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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Erika Verzutti, vista da exposição. Centre Pompidou. Fotografia: Audrey Laurens


Erika Verzutti, vista da exposição. Centre Pompidou. Fotografia: Audrey Laurens


Erika Verzutti, vista da exposição. Centre Pompidou. Fotografia: Audrey Laurens


Erika Verzutti, vista da exposição. Centre Pompidou. Fotografia: Audrey Laurens


Erika Verzutti, vista da exposição. Centre Pompidou. Fotografia: Audrey Laurens


Erika Verzutti, vista da exposição. Centre Pompidou. Fotografia: Audrey Laurens


Erika Verzutti, vista da exposição. Centre Pompidou. Fotografia: Audrey Laurens


Erika Verzutti, vista da exposição. Centre Pompidou. Fotografia: Audrey Laurens


Erika Verzutti, vista da exposição. Centre Pompidou. Fotografia: Audrey Laurens


Erika Verzutti, vista da exposição - pormenor. Centre Pompidou. Fotografia: Audrey Laurens


Erika Verzutti, vista da exposição. Centre Pompidou. Fotografia: Audrey Laurens


Erika Verzutti, vista da exposição - Cemitério em primeiro plano. Centre Pompidou. Fotografia: Audrey Laurens


Erika Verzutti, vista da exposição. Centre Pompidou. Fotografia: Audrey Laurens


Erika Verzutti, vista da exposição. Centre Pompidou. Fotografia: Audrey Laurens


Erika Verzutti, vista da exposição. Centre Pompidou. Fotografia: Audrey Laurens

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ARQUIVO:


ERIKA VERZUTTI

ERIKA VERZUTTI




CENTRE POMPIDOU
Place Georges Pompidou
75191 Paris

20 FEV - 15 ABR 2019


 

 

Era a imagem inversa desta primeira que eu teria desejado mostrar ao início, a visão que temos do exterior do museu através das grandes janelas do Centro Pompidou, sobre a exposição da artista brasileira Erika Verzutti (até 15 de abril), a sua primeira exposição retrospectiva na Europa. Do exterior, vemos um grande cisne branco a servir de base a uma dúzia de pequenas esculturas, vemos cinco ilhotas cheias de pequenas esculturas coloridas entre as quais os visitantes navegam. O topo das paredes é pintado de amarelo, como um sol fantasmagórico, e, mais que diante de uma exposição, acreditamos estar num santuário colorido, exuberante, onde nunca seremos iniciados, mas que admiraremos de longe.

É claro, é preciso entrar, esquecer o discurso convencional que tenta vincular este trabalho ao da exposição mostrada ao lado (como se a geração de formas se pudesse reduzir a um processo orgânico) e mergulhar dentro deste universo precioso, irónico e impertinente. Erika Verzutti é uma hedonista que não tem nada a ver com conceitos abstratos ou pós-modernos (o que a torna difícil de enformar pelos bons espíritos da arte contemporânea: o prefácio do catálogo é uma prova hilariante). Mesmo a curadora Christine Macel (que, no entanto, já tinha apresentado Verzutti em Veneza em 2017) parece ter dificuldade em aceitar esta multitude, a sua recusa das regras, esta liberdade, que não podemos incluir no compartimento "feminismo" ou no compartimento "política", tão práticos. Avessa às práticas comuns, Verzotti é herdeira de Tarsila do Amaral (e do seu marido, o antropófago Oswald de Andrade), e rende-lhe aqui tributo com pequenas esculturas de pepinos fálicos que às vezes se beijam e acariciam.

 

Erika Verzutti, Bikini, 2015, bronze e acrílico, 61x40x9cm

 

Mas o seu trabalho não pode ser reduzido ao tropicalismo: as suas colunas, as suas "tartarugas", as suas estelas inscrevem-se numa história de arte barroca ou surrealista, entre natureza e cultura, entre arte primitiva, mesmo arcaica, e a civilização do ecrã. As suas peças carregam a impressão dos seus dedos, as suas aberturas sensuais acolhem ovos coloridos. Ela trabalha a argila, o bronze, o papel machê, o gesso, o betão, a cera, o que quer que seja, estas formas tanto prosaicas quanto estranhas nascem na ponta dos seus dedos como criações mágicas.

 

Erika Verzutti, Grávida, 2014, bronze, betão, enamel, cera e acrílico, 90x60x28cm

 

Erika Verzutti, Missionário, 2011, bronze e acrílico, 31x10x16cm

 

O seu erotismo é leve e irreverente, todo em sensualidade colorida e formas suaves, redondas e voluptuosas; a sua série "Missionário" evoca a posição em questão mais do que as conversões religiosas, com as Vénus pontiagudas (Yogi) e as Ladies em bananas (JosephineBaker?). Ambivalente e astuta, ela joga perfeitamente com a ambiguidade, o artifício (vejam o ensaio de Chris Sharp no catálogo, em torno de Byung-Chul Han) e profere por vezes enormidades que o seu entrevistador acredita ingenuamente e recolhe meticulosamente sem saber o que fazer com isso.

A exposição também inclui os "Cemitérios", reuniões no chão de desperdícios, de fracassos da artista, passos aceites, relíquias que também podemos ver como uma rejeição do bem sucedido, numa reconciliação com o defeito: nenhum "verdadeiro" artista faria isto (Rodin, talvez) e Verzutti deleita-se, evidentemente, novamente fora das regras, das convenções.

Esta energia sobe mesmo para as paredes: várias obras passaram da escultura de chão ao baixo-relevo (vejam a análise de José Augusto Ribeiro no catálogo). São formas coloridas, também sempre arredondadas, que saem da parede em direcção a quem olha, como um ecrã táctil, uma janela absurda tornada viva, activa, vigorosa. Não sabemos o que pensar deste trabalho, ou melhor, não sabemos como analisá-lo, preferimos senti-lo, fundirmo-nos com ele; a experiência da visita é mais sensível ou mística que intelectual, e essa é a façanha contra corrente de Erika Verzutti.

 



MARC LENOT