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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Bart Lodewijks, “PortoDrawingâ€, 2006. Culturgest, Porto. Fotografia: Rita Burmester


Bart Lodewijks, “PortoDrawingâ€, 2006. Culturgest, Porto. Fotografia: Rita Burmester


Bart Lodewijks, “PortoDrawingâ€, 2006. Culturgest, Porto. Fotografia: Rita Burmester


Bart Lodewijks, “Gent Drawingâ€, 2005. Fotografia: Huig Bartels


Bart Lodewijks, “Gent Drawingâ€, 2005. Fotografia: Huig Bartels

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BART LODEWIJKS

Bart Lodewijks




CULTURGEST (PORTO)
Edifício Caixa Geral de Depósitos Avenida dos Aliados, 104
4000-065 Porto

22 JUL - 30 SET 2006

Que farias com este espaço?

No início, lugares feios geram resistência. Parecem perigosos. Uma permanência nesses lugares permite descobrir que a fealdade apela à capacidade de compreender.
Bart Lodewijks


“Que farias com este espaço?†foi a frase escolhida por Bart Lodewijks e pela sua mulher, Danielle van Zuijlen, na primeira apresentação (a um de Dezembro de 2002) do projecto Hotel Mariakapel, um espaço de exposições e residências em Horn, na Holanda. Confrontados com o trabalho que agora apresenta no espaço da Culturgest no Porto podemos compreender a posição central que esta questão ocupa no corpo do seu trabalho. Não desdenhando o valor dos trabalhos que têm vindo aí a ser apresentados, vale a pena visitar a galeria da Culturgest no Porto também pela sua arquitectura, pelas dificuldades que apresenta e questões que levanta enquanto espaço expositivo copiosamente ornamental. Nesta exposição, mais especificamente, é este espaço que está sob a análise de um artista que tem vindo, precisamente e através do seu percurso, a estudar as possibilidades do lugar, significado e/ou significante.

O trabalho de desenho a carvão e giz produzido apenas com recurso a um simples nível sobre as paredes da galeria parte de um confronto individual com as possibilidades particulares do espaço em questão. A utilização da perspectiva como auxiliar do olhar na decomposição das propriedades da imagem liga Lodewijks à pintura holandesa dos finais do século XVI/princípios de XVII. Usualmente optando por intervir em exteriores, em zonas já de si complexas e muitas vezes socialmente fracturadas, os desenhos do artista pretendem-se como uma acção individual de transformação do lugar. “PortoDrawingâ€, que podemos ver agora, não se afasta da linha que até agora descrevemos, embora, como o artista admitiu, tenha sido um trabalho particularmente desafiante dada a tipologia arquitectónica do espaço onde interveio.

No pequeno texto que acompanha a exposição o autor diz que a sua “prática artística é um resultado de estar em viagem†a partir de aqui sublinhamos o conceito de deriva, presente nos desenhos de Bart Lodewijks no sentido em que a análise que é imposta sobre o espaço modifica-o sem anular minimamente a sua presença ou diminuir o valor dos seus elementos. Ao invés de uma sobreposição de camadas existe uma superação do primeiro enquadramento, uma passagem rápida para a sugestão de uma construção lateral, existe “a encenação da fuga do tempo, num espaço social condenado à renovação criadoraâ€(1). O trabalho é actor num exercício de contemporização de um palco que, tanto pelo seu anacronismo como pelo seu excesso, é de si agressivo à intervenção e, ainda mais, à intervenção contemporânea. A partir do momento em que “PortoDrawing†se instala nas paredes liberta-se delas num aparente paroxismo, quando abre a perspectiva através da multiplicação das possibilidades de assimilação do envolvente. Ao invés de servir de moldura, o espaço expositivo é enquadrado e sufragado pelo discurso presente da obra.


Nota:
(1) I.S. n.º 3, Dezembro de 1959 in “Internacional Situacionista – Antologiaâ€, Edições Antígona, Lisboa, 1997



José Roseira