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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Last Red, 2007. ©MP


Last Red, 2007. ©MP


Last Red, 2007. ©MP


Last Green, 2007. ©MP


Last Green, 2006. ©MP


Last Green, 2007. ©MP


Continuum, 2007. ©MP

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ARQUIVO:


JAVIER FERNANDEZ

STAY A WHILE




APPLETON SQUARE
Rua Acácio Paiva, 27
1700-004 Lisboa

20 MAI - 18 JUN 2015


 


No olvidemos que original viene de origen
Eduardo Chillida

 


E se, perante uma peça de tapeçaria, deixarmos de ver a urdidura da linha que aperta e une e conseguirmos presenciar a paisagem que é a origem dessa mesma linha? E se o fio – do tempo e da linha – percorrer um círculo e voltar ao princípio da sua história, onde a obra revela o seu curso? As paisagens têm sempre a virtude da subtileza: a Natureza, tal como as mãos do tecelão, sabe repetir as cores, as linhas e os movimentos.

O trabalho de Javier Fernandez resulta de um “exercício concreto do espírito e da mão”[1] que renuncia a qualquer tipo de ruído simbólico ou ideológico, numa procura pela pureza. O artista personifica aqui o asceta que troca o mundo pela ínfima parte que dele pretende extrair: a cor; porque “tudo aquilo que afaste a atenção da cor a favor de outras qualidades está errado.”[2]

Antes de mais, “limpemos o horizonte”[3] . Stay a While apresenta três obras de Javier Fernandez, duas peças de tapeçaria e um vídeo. Last Green (2006) e Last Red (2007) partilham a parede que divide uma sala, engendrando dois espaços simétricos e opostos. A dimensão é uma das características que o artista delega à repetição: a horizontalidade bidimensional que as define problematiza o seu enquadramento artístico para, contudo, nortear o olhar do espectador. Perante os colossais rectângulos, tradicionalmente posicionados numa parede branca, sentimo-nos como se perante uma paisagem. No entanto, em detrimento da mera contemplação, somos aqui convocados para um exercício de absorção.

A milenar história da tecelagem tem uma carga simbólica ligada ao labor físico e ao corpo humano, com a sua maquinaria, os sons e movimentos que se repetem numa cadência quase musical. Nas obras de Javier Fernandez esse é o ponto de origem para uma abstracção quase ascética, sublimada, que afasta essa materialidade mundana para que fique apenas a cor com as suas ténues vibrações. Como se só esse labor ancestral nos pudesse então conduzir à abstracção plena. A honestidade dos materiais e do processo torna a obra incorruptível pois que o que vemos é já uma totalidade sem fendas: é cor, tanto e tão-somente, mas sempre exacta. Essa concretização absoluta da cor resulta da densidade material proporcionada pela tecelagem, técnica em que o artista está limitado por rígidos parâmetros. O uso de formas e medidas predefinidas e constantes é colocado ao serviço da depuração, uma vez que a repetição dá a ver tudo aquilo que foge à constância.
A tapeçaria poderia entrar numa evidente contradição com o vídeo e o digital. No entanto, o modo como cada uma das técnicas é explorada suprime qualquer hiato que historicamente possa existir entre ambas. Se nas obras em tapeçaria o elemento orgânico é o ponto de origem de uma travessia até à depuração da cor, no trabalho em vídeo Continuum, o artista inverte o processo, perscrutando o movimento da cor para regressar, uma vez mais, à tessitura vibrante do organismo vivo.

A cor – na sua intensidade e temperatura próprias e nos movimentos que vai desenhando no rectângulo que habita – define o esqueleto da obra e constitui aquilo que a preenche; torna-se mancha e moldura. A estrutura externa torna-se insignificante para que a cor se torne forma interior e exterior. No fim, cor e obra tornam-se indissociáveis. O intervalo do fluxo de uma cor tornou-se enfim objecto.

 


Maria Beatriz Marquilhas

 


:::

Notas

[1] http://www.javfrndz.com/

[2] “(…) anything which distracts attention from the colour in favour of other qualities is wrong”. Javier Fernandez | Josef Sailstorer 6/12/91 – 2/2/92, Ed. Atelier 340, Bruxelas: 1991, p.53.

[3] “Let’s clear out the horizon!”, Javier Fernandez, 2002, in Javier Fernandez, Ed. BWA Contemporary Art Gallery e Atelier 340, Katowice: 2014.

 

 


[a autora escreve de acordo com a antiga ortografia]



Maria Beatriz Marquilhas