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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Vista da exposição.


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MóNICA MIRANDA

Arquipélago




CARLOS CARVALHO ARTE CONTEMPORÂNEA
R. Joly Braga Santos, Lote F – R/c
1600-123 Lisboa

26 NOV - 24 JAN 2015


 

Arquipélago é a exposição de Mónica de Miranda que a Galeria Carlos Carvalho-Arte Contemporânea, em Lisboa, apresenta até ao dia 24 de janeiro e que explora insularidades geográficas, no limbo entre realidade e ficção.


A paisagem como tema, extensivamente trabalhado ao longo da História da Arte, assume nesta mostra uma posição dominante, revestindo-se de uma acentuada componente cénica. O “palco” da galeria da Rua Joly Braga Santos acolhe uma série de fotografias e um vídeo nos quais Mónica de Miranda analisa o sentido ficcional e mitológico subjacente às conceções de ilha e de jardim botânico. Espaços que têm motivado a (re)construção e (re)imaginação do eu e do outro, do(s) centro(s) e da(s) periferia(s), bem como de diferentes culturas e lugares.


Mónica de Miranda joga com as tradicionais imagens ocidentais de natureza “emoldurada”, com as conceções de paraísos inexplorados, de éden e de lugares idílicos. Formulações tantas vezes associadas aos africanos e a África, um continente que, conforme as irónicas palavras de Binyavanga Wainaina em How to Write about Africa, deve sempre ser descrito como um lugar onde existe “always a big sky” e onde “wide empty spaces and game are critical – Africa is the Land of Wide Empty Spaces.”


Percorrendo a exposição, o visitante depara-se com a série Linetrap, composta por fotografias com padrões costurados que remetem para o ambiente doméstico e, em particular, para o universo feminino. No entanto, a linha, utilizada na qualidade de material reparador da imagem que “desfaz a paisagem fixa e única, atravessando o interior e o exterior da imagem”, é, por oposição (e complementaridade), apresentada no espaço público promovendo o debate entre o binómio público-privado. As fotografias impelem ainda à reflexão sobre a intervenção humana na natureza, acerca do homem enquanto agente transformador do meio.


O vídeo Unfinished Work, da mesma série, no qual é igualmente enfatizada a manualidade do processo de fazer e desfazer, de construir e reconstruir, metaforiza o permanente trabalho que subjaz aos sistemas de formação identitários e culturais, acompanhados pela impermanência fronteiriça, apesar da constância territorial.


O trabalho de investigação e de criação artística de Mónica de Miranda segue a par com o seu trabalho de investigação académica. Mundos que funcionam de modo complementar, sustentando-se mutuamente. A artista tem vindo a trabalhar de forma recorrente o espaço: diferentes latitudes e longitudes, identidades, mapeamento e corpo. Vivendo e trabalhando entre Lisboa e Londres, os espaços insulares são-lhe caros e a liminariedade identitária uma realidade com que vive e convive.


Uma das fotografias mais marcantes da exposição – Twins – concretiza de forma evidente a exploração da identidade como temática e recorda abordagens como as da fotógrafa norte-americana Diane Arbus que, na década de 1960, apresenta uma das imagens mais marcantes da história da fotografia com Identical Twins. A atenção conferida aos detalhes destaca a individualidade de cada uma das irmãs que parecem modelos fotográficos, retiradas de uma revista de moda. Twins expressa ainda o cruzamento cultural que caracterizou fortemente o período colonial e que marca indelevelmente as estruturas sociais contemporâneas.


Na sala principal da galeria, através de Island e Jardim Botânico, o visitante é convidado a observar as paisagens e as pessoas que compõem o Arquipélago concebido por Mónica de Miranda. Em Island, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde e Maurícias, terras inabitadas até à chegada dos navegadores portugueses, são as ilhas recriadas pela artista que propõem um olhar móvel e fragmentado por estas (e outras) insularidades. Locais cercados por água, votados ao isolamento, que têm representado importantes fontes de fascínio e de fruição do imaginário individual e coletivo, tendo inspirado alguns dos maiores clássicos da literatura ocidental como são os casos de Odisseia e Ilhas dos Amores. Por outro lado, os jardins botânicos que encerram espaços de memória, de reinvenção e deslocação da natureza para a urbe, são aqui apresentados através de uma série de imagens recolhidas em cidades dispersas por diferentes geografias: Brasil, Portugal, São Tomé e Príncipe. O jardim botânico pode ser, também ele, lido como uma espécie de ilha dentro da malha urbana que se abre ao exterior mas, simultaneamente, se fecha na mitificação do exótico, na construção de realidades ficcionais que recriam olhares sobre o outro e o seu espaço a partir das visões e dos (pré-)conceitos do eu.


Em Arquipélago, Mónica de Miranda metaforiza os permanentes e volúveis processos de construção identitária e destaca os ténues e imprecisos limites que assinalam a dicotomia realidade-ficção, pela criação de meta-imagens. Entre representações que apontam para elas mesmas, paisagens que não são de lado nenhum, ilhas imaginadas e tempos e espaços que se confundem entre si, Mónica de Miranda propõe um interessante universo onde “nowhere is here” e “never is now”.

 



Ana Sécio