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MICHAEL BIBERSTEINMICHAEL BIBERSTEIN: X, UMA RETROSPETIVACULTURGEST EdifÃcio Sede da Caixa Geral de Depósitos, Rua Arco do Cego 1000-300 Lisboa 19 MAI - 09 SET 2018
O espaço não é o ambiente (real ou lógico) em que as coisas se dispõem, mas o meio pelo qual a posição das coisas se torna possível.
Abstração. Desconstrução. Espaço. Percecionamos os processos abstratos que compõe uma "linguagem conceptual herdeira da filosofia analítica", tal como a descreveu Delfim Sardo, curador da exposição (cf. texto da Culturgest). Numa articulação de uma linguagem conceptual, Michael Biberstein produz nos seus primeiros trabalhos, dos anos 1970 e 1980, um cruzamento erudito entre a forma e o espaço, numa tautologia da perceção expositiva, refletindo, em que certa medida, um sistema de repetição, cuja linguagem estabelece um contraponto com da linguagem musical. Trata-se de decompor o pensamento abstrato numa abordagem dos procedimentos fenomenológicos da perceção do espaço. Desta forma, o artista remete-nos para a simplicidade da forma e para uma desconstrução do "sistema", enquanto repetição até à exaustão. O espaço é entendido na perceção, mas também no entendimento. A experiência estética é fruída pelo espectador nesse "puro sistema" composto, pela simplicidade das estruturas da forma, pela justaposição das linhas, entre diagonais e verticais ou horizontais. E, a cor é expressa em pequenos detalhes que colocam em contraste com o branco da tela e da parede. O espectador perceciona o espaço, enquanto forma, ritmo e movimento, criando deste modo, a repetição em contraponto com a representação da estrutura da imagem abstrata. A escala e a representação experimental do sistema são redesenhadas como composições expositivo-espaciais, incorporam, assim, o limiar da própria linguagem matemática, como se projetasse uma harmonia e equilíbrio. O espaço é delineado pela simplicidade geométrica fazendo convergir o pensamento abstrato com a complexa reconfiguração dos padrões minimais.
A escala intensifica-se na perceção fenomenológica. A linguagem muda, mas o espaço continua a fazer parte da sua concepção estética. Surgem, noutras salas, enormes telas com "elementos negros monocromáticos". Contemplamos a obra que fruímos em grande escala, a paisagem enquanto uma nova sensação da experiência do sublime, como nas obras Sem Título, 1991, ou Double Landscape with Praedella, 1990. O artista entrelaça a tradição romântica com o pensamento oriental. A paisagem emerge do ambíguo e, por isso, a sua perceção estética fica no limiar do assombro, no incógnito ou mesmo no mistério, como se, de súbito, surgisse da névoa uma enorme escuridão, como na obra Dark Glider, 1993-1994. Prevalece a grandeza da escala. Enquanto espectadores, somos subjugados pela amplitude de uma alusão de paisagem, que se dilui em negros sobre o linho escuro, como na obra Jumping Jack Flash, 1998. Tanto nos proporciona um sentimento romântico desconcertante, induzido pela grandiosidade da escala, onde o fluxo se movimenta através dos negros monocromáticos, como nos apela para uma experiência contemplativa oriental, sentindo a unidade do todo através da alusão da natureza. Porventura, evoca o espectador à experiência meditativa. Deixamo-nos ir ao encontro de uma espécie de aniquilação espaçotemporal, entre o ser e a natureza, na obra Very Large Attractor, 1991. Pela sua simplicidade e fluidez, sentimos a infinitude e a intemporalidade, cuja dimensão estética já não se encontra situada apenas no presente, mas se projeta no presente, passado e futuro. O observador sente semelhante experiência de um poeta de haiku, cujo sentimento se funde com a natureza, num todo, tal como "os elementos negros monocromáticos" e o espectador. Recordamos, então, a poesia de Bashô: acima do voo da cotovia
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