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COLECTIVAEXPOSIÇÕES DA FEIRA DO LIVRO DO PORTOGALERIA MUNICIPAL DO PORTO Palácio de Cristal Rua D. Manuel II 4050-346 Porto 02 SET - 13 NOV 2016 A Feira do Livro do Porto é, pela primeira vez em mais de 80 anos, concebida pela Câmara Municipal e, pelo terceiro ano consecutivo, realizada nos Jardins do Palácio de Cristal. Este ano, a organização procurou integrar os conteúdos e o cariz que mais evocam a literatura e a cultura e que melhor servem a cidade, tal como explicou o Presidente Rui Moreira, na sessão de abertura, sexta-feira dia 2. No seu discurso e citando Paulo Cunha e Silva, afirmou que "sem cultura não haverá um mundo melhor", provando que o legado do anterior vereador da cultura está claramente a ser honrado e desenvolvido através de uma constante aposta no crescimento conjunto da cidade e da cultura. Esta é também a ocasião de homenagear o escritor portuense Mário Cláudio, cuja escrita, como o Presidente Rui Moreira observa no jornal da Feira do Livro, "confronta o tempo com a complexidade humana e provoca o limite ficcional das relações dissecadas nos seus textos, de forma rara e singularmente estimulante". No sábado dia 3, em cerimónia oficial, o grande escritor recebeu a tília de homenagem. De seguida, o ministro da cultura, Luís Filipe Castro Mendes, procedeu à abertura do ciclo de debates da Feira do Livro, que se prolongará no decurso da mesma, acompanhado pela exibição de filmes, o primeiro dos quais uma comédia negra de Roman Polanski, apresentado pelo próprio Mário Cláudio. Também enriquecem a programação um festival de spoken word, um programa de animação com concertos de jazz, uma música do dia e outras sessões especiais [1]. Em paralelo, destacando-se e densificando esta programação já variada, a Galeria Municipal do Porto apresenta duas novas exposições que inauguram em simultâneo, ambas em consonância com a Feira do Livro e onde a literatura prevalece como temática. Todos os sábados, às 16h00, decorrerá uma visita guiada às exposições, gratuita e sem necessidade de inscrição prévia [2]. No primeiro andar da Galeria, a valiosa exposição que é exibida nasce a partir de uma ideia de Paulo Cunha e Silva. Apresenta-se com o forte título 100 tesouros da Biblioteca Pública do Porto, com doze núcleos temáticos e cronológicos, contendo dezenas de livros, códices medievais, mapas, litografias e outras obras. Contam-se duas edições de valor histórico d'Os Lusíadas, bem como múltiplos manuscritos de autores tais como Almeida Garrett, Agustina Bessa Luís, Camilo Castelo Branco, Fernando Pessoa ou Eugénio de Andrade. A curadoria desta exposição é de Fernando Pinto de Amaral, com colaboração da equipa da Vírgula i, grupo que concebe arquitetura expositiva a partir de influências góticas. Revela-se, assim, uma escolha pela irreverência e pela inovação, conduzindo a um resultado com um surpreendente impacto visual. A usual e tradicional exibição de objetos antigos e artefactos é deste modo desafiada, estando, hoje, estes documentos apresentados na Galeria Municipal do Porto como um sagrado espólio que ganha uma nova atualidade. Tal ocorre através de uma disposição de áreas pelo espaço que permite ao espetador observar cada obra com uma sensação de privacidade que não existiria com a galeria em espaço aberto. Uma das zonas é de leitura, organizada em redor de um centro composto por duas estantes justapostas, o qual assume uma qualidade escultórica quase monumental e de inegável beleza. Nesta exposição é suscitada e desenvolvida a relação do espetador contemporâneo com o passado da cultura e da literatura portuguesas, o que torna a visita imperdível. Após este cenário arrebatador, o piso superior anuncia-se com um ambiente bem distinto mas não menos encantador, evocando um Reencontro com Vergílio Ferreira. Como Guilherme Blanc, adjunto do pelouro da cultura, explica, já é habitual a conjugação da Feira do Livro com uma exposição que enalteça uma personalidade da literatura do país. Este ano, a escolha surge também como celebração do centenário deste escritor multifacetado que deixou um legado e testemunho valiosos. O processo de criação de Vergílio Ferreira é apresentado inclusivamente através dos objetos mais pessoais que o acompanharam: o cadeirão e a máquina de escrever. A curadoria da exposição é de Isaque Ferreira e Maria Bochicchio, a qual se voluntariou para fazer parte deste projeto. Com uma harmoniosa e singular organização do espaço, a sala ganha um certo caráter onírico através de uma espécie de cortinas que se distribuem, interceptando o espetador. A exposição divide-se em zonas, pelas variadas temáticas ou consoante carateres distintos, entre os quais as dedicatórias, correspondências e traduções. No fundo da sala está disposto um pequeno palco para debates, abertos ao público, propício a conversas e diálogos nesse espaço encantado e preenchido pela obra do grande autor. Também em recordação de Vergílio Ferreira, realizar-se-á, às 18h30 do dia 17, do presente mês, no Auditório da Biblioteca, um Colóquio que debaterá a atualidade deste icónico escritor. Moderado por José Carlos Seabra Pereira, será prolongado, às 19h00, por mais reflexões e testemunhos, por sua vez mediados por Maria Bochicchio. Ambas as exposições resultam, assim, de uma curadoria inovadora, estabelecendo-se como marcos da programação cultural de 2016 e estarão disponíveis a ser visitadas até dia 13 de novembro. Entretanto, a Feira do Livro terminará dia 18 de setembro, bem como as restantes atividades que a acompanham nos jardins do Palácio de Cristal. É deste modo que, com múltiplas propostas e através de uma pluralidade de vozes, umas do presente e outras evocadas do passado, tudo se conjuga para o desenvolvimento de um grande palco de celebração da literatura portuguesa. O mês de setembro começa, deste modo, dando continuidade à programação do ano, pela mão da Câmara Municipal do Porto, deixando bem clara a importância do desenvolvimento da cidade através da agenda cultural: Porto. é cultura.
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[1] Consultar o calendário na página da Câmara Municipal do Porto.
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