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BARBARA FONTE COM JOSÉ BARRIASINSIDE OUTSIDEPLATAFORMA REVÓLVER Rua da Boavista 84 1200-068 Lisboa 28 MAI - 11 JUL 2015
A exposição Inside Outside, Barbara Fonte com José Barrias é apresentada na Plataforma Revólver como uma construção de narrativas que intersectam os universos dos dois artistas portugueses.
José Barrias é artista português, residente em Milão, que começa o seu trabalho no início da década de 70, dialogando através do desenho, da pintura, da fotografia e da instalação. Há uma relação entre a sua experiência, memória pessoal, e a História nas suas obras.
Se olharmos ao longo do percurso artístico de José Barrias familiarizamo-nos com o seu sentido de estar extremamente poético.
Barbara Fonte complementa e articula a exposição com trabalhos de grande carga simbólica. Pode constatar-se em muitas das suas obras um sentido que nos leva para uma ilustração de ordem crítica, em que surge um dualismo poético que explora as singularidades de corpos que deambulam pelas suas obras.
Encontram-se vestígios de ossos, penas, linhas que lembram ampulhetas e resquícios de cabelo, entre outros motivos que aludem para o conceito de "vanitas". Sente-se uma ideia de desconstrução do corpo que remete para a efemeridade da vida. Nas paredes deparamo-nos com insectos desenhados a grafite por José Barrias e que surgem como intrusos. A expressão plástica utilizada por este mantém a crueza do desenho, eliminando vestígios de textura e cor, mantendo o estigma do inacabado. São também cobertas algumas paredes com garatujas infantis que não superam as obras expostas, sendo apenas um elemento de distracção da verdadeira essência da exposição.
O cabelo humano surge como o delinear de uma linha temporal que percorre literalmente as paredes que ligam o universo de José Barrias a Bárbara Fonte.
O cabelo foi um dos pontos de destaque desta exposição que é explorado principalmente por Bárbara Fonte. Numa das vitrines a artista apresenta uma trança cortada do seu cabelo, e acima desta vitrine é-nos apresentado uma ilustração de José Barrias que conduz para a ideia de trança. O elemento apresentado, a trança, poderá ser interpretado como um ponto de união entre os dois mundos dos artistas. E o próprio símbolo do fio de cabelo é facilmente identificável como uma metáfora, que nos conduz para a ideia de temporalidade, ligação, caminho.
Os vídeos que estão expostos, para além do desenho, da pintura, da instalação e da fotografia, podem-se interpretar como um estímulo directo à visão e sensibilidade do observador. A intersecção de camadas num dos vídeos apresentados intriga o observador que se interroga sobre onde focar a sua atenção: se no som, se no vídeo, se nas imagens que passam sobrepostas ao vídeo, ou se para as legendas.
A figuração presente na exposição de carácter narrativo conduz, contudo, o observador à complexidade dos mistérios e símbolos mascarados ao longo das obras, levando a ambiguidades.
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