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COLECTIVAAFRICAN PASSIONSPALÃCIO CADAVAL Rua Augusto Filipe Simões 7000-845 Évora 25 MAI - 30 SET 2018 O ambiente é quente, os movimentos leves e sente-se liberdade na criação. O “joie de vivre” africano é o mote da exposição African Passions, integrada no festival Évora África que acontece pela primeira vez em Portugal, no Palácio de Cadaval, edificado no século XV. Mesmo junto ao Templo Romano, a mostra reúne as obras de 16 artistas vindos de sete países da África subsariana que ainda hoje vivem no continente Mãe. A recepção é feita pela pintura mural de Esther Mahlangu, de 83 anos, membro da tribo Ndebele, da África do Sul, que, em maio passado, inscreveu a sua marca nas paredes do Palácio utilizando acrílico para criar geometrias de forma livre e directa que, de relance, parecem abstractas, mas olhadas com cuidado, denunciam um conjunto de símbolos e signos que constituem a linguagem ancestral da sua tribo. Já na Igreja dos Lois, onde jazem os túmulos da família Cadaval, mesmo no centro junto ao altar, cruzamo-nos com o paramento de Romuald Hazoumè do Benim. Trata-se de uma escultura com cerca de 4 metros de altura, um tributo aos trajes dos sacerdotes. Feita em plástico, simboliza um deus animista a ser seguido pelo seu povo, representado através de bidões pretos, que são actualmente utilizados pelo povo do Benim trocar petróleo por comida, num contexto de tráfico ilegal com a Nigéria. Ao subirmos as escadas de granito que ligam a Igreja ao Palácio, entramos nas salas amplas, agora transformadas em galerias, onde a fotografia a preto e branco cruza com a pintura numa sustentável leveza onde a diversidade visual salta à vista. Começa-se com a objectiva de Malick Sidibé, do Mali, que capta a noite, a festa e a diversão, algures nas margens do rio Níger, enquanto Chéri Samba e JP Mika, ambos do Congo, trazem à mostra uma linguagem nova que apela à ilustração e toca na banda desenhada. Da Costa do Marfim, Frédéric Bruly Bouabré artista e pensador, traz um alfabeto como forma de preservar e transmitir o conhecimento do povo Bété e Marcel Miracle, do Madagáscar, está presente através das colagens que foi reunindo ao longo da vida criando também uma linguagem individual. Filipe Branquinho, de Moçambique, expõe o retrato de grande formato e Omar Victor Diop, do Senegal, retrata uma geração urbana próspera e criativa.
La belle Ambiance (2016), de JP Mika.
Está aqui uma África moderna, dinâmica e gentil. Com curadoria de André Magnin e de Philippe Boutté, Alexandra de Cadaval, organizadora do Festival Évora África, confessa que a selecção das obras consistiu num balanço de grandes nomes da cultura africana com artistas que estão agora a emergir. “A nossa intenção é mostrar uma África positiva, criativa e contemporânea”, diz a responsável pelo festival revelando que a adesão do público tem sido muito boa. Após ter vivido entre Moçambique e o Burkina Faso, nos últimos anos, apaixonou-se por África e quis partilhar o que sentiu e viveu. “Os artistas são os mestres deles próprios e a inspiração vem-lhes das suas histórias familiares e das tradições ancestrais que vão passando entre gerações”, confessa Alexandra de Cadaval que vai tentar tudo para continuar a concretizar o Festival Évora África em formato bienal.
Maria Luísa Ferrão
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