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COLECTIVABEFORE, BEFORE & NOW, NOWMIRA FORUM Rua de Miraflor nº 155 - Campanhã 4300-334 Porto 19 MAR - 27 ABR 2016 O Passado e o Presente
Arise, O compatriots, Nigeria\'s call obey Hino Nacional da Nigéria (1978)
A exposição Before, Before & Now, Now nasce de uma colaboração estabelecida entre a galeria Tafeta, em Londres, e o MIRA FORUM, com co-curadoria de Inês Valle e Charles Gore, professor de história da arte africana na SOAS (School of Oriental and African Studies). São várias as imagens fotográficas que nos permitem reconstituir uma narrativa sobre a história da Nigéria, desde a ocupação colonial britânica nos finais do século XIX e a realização da Amalgamation em 1914, até ao momento-chave da conquista da independência nacional em 1960 e o período contemporâneo. Elabora-se, assim, um extenso percurso visual que cruza o passado e o presente, o trânsito contrastante entre o antes (before) e o agora (now), uma reflexão sobre a memória em registo fotobiográfico que documenta o nascimento, a evolução e a complexidade da nação nigeriana, revelando a arquitectura, as diferentes sociedades, a paisagem rural e urbana e as imagens cinematográficas. A imagem de Aisha Augie-Kuta retratando três meninas de saia e t-shirt encostadas a uma cabana difere dos trajes típicos envergados pelas mulheres nos inícios do século XX. Repare-se, por exemplo, no fascinante olhar da jovem na soleira da porta. O auto-retrato que surge na fotografia de Adeola Olagunju em que a própria artista segura e lê Excuse me, de Victor Ehikhamenor, ou a imagem de Emeka Okereke mostrando um viajante e uma mala que esperam no metro de Paris, encontram um contraponto na cerimónia que celebrou a Amalgamation em 1914, registada por Alfred Carew. Ainda a embarcação encalhada nas costas do Atlântico, fotografada por Adolphus Opara, parece responder à construção de um pequeno navio pela administração colonial num passado recente. A ideia de civilização baseada na técnica e no progresso industrial repousa agora no fundo do oceano. Vejamos igualmente que o rosto iluminado da cantora Nneka, notado pelo fotógrafo Andrew Esiebo, contraria a austeridade solene de um Oba [1] nigeriano sentado num triciclo, captada por J. A. Green. Na época contemporânea a bravura e a coragem dos bombeiros nigerianos, numa imagem devedora da estética fotojornalística de N. W. Holm, mantém viva a recordação de que, até meados do século anterior, o único veículo existente para extinguir as chamas pertencia às autoridades coloniais que só muito relutantemente o forneciam às populações locais. Os principais recursos técnicos eram controlados e dominados pela elite colonial que, tendo o poder de agir, poderia explorar de forma mais eficaz as fragilidades do povo nigeriano. Esta imagem, no presente século, representa uma reivindicação contra uma injustiça histórica: a negação de uma necessária autodeterminação. O título desta exposição não é uma repetição inconsequente. Revela que o tempo histórico da Nigéria, através da fotografia dos antigos e dos modernos, é tanto um eco do passado como o é do presente. Que imagem fixará a Nigéria do futuro?
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Notas [1] Título que designa o poder do chefe local em ioruba.
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