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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Detalhe de S/ título série "...(outro)"


S/ título série "...(outro)"


Vista da exposição.


Vista da exposição.


Vista da exposição.


Vista da exposição.


Vista da exposição.


S/ título série "...(outro)".

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ARQUIVO:


PEDRO TUDELA

...(OUTRO)




KUBIKGALLERY
Rua da Restauração, 2
4050-499 Porto

09 JUN - 30 JUL 2016

Outro Pedro Tudela

 

Depois de uma viagem no tempo com Pedro Tudela, a partir da sua última exposição no Espaço Mira [1], o artista apresenta-nos agora, na KubikGallery, uma outra forma, uma outra abordagem, um outro trabalho. Diferentemente das obras exibidas na ocasião anterior, as atuais não são manipuladas tecnologicamente, ganham tridimensionalidade, decorrentes das próprias mãos do artista, e destacam-se pela sua singularidade e estética visuais. A ação de Tudela sobre o material produz objetos que revelam uma inegável capacidade de artesão e um compromisso profundo com a produção artística e com todo o seu processo. A matéria, na forma objetual com que é apresentada, é entendida como a personificação de um conceito transposto da mente do artista, concedendo uma complexa dimensão a cada peça. Atentamente, verifica-se como, ao longo da exposição, se apresenta uma misteriosa semântica para descobrir, incrustada em singulares formas.

Mas, hoje, no campo da interpretação, cada espetador é de tal modo autónomo que a forma de receber e sentir o trabalho artístico é própria a cada um. Contudo, ao visitar a exposição de Pedro Tudela, a surpresa e a admiração serão, provavelmente, duas reações constantes por parte do público. A peculiaridade das peças apresentadas pode assemelhar-se visualmente às obras do minimalismo, corrente artística que surgiu por volta dos anos 60 e cuja influência, ainda hoje, se reflete em trabalhos que desafiam o conceito de obra de arte e que a tornam passível de ser compreendida através da experiência estética. Tais peças escultóricas concebidas através de materiais pouco usuais para a época, como lâmpadas fluorescentes, traves de madeira ou placas de metal, tiveram uma estética transformadora e destacaram-se, também, pela sua apropriação e transformação do espaço. Essa ocupação do espaço expositivo e uma certa teatralidade, identificada por Michael Fried e considerada por este como a grande característica modificadora de toda a noção de arte, é algo que se reconhece, também, no presente trabalho de Tudela.

Esta exposição é, assim, propícia à análise e interpretação pessoal, propondo um desafio à visão e ao pensamento, emergindo da obra de arte uma experiência sensorial e cognitiva. Ora, esta experiência e forte sensibilidade artística são vivenciadas tanto pelo público como pelo próprio artista, que se embrenha profundamente na sua obra.

É, precisamente, do íntimo de Pedro Tudela que advém este seu outro trabalho, podendo destacar-se duas obras que transportam consigo um caráter mais pessoal. A primeira, um díptico constituído por dois desenhos, ambos de fundo branco, incorpora fragmentos de trabalhos da sua companheira. A outra obra, na parede em frente, comporta, impressa em alumínio, uma fotografia de um caderno que o artista encontrou na rua, do qual se apropriou e sobre o qual interveio com uma frase que se reporta a si, à sua intimidade, ao seu corpo. Assim, nestes dois trabalhos, a ação de Tudela interseta a de outros, havendo um cruzamento de gestos, de ações e das várias experiências de cada interveniente num resultado único.

Há, assim, diálogos desencadeados a partir e entre estes objetos mudos, surgindo uma espécie de linguagem, uma comunicação que, no trabalho de Pedro Tudela, é habitualmente exercida através da música. Ora, e porque o elemento musical perpassa toda a obra do artista, no evoluir do percurso da visita à labiríntica galeria, um som interpela o público e assalta-lhe os sentidos. Um intrigante, constante e penetrante som. O que parece advir da musicalidade de uma harpa é, na verdade, constituído por uma trabalhada recolha de temas da livraria de som do artista. Este género de trabalho explora o cruzamento da energia do som com o objeto, ou com a forma objetual, à partida destituído de atividade e vida.

Na verdade, é possível analisar e compreender todo o trabalho apresentado nesta exposição numa relação com a música, sendo que, no próprio título da exposição, a palavra outro é oposta de intro e significa o fim de uma música. Poderá esta exposição ser entendida como o término de uma fase do artista? De uma certa pesquisa plástica? Ou a passagem para uma abordagem mais profunda, íntima, corpórea... As possibilidades são infinitas.

De inúmeras possibilidades é, também, o entendimento das obras, na medida em que todas são apresentadas destituídas de títulos que as individualizem, encontrando-se somente suportadas por essa ideia de ... outro. As obras valem por si mesmas mas também em conjunto, como um todo, na medida em que se associam e dialogam numa composição particularmente harmoniosa e que se ajusta bem ao espaço invulgar da galeria. As peças articulam-se entre si no espaço e percorrê-las torna-se uma aventura verdadeiramente estimulante. Essa notória coerência advém de uma ocorrência na exposição, o desenrolar de uma ação que o artista exerceu no espaço e que, agora, se abre ao espetador.

É através desta particular mostra de trabalho que se verifica como Pedro Tudela é um artista verdadeiramente contemporâneo e irreverente, com capacidade para tirar partido de todas as possibilidades artísticas, nas suas múltiplas formas, conseguindo, através disso, despertar os vários sentidos do espetador. É um artista que navega entre a exploração da arte multimédia, com distinção na vídeoarte e na mais plástica, entre formas escultóricas e de instalação e que, acima de tudo, parece procurar o progresso e uma constante superação de si mesmo. A sua maturidade na produção artística é cada vez mais clara e, deste modo, pode afirmar-se que o critério da qualidade irá acompanhar sempre o seu trabalho, de acordo com uma consistência que nele se escreve. Assim se reúnem as suas obras produzidas no espaço deste último ano, dando relevo a um outro lado do artista, com uma vitalidade de produção complexa e dinâmica.

A exposição na KubikGallery está patente desde dia 10 de junho e permanecerá até 30 de julho, contribuindo, no curto espaço de dois meses, para o fortalecimento do sucesso de Pedro Tudela e mais um outro grande momento artístico.

 


Constança Babo


:::

Notas

[1] de 30 de dezembro de 2015 a 30 de janeiro de 2016. mais info. em http://www.artecapital.net/exposicao-474-pedro-tudela-avec-le-temps-



CONSTANÇA BABO