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JAVIER FERNANDEZSTAY A WHILEAPPLETON SQUARE Rua Acácio Paiva, 27 1700-004 Lisboa 20 MAI - 18 JUN 2015
O trabalho de Javier Fernandez resulta de um “exercício concreto do espírito e da mão”[1] que renuncia a qualquer tipo de ruído simbólico ou ideológico, numa procura pela pureza. O artista personifica aqui o asceta que troca o mundo pela ínfima parte que dele pretende extrair: a cor; porque “tudo aquilo que afaste a atenção da cor a favor de outras qualidades está errado.”[2] Antes de mais, “limpemos o horizonte”[3] . Stay a While apresenta três obras de Javier Fernandez, duas peças de tapeçaria e um vídeo. Last Green (2006) e Last Red (2007) partilham a parede que divide uma sala, engendrando dois espaços simétricos e opostos. A dimensão é uma das características que o artista delega à repetição: a horizontalidade bidimensional que as define problematiza o seu enquadramento artístico para, contudo, nortear o olhar do espectador. Perante os colossais rectângulos, tradicionalmente posicionados numa parede branca, sentimo-nos como se perante uma paisagem. No entanto, em detrimento da mera contemplação, somos aqui convocados para um exercício de absorção. A milenar história da tecelagem tem uma carga simbólica ligada ao labor físico e ao corpo humano, com a sua maquinaria, os sons e movimentos que se repetem numa cadência quase musical. Nas obras de Javier Fernandez esse é o ponto de origem para uma abstracção quase ascética, sublimada, que afasta essa materialidade mundana para que fique apenas a cor com as suas ténues vibrações. Como se só esse labor ancestral nos pudesse então conduzir à abstracção plena. A honestidade dos materiais e do processo torna a obra incorruptível pois que o que vemos é já uma totalidade sem fendas: é cor, tanto e tão-somente, mas sempre exacta. Essa concretização absoluta da cor resulta da densidade material proporcionada pela tecelagem, técnica em que o artista está limitado por rígidos parâmetros. O uso de formas e medidas predefinidas e constantes é colocado ao serviço da depuração, uma vez que a repetição dá a ver tudo aquilo que foge à constância.
Notas [2] “(…) anything which distracts attention from the colour in favour of other qualities is wrong”. Javier Fernandez | Josef Sailstorer 6/12/91 – 2/2/92, Ed. Atelier 340, Bruxelas: 1991, p.53. [3] “Let’s clear out the horizon!”, Javier Fernandez, 2002, in Javier Fernandez, Ed. BWA Contemporary Art Gallery e Atelier 340, Katowice: 2014.
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