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MARIANA CAL脫 E FRANCISCO QUEIMADELAA TRAMA E O C脥RCULOMUSEU DA IMAGEM DE BRAGA Campo das Hortas, 35-37 Braga 21 JAN - 25 FEV 2017
Numa torre medieval, que outrora delimitava a cidade de Braga, a dupla Mariana Caló e Francisco Queimadela apresenta “A Trama e o Círculo”, título da exposição e do filme homónimo, ocupando três pisos do edifício.
Tal qual num círculo, o espectador vê-se obrigado a percorrer toda a exposição duas vezes, em sentidos opostos, primeiro num movimento ascendente e posteriormente descendente, numa hipotética analogia entre os dispositivos arquitectónico e discursivo. Ao longo da exposição, Caló e Queimadela exploram sobretudo o dualismo entre material e imaterial, sensível e inteligível, mão e pensamento, luz e sombra.
A aproximação a essa ideia, que será central na obra dos artistas, acontece logo no piso térreo com a presença de um molde de um sino defronte à projecção desse mesmo molde, ainda a fumegar. O objecto e a projecção da sua representação, numa lógica quase entrópica que se adensa num segundo momento com o aparecimento de projecções de reproduções (serigrafias) de projecções (sombras), acentuando o carácter metamórfico das imagens.
Aí, Caló e Queimadela apresentam três projecções justapostas ontologicamente diferentes: uma imagem estática, uma sequência de imagens estáticas (slides) e, ao centro, um vídeo. Longe do ecrã uno, que surgirá, por exemplo, na última sala, e da lógica sequencial das imagens no tempo, os artistas propõem a coexistência destes planos. Nesta instalação, a fixidez do dedo em riste, que aponta à tela central, e a concentricidade do movimento que desenha o círculo desencadeiam um efeito quase-hipnótico. Apenas será interrompido pelo som concomitante da passagem dos diapositivos que formam a terceira projecção, -um teatro de sombras coreografado com mãos-, despontando uma tensão.
No terceiro piso, um pequeno altar compõe a sala que antecede a projecção do filme-ensaio “A Trama e o Círculo”: o mesmo caderno de apontamentos que dá voz ao filme, um conjunto de esculturas “inacabadas e um faqueiro disposto sobre um painel de luz branca. Neste último, o efeito contra-luz apenas deixa ver uma silhueta dos talheres corroídos, potenciando a forma das peças em detrimento da função.
Ainda que o filme-ensaio reúna em si as peças que integram a exposição, não há nele qualquer característica denotadora ou final. As mãos, o labor, os corpos, a fábrica. A repetição e corte abrupto suspendem o tempo e alertam para a presença do cinema enquanto construção. Havendo uma organização não-determinista das imagens, o espectador é convidado -senão mesmo obrigado- a criar as suas próprias referências produzindo formas alternativas de ver o mundo. “A mão é o cérebro e o cérebro é a mão”, ouve-se. Através da prática artística, Caló e Queimadela pensam a própria matéria num acto reflexivo, como se se tratasse de uma relação inextricável entre acto e pensamento.
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