[A autora escreve de acordo com a antiga ortografia]



Natália Vilarinho