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COLECTIVAExposição InauguralELLIPSE FOUNDATION CONTEMPORARY ART COLLECTION Rua das Fisgas, Pedra Furada 2645-117 Alcoitão, Cascais 24 JUN - 18 SET 2006 Dada a recente inauguração da Ellipse Foundation em Alcoitão (Cascais), serão sobretudo três os aspectos a ter em conta para uma primeira análise da função, valor e interesse desta nova instituição: o espaço, a colecção e o projecto desenvolvido por Alexandre Melo, Pedro Lapa e Manuel Gonzalez, os três responsáveis pelo comissariado da colecção e pela mostra agora apresentada. O Art Centre, localizado num edifício indústrial de grandes dimensões (cerca de 3500 metros quadrados) tem 10 salas expositivas projectadas por Pedro Gadanho, que se dividem em dois andares a partir do espaço central. A sua arquitectura é bastante mais impositiva do que a geral tendência minimalista da arquitectura de muitos dos museus e centros de arte contemporânea; algo notório na disposição dos espaços, no hall de entrada e em pormenores como o corrimão e as diferenças de pisos. À entrada, a grande central sala expõe algumas obras de evidente carácter arquitectónico, como as duas grandes instalações de “Concrete Shock”, 2005 de Thomas Hirschhorn e “Untitled”, 2004 de Jorge Pardo, para além dos “Ventilators”, 1997 de Orozco, grandes ventoinhas às quais estavam agarrados pedaços de papel higiénico que criam um movimento circular em contraponto com a espiral de areia em constante criação “+ and –“, 1994/2004 de Mona Hatoum. Esta primeira sala apresenta-se como um espaço bastante vazio em contraste com algumas das outras divisões, como aquela em que se encontram a “Barcelona Pavilion (2 chairs, 1 table, 1 ottoman, 1 day bed)”, 2002 de Tom Sachs, que deslocou o mobiliário criado por Mies van der Rohe para o pavilhão alemão em Barcelona para fora do seu contexto original e que se assume como o trabalho central num espaço pequeno e bastante cheio de outras obras. Sabendo que o projecto dos comissários da Ellipse passa por dar destaque a artistas que se individualizaram a partir da década de 80, previligiando tanto os criadores conceituados durante este período como aqueles que ganharam maior notoriedade nos últimos anos, a maior curiosidade nesta primeira visita reside, de facto, nas obras apresentadas. O verificado é uma colecção realizada de modo extremamente atento, cuidado, com uma escolha exímia das obras, dos artistas e com trabalhos verdadeiramente imperdíveis (a grande curiosidade quanto à grande vídeo-instalação de Pierre Huyghe, que não foi apresentada, permanece). Contudo, é um acervo onde dificilmente se observa o gosto particular do coleccionador (um factor muito interessante em algumas das melhores colecções mundiais, recordando o caso da Herbert, dos Panza ou mesmo, embora a outro nível, de Calouste Gulbenkian) e onde se constata a vontade de possuir os artistas actualmente mais bem considerados e cotados. Ao nível do panorama português observa-se a mesma tendência, representada, ao nível dos mais jovens, com o extraordinário vídeo “The Girl of the Golden West”, 2004 de Vasco Araújo (apresentado na última Bienal de Veneza), os quatro filmes da dupla João Maria Gusmão e Pedro Paiva e, além de outros, a paradoxal obra de sabão “Can I Wash You?”, 1999 de João Pedro Vale. Pedro Cabrita Reis, Rui Chafes e Julião Sarmento são os principais representantes da geração anterior. Para além de quaisquer classificações a Ellipse Foundation apresenta uma série de obras que só por sí, merecem uma visita. Destacaria as “Untitled” (título constante nas suas obras) de Felix Gonzalez-Torres, tanto as lâmpadas como os puzzles, o filme “City Self/Country Self”, 2000 de Rodney Graham, os vídeos “Film Noir Series”, 1995 e “Journey into Fear”, 2001 respectivamente de Douglas Gordon e de Stan Douglas, as fotografias preto e branco dos anos setenta de Cindy Sherman e a foto-instalação realizada por Wolfgang Tillmans em 2003 na Andrea Rosen Gallery em Nova Iorque. Ainda teremos de esperar para conhecer melhor a Fundação e outras das suas vertentes, como as residências de artistas, o funcionamento do sector educativo, a sua comunicação com o público e os projectos especiais a serem desenvolvidos. Contudo, a Ellipse surge como uma colecção que faltava no panorama artístico português, de tal modo que se torna lamentável que a mesma não esteja sedeada na capital ou num local de acesso mais fácil.
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