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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Fig. 1 - Sky Mirror, 2013


Fig. 1a -Sky Mirror, 2013


Fig. 2 - C-Curve, 2007


Fig. 3 - Dirty Corner, 2015


Fig. 4 - Sectional Body preparing for monadic singularity, 2015 (interior)


Fig. 4a - Sectional Body preparing for monadic singularity, 2015


Fig. 5 - Descension, 2014


Fig. 6 - Shooting into the Corner (2009-2013)

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ANISH KAPOOR

KAPOOR VERSAILLES




PALÃCIO DE VERSALHES
Place d'Armes
78000 Versailles, France

09 JUN - 01 NOV 2015

ANISH KAPOOR INVADE OS JARDINS DE VERSAILLES

 

 

Os grandiosos jardins do Palácio de Versailles (França) estendem-se por parques, alamedas, labirintos e muros de vegetação ao longo de 43 quilómetros. André Le Nôtre, contratado pelo rei Luís XIV para a concretização deste projeto, deu início à sua construção em 1668 tendo sido necessárias três décadas para o concluir. O paisagista concebeu áreas em que a natureza surge organizada com simetrias rigorosas e uma estética característica francesa, dotando o jardim de uma ala central que conduz o olhar desde o palácio até à longínqua linha de horizonte. As 300 estátuas, bustos e vasos que se encontram harmoniosamente colocadas ao longo dos percursos tornam estes espaços museológicos. Esta arte de época, aliada à elevada importância histórica que os jardins acarretam, está agora em confronto, através das peças e intervenções do artista Anish Kapoor, com as práticas artísticas atuais e a plena contemporaneidade.

 

É assim que no verão e no outono de 2015, os caminhos de Versailles ganham um novo carácter e uma nova dimensão conceptual através de seis obras que, com grande impacto, se enquadram no ambiente sem contudo desestabilizar o clássico encanto. As peças instaladas no espaço demonstram um extremo cuidado na sua configuração formal, inserindo-se adequadamente na paisagem. Mostram-se dependentes da terra e, simultaneamente, livres na concepção.

 

As obras de Anish Kapoor são entendidas tanto como esculturas quanto como instalações, estando ambas as acepções corretas. A sua preferência por materiais duros, como o metal, que podem ser modeladas na produção de objetos tridimensionais é característica da escultura. Contudo, as criações são destinadas a áreas especificas, adquirindo aí o estatuto de instalações, como é o caso das duas primeiras obras desta exposição, criadas propositadamente para Versailles. As outras obras expostas, já existentes previamente, foram ajustadas e adequadas ao local onde hoje se encontram. Estes jardins reais, apesar de institucionalizados e delimitados a todo o seu redor, são acessíveis e de entrada gratuita, funcionando como espaços públicos. Kapoor é conhecido e respeitado, precisamente, pelos seus trabalhos dessa mesma índole. Este artista asiático-britânico enfrenta o desafio dos escultores contemporâneos ao expor em espaços não convencionais permitindo, assim, a emergência de projetos inovadores que expandem o conceito de arte pública.

 

Anish Kapoor traz, para os jardins do palácio da capital francesa os reflexos, o espelho e o jogo de perspectivas, desde logo nas obras próximas do grande edifício. O artista, reconhecido internacionalmente pela sua obra em aço inoxidável Cloud Gate (2004), produzida em Nova Iorque em homenagem às vitimas do trágico atendado no 11 de Setembro, marca agora este lugar francês com o seu determinante carácter estético e objetual (pela presença de grandes produções artísticas). Ao mesmo tempo, demonstra um interesse pelo “não-objeto” e pela “não-forma” ao apresentar peças sem semblante e o seu trabalho é determinado pelos jogos e dualidades terra/céu, sombra/luz, interior/exterior e sólido/transparente.

 

Kapoor, nascido a 1954 em Bombai, na Índia, reside em Inglaterra desde 1972 e trabalha em Londres, sendo evidente, no trabalho que produz, a sua dualidade cultural. A clara sensibilidade particular pelas formas orgânicas, talvez oriunda da sua naturalidade, bem como pelas linhas mais abstratas e geométricas, que encontra atualmente na cidade em que reside, combinam-se com a extrema capacidade de manipulação do material industrial resultando daí um trabalho único e altamente plástico. O artista, em passeio por Versailles, deixou-se seduzir e inspirar pelo ambiente que o circundava. Com plena consciência das zonas de que pretendia apropriar-se, propôs, um ano mais tarde, um projeto artístico estruturado para os jardins. Com dinâmicas de escalas e contrastes acentuados, delineou a sua intervenção, iniciando, como ponto de partida, a confusão entre o céu e a terra.

 

Já o rei Luís XIV, que se auto proclamava Le Roi-Soleil (Rei-Sol), reconhecia que o sol era a força determinante que impõe as regras ao resto do cosmos. Esse mesmo elemento é hoje refletido, com todo o seu esplendor, sobre as paredes do palácio, através da peça Sky Mirror (ver img.1), de 2013, precisamente o espelho do céu. Em forma curvilínea, enfrenta, de um lado, a construção monumental e, do outro, anuncia os majestosos jardins que se seguem. A outra obra que se situa apenas uns metros antes, realizada em 2007, C-Curve (ver img.2), reflete também estas imagens propondo ao espetador uma inversão das direções cima/baixo e direita/esquerda fornecendo, assim, uma curiosa experiência visual. Ambas as peças, com as suas superfícies refletoras, tornam-se parte do espaço, ao mesmo tempo que o absorvem e o tornam parte delas. São uma agradável surpresa para os visitantes de Versailles que, assim que contornam o grande edifício, se deparam com esta nova e forte realidade.

 

Mais adiante, após a icónica fonte Bassin de Latone de esculturas humanas e animais, apresenta-se Dirty Corner (ver img.3), cuja produção se prolongou ao longo destes últimos 5 anos. Este objeto de grandes dimensões instala-se de forma avassaladora no início do tapete de relva central que se prolonga até ao lago seguinte. A parte principal da obra, o Cone Sujo, foi primeiramente realizada em 2011, na Fabrica del Vapore em Milão, encontrando-se, neste novo espaço, circundado por pedras, terra e vegetação, como se ali tivesse sido despejado abruptamente. Com 60 metros de comprimento, ostenta a junção do ferro industrial à alusão de elementos do corpo humano, anunciando conotações sexuais, tendo sido rapidamente considerada por alguma imprensa francesa como uma referência aos órgãos sexuais da rainha Marie Antoinette.

 

Também de cariz carnal é a obra que ocupa um descampado num dos parques laterais. Sectional Body preparing for monadic singularity (ver img.4), criada este ano, é uma escultura de dimensões arquitectónicas que requer a visita ao seu interior, sendo um espaço totalmente surpreendente que apela a ser experienciado. Com um tom vermelho forte, Kapoor mostra o seu gosto pelas cores vivas, o que terá uma provável influência na educação indiana que recebeu do seu pai hindu. Este trabalho é um convite à ação do espetador que nele encontra a oportunidade de descobrir pormenores à medida que o contorna e percorre as suas entranhas. O apelo à participação do espetador é característico das obras do artista, o que as torna lugares marcantes de vivência para além da lógica contemplativa.

 

Descension (2014), a última obra indicada no mapa da exposição, é, provavelmente, a que se assume com maior força e impacto. Hipnotizante, com o seu movimento em turbilhão de água, apela ao sentido não só visual como auditivo. Por momentos, torna-se possível esquecer a paisagem envolvente e entrar numa experiência sonora e perceptiva única. Esta instalação também contrasta com as fontes clássicas de Versailles, imensamente decoradas, surgindo como uma agradável surpresa no percurso do grande corredor central. Já previamente concebida e exposta, Shooting into the Corner (2009-2013), na Sala de Jogo Real, foi ajustada ao seu novo local. Torna-se assim evidente, em todo o corpo de trabalho apresentado nesta mostra, que Kapoor explora sucessivamente duas naturezas: a do espaço envolvente e a da própria escultura.

 

Alfred Pacquement, comissário desta exposição, refere no seu texto que o artista pretende criar obras que se afirmam como mais do que formas e abrangem as áreas do conhecimento, da paixão e da experiência. Chama a esta sua forma de escultura “paisagem do corpo”.

 

Luís XIV, no séc. XVII, simbolizou o seu poder absoluto com a imensa escala dos jardins de Versailles. Em 2015, de 9 de Junho a 1 de Novembro, Anish Kapoor prova a arte absoluta através do cruzamento do céu e da terra, do corpóreo e do industrial, marcando o espaço histórico com a ação contemporânea.

 

 

Constança Babo

 

 


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Referências bibliográficas

http://en.chateauversailles.fr/homepage
http://anishkapoor.com
http://www.theguardian.com/artanddesign/2015/jun/04/anish-kapoor-versailles-vagina-controversy-france



CONSTANÇA BABO