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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Jorge Martins, "La Lumière et les Choses", 1976. Óleo sobre tela, 170 x 240 cm. Colecção particular. Fotografia: Mário de Oliveira


Jorge Martins, "Outros Destinos", 2002-2004. Grafite sobre papel, 160 x 120 cm. Colecção do artista. Créditos fotográficos: José Manuel Costa Alves


Jorge Martins, "À l'ombre des objects absents", 2002-2004. Grafite sobre papel, 120 x 160 cm. Colecção do artista. Fotografia: José Manuel Costa Alves


Jorge Martins, "Surfing pencil", 1992. Grafite sobre papel, 100 x 75 cm. Colecção do artista. Créditos fotográficos: José Manuel Costa Alves

Outras exposições actuais:

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THE ARCHITECTURE OF LIFE. ENVIRONMENTS, SCULPTURES, PAINTINGS AND FILMS


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ZULMIRO DE CARVALHO: ESCULTURA 1968-2018


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LAURA CASTRO

ARQUIVO:


JORGE MARTINS

Simulacros - Uma Antologia




MUSEU COLEÇÃO BERARDO
Praça do Império
1499-003 Lisboa

30 JUN - 22 OUT 2006

Os mistérios da luz

Mesmo considerando a retrospectiva que a Fundação Calouste Gulbenkian lhe dedicou em 1993, podemos afirmar que esta é a maior exposição alguma vez realizada entre nós sobre a obra de Jorge Martins, um dos maiores pintores portugueses contemporâneos. Ao ocupar quase a totalidade do piso superior do Centro de Exposições do CCB, esta extensa antológica, comissariada por Margarida Veiga e apoiada num estudo atento e perspicaz de Raquel Henriques da Silva, parece revelar de uma vez por todas, sobretudo às novas gerações, o valor inequívoco de um trabalho plural e persistente, produzido entre os anos 60 e os nossos dias, que explora de um modo constante algumas das infinitas variações promovidas pelo cruzamento disciplinar entre a pintura e o desenho. “Rabiscar, pintar, desenhar foi sempre o modo de me virar para dentro, de reunir no mesmo espaço todo esse vaivém de contradições com que uma metade do meu espírito se diverte para fazer passar o tempo, enquanto que a outra se limita às duas dimensões da pintura para fazer passar o espaço”, assim se confessava Jorge Martins, em entrevista ao Diário de Notícias, no já longínquo ano de 1979.


Entendida como uma espécie de obsessão dialéctica, no limiar da fronteira entre o desenho e a pintura, a obra de Jorge Martins explora há várias décadas os insondáveis ângulos desse mistério ancestral a que chamamos luz. Da representação dos seus efeitos ilusórios ou dos jogos sempre reinventados com a antípoda sombra, recorrendo com frequência a um tromp l’oeil muito particular, o artista reinventa o espaço, os objectos, a sua imagem e projecção pictóricas, confirmando aí o jogo intrínseco do desenho, da sua linearidade real ou virtual, ao inscrever na superfície da tela ou do papel uma subtil poética que não esquece ainda a exploração da sua dimensão abstracta.


Como refere Raquel Henriques da Silva no catálogo, Jorge Martins é um coleccionador compulsivo, que estuda e inventaria a magia dos simulacros, com o olho microscópico de múltiplas extensões imaginárias, onde a ilusão que é sempre todo o trabalho da arte se propõe recriar um mundo próprio e voluntário, que identifica desde logo, em qualquer circunstância, o seu criador. É precisamente nesta dimensão idiossincrática que a obra de Jorge Martins mais se revela essencial e poderosa, resultado de uma investigação alheia a modismos estéreis, confiante sobretudo nos seus resultados, na surpresa por eles promovida. Os seus desenhos, bem como as suas pinturas, emergem de um fundo de referências onde o erotismo, o mistério e a observação da vida quotidiana se misturam em obediência às possibilidades abertas pelo fazer da pintura e do desenho. Todos os objectos e todas as figuras, mesmo todas as cores e todas formas, mais ou menos abstractas, que povoam estes trabalhos como um feliz, profícuo e frutuoso “vaivém de contradições”, parecem servir um propósito apenas, um objectivo final: a descoberta da luz e dos seus espectros. Intuição ou vontade que percorre desde sempre a noite dos tempos, mantendo-se ainda como um dos enigmas mais envolventes sobre a nossa identidade cósmica. Com o seu universo estético, Jorge Martins ajuda-nos a tomar consciência sobre o caleidoscópio de simulacros que invade não só a arte, como a nossa própria vida.


David Santos