Links

EXPOSIÇÕES ATUAIS


Alexandre Estrela, "Stargate", 2002. Projecção vídeo, mono canal, DVD PAL.


Alexandre Estrela, “Sem Solâ€, 1999. Projecção vídeo, mono canal, DVD PAL.


Alexandre Estrela, "The Nails' Feedback", 1998. Instalação vídeo; dois pregos; vídeo DVD NTSC.


Alexandre Estrela, "Back to Contact", 2003. Monitor de televisão, mono canal, DVD NTSC.

Outras exposições actuais:

COLECTIVA

1º CICLO EXPOSITIVO 2026


Museu Arpad Szenes - Vieira da Silva, Lisboa
CATARINA REAL

SUSANA PILAR

NOT ALONE


Galleria Continua (Paris - Marais), Paris
FILIPA BOSSUET

JOSÉ MAÇÃS DE CARVALHO

21 MINUTES POUR UNE IMAGE


CAPC - Círculo de Artes Plásticas - Sede, Coimbra
CONSTANÇA BABO

WILFRID ALMENDRA

HARVEST


Galeria Municipal de Arte de Almada, Almada
CARLA CARBONE

RITA MAGALHÃES

FACE A FACE – RITA MAGALHÃES E A NATUREZA-MORTA NA COLEÇÃO DO MNSR


Museu Nacional de Soares dos Reis, Porto
MARC LENOT

SUSANA ROCHA

LEAKING BODIES


Plato (Porto), Porto
SANDRA SILVA

ANDRÉ ROMÃO

INVERNO


Galeria Vera Cortês (Alvalade), Lisboa
MARIANA VARELA

PEDRO CASQUEIRO

DETOUR


MAAT, Lisboa
CARLA CARBONE

HUGO LEITE, ED FREITAS E THALES LUZ

EU SOU AQUELE QUE ESTÃ LONGE


Espaço MIRA, Porto
LEONOR GUERREIRO QUEIROZ

ANNE IMHOF

FUN IST EIN STAHLBAD


Museu de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto
MAFALDA TEIXEIRA

ARQUIVO:


ALEXANDRE ESTRELA

Stargate




MNAC - MUSEU DO CHIADO
Rua Serpa Pinto, 4
1200-444 Lisboa

07 JUL - 17 SET 2006


Há muito aguardada, “Stargate†faz jus às expectativas e surge como uma das melhores mostras do ano. Dando simultaneamente a devida visibilidade em Portugal a Alexandre Estrela (Lisboa, 1971) e transformando o Museu do Chiado num espaço fluido onde os diferentes trabalhos se articulam de forma inteligente, criando uma série de discursos e de reflexões em torno da sua obra, a mostra afasta-se de quaisquer percursos historicistas, retrospectivos ou antológicos. Efectivamente, as 11 obras expostas dão a ver (e a conhecer) o percurso artístico de Estrela, que encontra dentro da heterogenidade uma coerência e unidade no questionar os próprios media utilizados.
As matrizes da obra de Estrela podem ser encontradas nas práticas conceptuais, surgindo o processo como o elemento central de toda uma criação de complexos dispositivos de análise da produção de imagens e da sua recepção.

Frequentemente os seus trabalhos parecem conseguir rasgar uma ténue linha de desenvolvimento entre os elementos que toma como ponto de partida e aqueles que depois cria apresentando novas leituras que vêm questionar as obras originais, a sua função e o modo como estas são percebidas.
Tal é o caso de “Intermission†de 1996 que, reproduzindo a interpretação de Kubrick em “2001: Uma Odisseia no Espaço†do monólito descrito no livro homómino de C. Clarke, realça o fragmento de película totalmente negra que surge por duas vezes no filme, mas que mais não é do que a própria manifestação da presença do grande bloco de pedra.

Na peça que dá nome à exposição, “Stargate†de 2002, Estrela filma a parte de trás da tampa da objectiva de uma câmara; mas pelas grandes dimensões da imagem projectada e pela lentidão com que a lente se vai aproximando do objecto, aquilo que vemos parece mais um elemento do cenário de um filme de ficção científica, como a “Guerra das Estrelasâ€, ou uma escultura primitiva feita em metal do que a tampa de um dispositivo electrónico moderno.

O processo de desconstrução do modo como geralmente percepcionamos e conhecemos os objectos é também desenvolvido em “I to Infinity†de 2006, em que o artista transporta o modo de construção das imagens cubistas para uma projecção vídeo em que se observa a contínua visão fractal de uma câmara de filmar fragmentada em múltiplas perspectivas simultâneas centradas em torno da objectiva, onde a lente se move ininterruptamente. Este trabalho remete para uma das suas primeiras obras vídeo, “TV’s Back†de 1995, peça não incluída na exposição mas que, ao mostrar um televisor que transmite a parte de trás de um outra televisão, aborda a mesma impossibilidade de percepcionar diversos elementos de um só objecto ao mesmo tempo e retorna às reflexões tautológicas que o aproximam do conceptual.

Outro aspecto muito interessante na obra de Alexandre Estrela é a relação entre imagem e som. Nesta perspectiva, a obra “Hear Hereâ€de 2002 é de uma simplicidade genial: baseando-se no método de avaliação da distância das tempestades (pelas diferenças de velocidade da propagação da luz e do som), o artista cria uma projecção vídeo interrompida aleatoriamente por flashes brancos, seguidos de um forte rumor, estabelecendo em milhas a hipotética distância entre a luz e os sons produzidos.

O “Sem Sol†(1999) desenvolve-se numa mesma relação entre som e imagem. Partindo da palavra Sol, que em português tanto significa a estrela e uma nota musical, Estrela remove todas as notas sol de uma música dos l@n ao mesmo tempo que projecta uma reprodução do astro que ilumina a terra. Cada vez que na música corresponde a uma ausência desta nota, a imagem fica preta. Tudo se centra na ausência, que se torna assim uma presença concreta, de certo modo como no monólito de Kubrick.

Outras obras, como “Making a Star†(1996), “TV Burner†(2002) ou “The Nails' Feedback†(1998) surgem a partir de disfunções dos aparelhos televisivos e de vídeo, mantendo, contudo, a mesma mestria, inteligência e humor ao questionar a produção de imagens, a percepção e o conhecimento, elementos que fazem de Alexandre Estrela um artista notável e desta “Stargate†um momento memorável no panorama expositivo de 2006.





Filipa Ramos