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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Alicia Framis, “Secret Strike – Inditexâ€, 2006


Alicia Framis, “Secret Strike - Bank Nederlandsâ€, 2004


Alicia Framis, “Cemetery in Metro Stationâ€, 1999, Paris


Alicia Framis, “Cinema with a Hospitalâ€, 1999, Los Angeles


Alicia Framis, “Crematorium with 24h Warm Spaceâ€, 1999, Beaubourg, Paris


Alicia Framis, “La esfera de los niñosâ€, 2006, Atomium de Bruxelas

Outras exposições actuais:

COLECTIVA

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MAFALDA TEIXEIRA

ARQUIVO:


ALICIA FRAMIS

Secret Strike




CGAC - CENTRO GALEGO DE ARTE CONTEMPORÃNEA
Rúa Valle Inclán, s/n.
15704 Santiago de Compostela

22 JUN - 10 SET 2006

Golpe Secreto

[el arte es un modo de mantener secretos y al mismo tiempo decírselos a otra gente]
Alicia Framis


Alicia Framis (Barcelona, 1967), apresenta actualmente no CGAC uma sequência de vídeos intitulados “Secret Strikeâ€. Os trabalhos Bank Nederlands (2004), Inditex (2006), Tate Modern (2006), Van Gogh Museum (2006) e 5 minutos pensando em ela (2005) compõem o corpo principal da exposição. Partindo de um conceito relativamente simples, a artista filma em travelling um momento “congeladoâ€; na aparência da normalidade do funcionamento quotidiano de um banco, um museu ou uma fábrica, Framis filma pessoas-estátua, detidas num instante do seu dia a dia. O momento revelado é imponderável, a imobilidade um simulacro para a câmara onde cada uma das personagens revela o seu papel interrompendo-o, enquanto, quase sempre em segundo plano (e constantemente, na banda som) a instituição corre e continua a funcionar, dissociando o tempo da máquina (o da produção) do tempo humano.


O insólito de pessoas paradas (quase fotografadas) contra um fundo em movimento torna divertida e aprazível a leitura do trabalho. A postura na qual são filmadas evoca a figura do instantâneo fotográfico e, para além do movimento do segundo plano, é traída somente por algum piscar de olhos ou tremor nervoso. O ambiente produzido pelos travellings praticamente ininterruptos é próprio dos universos 3D, onde é possível ter, de facto, duas classes de tempo a decorrer em simultâneo. A “Greve Secreta†de Alicia Framis teatraliza o corpo humano, a sua presença no espaço e a sua relação com os mecanismos de produção e/ou consumo da sociedade ocidental. Através da interrupção do movimento substantiva o corpo. Aparentemente paradoxal, esta anulação de uma qualidade ou capacidade do actor evidencia a sua presença contra o fundo, seja a instituição financeira, a fábrica têxtil ou o museu de arte. Perante este artifício a pessoa passa a ser o centro da imagem.


Ao inverter o sentido comum da reprodutibilidade, o exercício de “re-produção analógica†de um efeito cliché do mundo virtual e digital, colabora na criação de um momento tampão, obriga a nossa percepção a uma travagem que nos permite avaliar a velocidade e aceleração do mundo contemporâneo. Paul Virilio, crítico da automação e daquilo que entende como a virtualização do real através da generalização e avanço das tecnologias da comunicação, refere frequentemente no seu discurso a importância do teatro e da dança como formas de resistência a este fenómeno, que vê como ameaçador. No trabalho em causa somos capazes de ver e perceber o momento do corpo; congelados nas situações mais inesperadas os “actores†acabam por ser, através do movimento de câmara e da montagem, peças de uma coreografia do quotidiano. Nesta “Greve Secreta†(ou deveríamos traduzir Golpe?) ninguém deixa verdadeiramente de desempenhar a sua função ordinária, antes passa subitamente a um outro nível onde acumula um segundo papel, que produz a necessidade de pensar e avaliar a posição de cada indivíduo dentro do grupo e desse grupo na colectividade.


Entendemos o trabalho de Alicia Framis como um jogo de contrastes, ironias simples que para além do cuidado do humor transportam em si discussões hodiernas e pertinentes. A mistura de funções contraditórias no mesmo plano ou sujeito potencia a dramatização dos temas escolhidos; seja o papel do pai na educação dos filhos, como faz em “Mamamen†(também presente na exposição) ou noutros projectos, como “Remix Buildings†(2000) onde associa espaços com diferentes funcionalidades, como um hospital e um cinema ou um cemitério e uma estação de metro, combinando-os na criação de ambientes insólitos onde o que geralmente preferimos afastar e esquecer contamina o nosso território quotidiano.


No contexto geral da produção da artista seria um erro pensar a sequência de “Secret Strike†como um simples exercício visual; a representação da instituição em corte temporal é um desafio narrativo que simultaneamente alude e provoca as disciplinas da antropologia e arqueologia, oferecendo-nos uma Pompeia contemporânea plasmada pelo vídeo. Pensar e avaliar as relações de produção e consumo a todos os seus níveis, seja no Banco, na Fábrica ou no Museu é uma necessidade que nunca se esgota. A instituição é linguagem, compreendê-la e compreendermo-nos em ela é um projecto que só pode trazer bons resultados.


José Roseira