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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Carmen Herrera, Untitled, 1948. Acrylic on canvas, 48 × 38 in. (121.9 × 96.5 cm). Collection of Yolanda Santos © Carmen Herrera; photograph by Roberto Ortiz.


Vista da exposição "Carmen Herrera: Lines of Sight" (Whitney Museum of American Art, New York). Photograph by Ronald Amstutz


Vista da exposição "Carmen Herrera: Lines of Sight" (Whitney Museum of American Art, New York). Photograph by Ronald Amstutz


Vista da exposição "Carmen Herrera: Lines of Sight" (Whitney Museum of American Art, New York). Photograph by Ronald Amstutz


Vista da exposição "Carmen Herrera: Lines of Sight" (Whitney Museum of American Art, New York). Photograph by Ronald Amstutz


Carmen Herrera, Equation, 1958. Acrylic on canvas with painted frame, 24 × 42 in. (61 × 106.7 cm) Collection of Stanley Stairs and Leslie Powell © Carmen Herrera; image courtesy Ikon Gallery


Carmen Herrera, Amarillo “Dosâ€, 1971. Acrylic on wood, 40 × 70 × 3 1/4 in. (101.6 × 177.8 × 8.3 cm). Maria Graciela and Luis Alfonso Oberto Collection © Carmen Herrera; photograph by Chi Lam

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ARQUIVO:


CARMEN HERRERA

CARMEN HERRERA: LINES OF SIGHT




WHITNEY MUSEUM OF AMERICAN ART
99 Gansevoort Street
New York, NY 10014

16 SET - 02 JAN 2017

SERA TARDE, TARDE DEMAIS?

 

O que representa Carmen Herrera na história de arte contemporânea?

Neste momento, e até dia 2 de janeiro de 2017, o Whitney Museum of American Art de Nova Iorque tem patente uma retrospetiva da pintora cubano-americana Carmen Herrera, de estilo abstracionista e minimalista. Esta exposição tem sido imensamente publicitada como um tardio reconhecimento da maestria desta artista que completou 101 anos de idade no passado mês de maio. Mas será esta descoberta efectivamente tardia, ou simplesmente uma especulação oportunista dos dealers e historiadores de arte?

Carmen Herrera começou a pintar nos anos 30 e continuou até aos dias de hoje. Depois de completar 101 anos de idade, esta artista continua a trabalhar todos os dias nas suas pinturas e a desenvolver novos trabalhos que hoje se vendem por preços exorbitantes e que se multiplicam em muitos zeros com o passar dos meses e as várias aquisições concretizadas por instituições de renome mundial. Herrera tem feito os destaques de inúmeros jornais e colunas da especialidade, desde as capitais da Europa até à histeria da capital do mercado da arte nos Estados Unidos, Nova Iorque.

Esta ternurenta história é de facto surpreendente, considerando que uma artista que trabalhou na obscuridade toda a sua carreira, nos últimos anos da sua vida recebe finalmente a atenção das mais denotadas instituições de arte mundial como o MoMA, Tate Modern, Hirschorn Museum e do próprio Whitney, começando a vender o seu trabalho, nunca antes adquirido (literalmente por ninguém) por centenas de milhares de dólares. Poderemos, eventualmente, admitir a importância do trabalho de Carmen Herrera num contexto das práticas artísticas que ocorreram entre os anos 50 e os anos 70, se verificarmos que na realidade, nessa altura, o seu trabalho era inovador, rompendo mesmo com alguns conceitos pré-estabelecidos no abstracionismo. Também, será, eventualmente aceitável (com algum esforço, mas vá lá…) enquadrar o seu trabalho com restantes mestres do abstracionismo e do minimalismo como Ellsworth Kelly, Frank Stella ou Jackson Pollock, mencionando apenas alguns artistas americanos do mesmo período. Mas, será razoável ou mesmo aceitável realçar o seu trabalho, que teve o seu momento na história e o seu tempo aproximadamente há 50 anos atrás, como “The hot new thing in painting” (“a grande novidade na pintura contemporânea”) citando o New York Times?

As obras de arte tornam-se, eu diria, “novidade” (“hot”) e peças de distinto reconhecimento na história da arte quando determinam de alguma forma a própria história da arte, o que pode acontecer através de um acto determinante de inovação, a definição de uma nova estética ou quando redefinem por completo o conceito e a ideia que temos da própria arte, introduzindo-nos um novo momento, uma nova era, um novo movimento, uma nova arte. O mercado deveria comportar-se de acordo com esta tendência ou “efeito” quando atribui valores às obras de arte, mesmo que mediante o seu ambíguo barómetro de estética que derradeiramente só o passar do tempo atesta. Apesar destas considerações, temos e devemos reconhecer os artistas vivos que estão hoje a produzir e a redefinir novos caminhos para a arte.

É de facto extremamente curioso, ler, ouvir e observar os inúmeros peritos de arte a analisar o trabalho de Carmen Herrera como a grande descoberta e novidade na arte dos nossos dias. É também bastante interessante, mas simultaneamente difícil de processar, como é que esta superestrela nasceu. Não é, no entanto, difícil de perceber que é relativamente simples glorificar e endeusar um artista que estoicamente sobreviveu a uma carreira na obscuridade e que após completar um centenário ainda produz e se mantem fiel as suas características estéticas. Mas, então, o que está neste momento a ser reconhecido a Carmen Herrera como artista? A sua maestria enquanto produtora de objetos de arte ou a sua perseverança, longevidade e história “terna” enquanto ser humano?

Tal como já tive oportunidade de mencionar, é inquestionável que os seus trabalhos dos finais dos anos 50 e 70 se mantiveram ao nível das tendências vanguardistas da época. Mas, é pouco razoável, lá por que perdemos a oportunidade de reconhecer isso quando o deveríamos ter feito, que tenhamos hoje que compensar a história com homenagens retroativas. Sejamos realistas, o que a Sra. Carmen Herrera esta a fazer hoje, não é nem novo nem minimamente excitante enquanto objecto de arte.

Esta exposição no Whitney Museum é de certa forma astuta. A exposição foca o período crucial da obra de Carmen Herrera entre os anos 1948 – 78 exatamente quando o seu trabalho poderia ser considerado inovador se enquadrado com as tendências da arte produzida nessas datas pelos seus “contemporâneos” abstracionistas. Também será justo reconhecer que o seu trabalho ao longo de todos estes anos pode e deve ser incluído em coleções e nos compêndios que se focam nesse período específico e que o seu trabalho seja conservado e arquivado com o devido cuidado, mas talvez não seja assim tão razoável que este corpo de trabalho seja hoje considerado uma “grande novidade” (“hot” ou “remarkable”) ou extremamente significativo.

Com estas considerações não pretendo desconsiderar o trabalho de Carmen Herrera ou a sua importância, mas temos e devemos questionar o que é que o mundo da arte “compra” hoje como valioso ou extraordinário. Continuamos a valorizar, e provavelmente vamos continuar nos próximos anos, a não ser que haja uma reviravolta radical de mentalidade, na aposta segura da obra de arte de há muitas décadas atrás e a surpreendermo-nos com descobertas de artistas ainda vivos cujas práticas não são inovadoras ou cuja estética pertence ao passado.

O que é que afinal esperamos que seja contemporâneo ou representativo da nossa contemporaneidade?



SÉRGIO PARREIRA